domingo, 7 de junho de 2009

"Já não há trigo, Manuel..."


A paisagem, agora, é incompleta. Faltam-lhe as searas com o cheiro sensual do trigo, de papoilas a gritar em rubro a importância inteira das coisas inúteis. Há um amor que se agita na gente, ante as espigas maduras ondeantes a farfalhar ao Sol, que é mais verdadeiro na sua provocação de estímulos – como o de toda a natureza que sente sem ser humana. São os cheiros, as cores, o calor, as estações do ano, que lembram ao instinto dos outros seres que é tempo de amar ou de ter adormecidos os seus impulsos de vida. (O homem estraga o que faz quando não o faz somente por ser tempo de o fazer.) E, às papoilas, fica apenas o refúgio de algum muro velho, um recanto de barreira onde não molestem, ridículas como viúvas garridas e gaiteiras.

Os bois, idos à canga sem recusa, já não puxam o arado naquela paz dolente, pé ante pé, como quem pisa a terra com carinho para não magoá-la, como quem ama com coração humano. Podia medir-se o tempo por cada rego aberto. Ápis castrados, com cuja dor imensa também se amassava o pão, companheiros, amigos, confidentes até de longos sóis e férvidos suores. Lavraram, gradaram, acarretaram o trigo num cantar de eixos a arder, e voltearam, por fim, nas eiras, com os velhos trilhos, já esquecidos entre o pó dos museus que os guardam na memória. Por isso o pão já não tem o sabor do trigo...

Passa, no atalho, o José “Dourado”. Aquele fez o primeiro filho com um amor sem sacramento ainda. E foi numa seara de trigo, seu tálamo e dossel, que profanou as núpcias. “Aonde foste, José?” Pergunta-lhe Manuel de Sousa. “Estive a abarbar uma nica de batatas.” Malicioso, entre uma fumaça e outra a cheirar a rústico e a folhelho, Manuel de Sousa diz-lhe: “Já não há trigo, José...” E o velho, olhando o corpo decrépito e a não prestar, agora, para nada, dá esta voz à alma: “Já não há trigo, Manuel...”

E essa queixa é mais densa, mais sentida, do que quantas lamentam a morte das searas.
(Do livro Sobre a Verdade das Coisas – esgotado.)

45 comentários:

Anónimo disse...

Realmente, com os resultados de hoje o trigo tá-se acabando.

Algumas verdades, no :ilhas, a propósito do 6 de Junho e dos traidores do Povo Açoriano:

O E. Pacheco tem razão. Lembrei-me agora que um tal Daniel de Sá assistiu ao queimar da bandeira dos Açores já aprovada pela Assembleia e defendeu o seu arrastamento pelas ruas da Maia e lançamento à lixeira. Claro que já foi condecorado por Portugal com a concordância do seu amiguinho Carlins César.
Anónimo | 06.07.09 - 11:15 am | #

Maria Parda disse...

Sr anónimo, seja mais explícito, porque o que acaba de revelar é muito grave.Ou será que está com náuseas?

Daniel disse...

Quem não dá o nome não dá a cara, e não gosto de falar a gente sem rosto. Lembro no entanto que a queima da bandeira a que assisti foi em 1975. Nem sequer havia ainda assembleia regional. E, curiosamente, a única tentativa de intervenção da minha parte foi para que não queimassem a bandeira. Que era a da FLA, e por isso suscitou tal animosidade em muitas pessoas da Maia, que viam que os senhores e seus filhos que sempre haviam explorado o povo é que eram aqui os portadores da ideia separatista, tendo sido um deles o que comprou a bandeira e mandou pôr onde a puseram. Se o incógnito e mal informado anónimo quiser saber os nomes dos principais envolvidos, eu digo-lhos. Quanto aos dois organizadores da manifestação contra a bandeira, um é hoje catedrático de Medicina em Coimbra e ou outro um dos melhores advogados do Seixal.

mar-ia disse...

Já não há paciência, não há paciência mesmo, Daniel para suportar comentários destrutivos a anónimos. A tolerância tem limites.
É caso de retirar do texto uma frase notável, que lá se contém, com leveza, mas também a quem só quer conspurcar, arrancar:
"O homem estraga o que faz quando não o faz somente por ser tempo de o fazer"
Não há bandeiras para queimar! Nem tractores para marchar.
Aqui há pão para saborear. Obrigada Daniel por esta delícia.

Anónimo disse...

O Vital também é um grande cãostitucionalista. O Povov Açoriano sempre soube tratar essa gente e seus apaniguados dos Açores. Foi foi o 1º passo. Outros seguir-se-ão já nos próximos meses.

Daniel disse...

Mar-ia
Não me falta sabão, graças a Deus. O tempo é que é pouco.

Rodrigo de Sá disse...

Poupa no sabão, pai. Vem aí o Verão, e vou querer uns gelados daqueles dos menos baratos.

lia disse...

Daniel,

Acabo de ler o texto e os comentários.Quanto aos comentários anónimos é andar e passar. A cobardia merece um desdém solene(acho que é do Eça).
Quanto ao texto, nós que vamos envelhecendo a passos de gigante, entendemos muito bem a dor sentida do Manel e recordamos com saudade esse milho.Também fiz dele dossel, sobretudo quando era pequenina e me escondia para olhar de baixo o céu e os montes. Cortava algumas folhas, estendi-as na terra e deitava-me com as mãos debaixo da cabeça. O voo das aves levavam os meus olhos para as esferas altas do azul. Um dia fiquei mais de uma hora assim, esquecida do tempo, esquecida das preocupações da minha mãe, até que ouvi vozes sobressaltadas , Ó belinha, ó belinha!!!
«Já não há milho, Daniel,já não há milho», mas há as searas eternas de bondade,indiferentes às náuseas e às más línguas.

Anónimo disse...

"Se o incógnito e mal informado anónimo quiser saber os nomes dos principais envolvidos, eu digo-lhos. Quanto aos dois organizadores da manifestação contra a bandeira, um é hoje catedrático de Medicina em Coimbra e ou outro um dos melhores advogados do Seixal."


Gandas argumentos.

tenho rido bastante com este blogue que acho que vale peu humor. É do género:

Y - Obrigado x, escreves tão bem!
x - obrigado Y, tu também escreves muito bem.

Z - Obrigado Y e x, vocês escrevem muitíssimo bem.

Y e x - Tu também Z. Escreves muito bem.

W - Ler o Y, o x e o Z é como beber água pura da nascente!

x, Y, e Z - Ó W e nós quando te lemos é como inspirarmos o ar diáfamo da montanha, é como se vestíssemos as saias de nossa sra da imaculada!

x, Y, Z e W - Nós escrevemos tão bem.

e assim sucessivamente, lá vai encantada a escola do elogio mútuo. O Eça tinha boas tiradas para o efeito.

Jose Augusto Soares disse...

A gigantesca diferença entre a inteligência e a estupidez, é que esta última não tem limites...

Mas ainda mais que a estupidez, o que mais me confrange é a cobardia cómoda e sempre atrevida, de quem quer insinuar, criticar, ofender ou blafesmar, sem dar a cara.
Típico de indigentes mentais, simultaneamente envergonhados e sem escrúpulos.
Pululam por alguns blogues como moscas, inconvenientes como estas, e não menos conspurcadoras.
Vegetam na aleivosia, reinam em condados de inveja, tentam morder as consciências, apodrecem com o seu próprio veneno.

"E não se pode exterminá-los?".

Ibel disse...

Boa,José Augusto!
Agora o intruso,já vai ter mais pretexto para se entreter, o que é bom.
Do que ele tem inveja é de não ser capaz de escrever um pedaço de linguagem talhada assim:
"A paisagem, agora, é incompleta. Faltam-lhe as searas com o cheiro sensual do trigo, de papoilas a gritar em rubro a importância inteira das coisas inúteis. Há um amor que se agita na gente, ante as espigas maduras ondeantes a farfalhar ao Sol, que é mais verdadeiro na sua provocação de estímulos – como o de toda a natureza que sente sem ser humana. São os cheiros, as cores, o calor, as estações do ano, que lembram ao instinto dos outros seres que é tempo de amar ou de ter adormecidos os seus impulsos de vida. (O homem estraga o que faz quando não o faz somente por ser tempo de o fazer.) E, às papoilas, fica apenas o refúgio de algum muro velho, um recanto de barreira onde não molestem, ridículas como viúvas garridas e gaiteiras."

Mar de Bem disse...

Cheira a verão, este teu texto, Daniel!

...e cheira a despedidas ao anoitecer da Vida, de tanto que se vai perdendo...

Perde-se o viço, perde-se o arrojo, perdem-se os vermelhos de tanta vida cheia (é verdade, este senhor anónimo é capaz de dizer que eu sou comuna, só porque falo em vermelho. Sim, porque imaginação e inteligência são coisas que Deus resolveu não lhe dar, simplesmente porque seria um desperdício!!!), perdem-se os cheiros, perdem-se as emoções, perde-se... perde-se...perde-se (senhor anónimo, o que se perde? Será capaz de o dizer? Ao menos entre neste "Espólio" com alguma clarividência!!!)

Voltarei à carga!

Anónimo disse...

Ainda lancei aqui algumas provocações, mas nada! É só cascalho, ladaínhas às flores, aos passarinhos. Ah intelegências bucólicas. Felizes os simplórios, pois que neles o alimento é simples, fútil e vago.
Passar bien.

Daniel disse...

Minha boa gente
Só agora soube de uma notícia que me transtornou muito. Morreu o Armando Medeiros! Perante uma perda destas, não há papoilas nem searas que resistam. E até os amigos desculparão, decerto, que não dirija a cada um ou a cada uma umas palavras especiais.
O Armando Medeiros nunca foi um medíocre. Iconoclasta, talvez, mas de conceitos podres, de ideias ultrapassadas, de mamarrachos arquitectónicos que deveriam ter estampada na frontaria o nome do seu autor, de filmes de cor e luz mas vazios de sentido.
Como professor, foi amado pelos bons alunos e detestado pelos preguiçosos. Ensinou a filosofar, a falar francês, inglês e alemão. Escrevia português com todo o respeito pela Língua e muito saber.
Criticou. Foi incómodo. Mas provou sempre a sua ou as suas razões. Amava a sua Ponta Delgada, e por isso se irava contra os que lhe corroeram as entranhas no passado e continuam a fazer dela um estaleiro de obras sem sentido nem sentimento.
Foi poeta. Bom poeta. Aliás, não há poetas maus, porque quem faz maus versos não faz poesia, apenas desperdiça palavras.
O Armando merecia uma melhor evocação. Escrevi com o coração a comandar as teclas, directamente aqui.
Uma salva de palmas para o Armando Medeiros.
Daniel, seu muito amdirador.

Ibel disse...

Caro anónimo.

Entendi agora o motivo da sua aversão em relação a este espólio. É que, efectivamente,neste espaço, «Há inteligências» bucólicas e o bucolismo faz-se com fruição de flautas e pastores e gado e ribeiros e ovelhas, mas nunca vi nenhum quadro bucólico com asnos.Mas gostei do seu «ah» de «intelegência» genuína( que me perdoe o Genuíno).
Ah, ah, ah!!!!

P.S.Daniel,

Activa a moderação de comentários.

samuel disse...

Nada se faz já ao ritmo solene das juntas de bois. Era um tempo natural, igual ao humano, que permitia reflexção e correcção de rotas e erros.
Tudo passou a fazer-se muito mais depressa, mas os frutos desse progresso dificilmente servem ao homem, que foi ficando para trás, incapaz de se mover à velocidade das máquinas que criou.
Já não há trigo...

Abraço.

P.S.
Que raio motivará os anónimos?

Mar-ia disse...

Ah o Armando Medeiros era uma figura notável, que emprestava um sentido crítico, mesmo às críticas que fazia!
Toda a gente aqui o conheceu através da TV, mas esse lado completo de que falas Daniel, esse, é mais do campo micaelense que eu infelizmente desconhecia e que agora fiquei com uma mlhor imagem.
O coração, neste caso como em muitos outros, tem razões...

João Pedro disse...

Caro Daniel, gostei muito do seu texto "Já não há trigo, Manuel..." e do blog no seu todo.
Gostava de colocar no meu blog, devidamente identificada, uma frase em particular:
"O homem estraga o que faz quando não o faz somente por ser tempo de o fazer."
Adorei a frase, mas só o farei com o seu consentimento.

Abraço,

Daniel disse...

João Pedro
Será uma honra para mim que faças dessa frase o que quiseres. Obrigado pela visita. Tens aqui boa companhia, podes crer.
Ibel
Desculpa uma ligeira e amistosa censura. Os burros fizeram parte da minha infância. Por isso me habituei a estimá-los quase tanto como Juan Ramón Jiménez ao seu "borriquillo". Aqui deixo uma citação que retirei do "Platero y Yo":
"...al hombre que es bueno debieran decirle asno... al asno que es malo debieran decirle hombre."

Mar de Bem disse...

Eu adoro os que se acobertam de anónimos, para dizer...nada!!!
Vocês já repararam que este nosso anónimo diz que lança provocacões, mas onde estão elas? Provocar, não é isto. Provocar é instigar à reacção a ideias e a conteúdos . Ele não sabe instigar ao debate de ideias.
O que o nosso anónimo faz é dizer balelas vazias de conteúdo, convencido de que fala, escreve e pensa bem.

Meus amigos, aqui está o exemplo perfeito para uma frase que me enche a boca: "detesto a pesporrência dos ignorantes"!!!

Mas sabes, Samuel, todos temos que ter o nosso... como chamar?

..........................................

Vivi tanto tempo em Lisboa, que não conheci este Amigo do Daniel. Mas, se o Daniel se sente de luto, aqui vai um abraço de solidariedade.

Anónimo disse...

Cara Ibel;
Não se diz bucolismo, mas sim bucolicismo.
Nunca é tarde para assumirmos a nossa ignorância e aprendermos. É melhor do que cuspir veneno sem razões para tal.
Cumprimentos,
anónimo.

Ps 1 - Que falta de humor!
Ps 2 - O humor é prova de inteligência.

João Pedro disse...

Obrigado caro Daniel. A frase já lá está. E também tem boa companhia do outro lado. Apareça.

Abraço,

IBEL disse...

Caro anónimo,

Se há coisa que eu estudei foi literatura e lecciono língua portuguesa.Isto não significa que não dê o meu errito de vez em quando ou que não tenha as minhas hesitações. O que lhe garanto é que bucolismo existe.Por acaso, ainda hoje estudei um poema de Torga onde vinha referida a exaltação do bucolismo e da poesia bucólica.e não são palavras minhas, mas de Costa Pimpão. E não empregue o verbo assumir, quando nem coragem tem para assinar com o nome próprio.
Mas continue a divertir-se com o seu anonimato que não sei se tem sais ou calças, mas tomates não tem de certeza.
Vou ao cinema.Fique bem,sim?

Daniel disse...

Ibel, deixa lá o rapaz. Quem sabe se ele sofre de alcoolicismo?

carmelio disse...

Bucolismo: (s.m.) género de poesia bucólica. Simplicidade da vida campestre.
(Do grego boukolikós, "relativo a boeiros" pelo latim bucolicu).

Ibel, a arrogância e o plantação de vegetais nunca andaram de braço-dado..............escolha uma!

Daniel disse...

Carmélio
Gaspar Frutuoso diz que na Fajã se cultivaram nabos do tamanho da cabeça de um homem. Mas logo em seguida lamenta que eles fossem ocos. Pois há quem tenha a cabeça como esses nabos da Fajã do século XVI. Os arrogantes costumamm tê-la. Mas tens razão, não plantam nem são plantados. Crescem assim mesmo.

IBEL disse...

Carmélio,

Um abraço, com um sorriso verde dos campos bucólicos do Minho.

Anónimo disse...

Eh, que adrenalina por aqui vai. Até o queimador de bandeira fez o seu auto-retrato. Ibel é nome de gente?! Para mim Ibel e anónimo é tudo a mesma coisa.
Conselho: editem e revejam os vossos textos. O veneno cega-vos. Os últimos comentários não são dignos de professores. Mas é a "classe" que temos nas nossas escolas, ou a auferir de reformas indignas.
Gostei de passar por aqui, mas já vi que a vossa camada de verniz é demasiado fina. Ok, ok. não é preciso agradecerem. Afinal de contas a inspiração por aqui é um deserto e lá contribuí para 3 ou 4 comentários.
Rgds.

Anónimo disse...

Regra nº1 de um bloguer: Nunca comentar os comentadores.
xau.

carmélio disse...

Anónimo,
Quem criou as regras dos "bloguistas"?
Concordo que uses o nome "anónimo" e quanto mais anónimos melhor porque o que conta são as ideias e não as pessoas ou os nomes delas.
De resto, a não ser o Daniel e o Samuel, desconheço a idade, a cor da pele, o sexo, a posição política ou social do outros comentadores, factores que muitas vezes influenciam ou distorcem muitos bate-papos. Uma das vantagens deste método é cada um ser aceite pelas suas ideias. Viva a rede electrónica e que a censura nunca chegue a ela.

jv disse...

Claro que o anónimo está satisfeito, pois realmente conseguiu que lhe dessem atenção, coisa que não deve estar habituado, pois percebe-se perfeitamente que é alguém muito limitado, coisa que claro ele não tem capacidade de se aperceber.
O seu ego inchou por ver que aqui se dignaram a dar-lhe resposta à sua mais que evidente imbecilidade bucolicista.

carmelio disse...

JV,
O Anónimo levantou aqui uma questão que de facto eu dei e dou atenção: o anonimato. E a nossa literatura está cheia!
Quis acrescentar uma acha (ou axa?) a favor da rede e alertando para o perigo de a censurar, mas não ardeu.

jv disse...

Carmelio, eu acho que qualquer acha será sempre bem vinda, desde que venha para acrescentar algo de positivo, como é aqui o seu caso.
A nossa literatura não está assim tão cheia de anonimatos, mas sim de pseudónimos,poucos heterónimos que são coisas diferentes. À excepção do pseudónimo do Alvaro Cunhal,do Rómulo de Carvalho, em todos os outros foram e são geralmente conhecidos os seus autores.
Nos poetas da Fenix Renascida, aí foram uma generalização característica própria da época.
O problema do anonimato só é problema quando o mesmo se refugia, cobardemente, para insultar e acusar gratuitamente, sem acrescentar nem rebater coerentemente, com um mínimo de qualidade e respeito, como é o caso que aqui estamos em presença, que além de cobarde é duma tal fraqueza de espírito digna de nem ser comentada,mas sim ignorada,caso contrário, pode levar erradamente este anónimo a julgar-se que pode estar a nível deste blogue assim como dos seus comentadores.

Daniel disse...

Carmélio e JV
Obrigado aos dois, como a todos os outros, pelos excelentes comentários que aqui deixaram. O anónimo tem afinal um pingo de inteligência: sabe que uma figura como a que fez envergonha qualquer um que se preze. Eu não lhe teria respondido, se não fosse a acusação grave, falsa e absurda que me fez. Como não responderei a qualquer outro anónimo. (uma identificação como JV não é um anonimato, porque se trata de alguém que aparece sempre com essa mesma identificação.)
Um abraço a todos.
(Cá voltarei, em breve, se Deus quiser, com mais uma história de gente da minha terra, a Maia.)

José Ibel da Silva Carmélio J.V.Anónimo disse...

Bom, realmente esta malta não dá-se mal com a crítica. É insultos, é nabo, é alcoólico, é burro, é cobarde, é anónimo, é pesporrente, etc., etc. E não é por causa do "anónimo" que isto de dar a cara e o cú dá quem quer. E eu nem uma coisa nem outra. Claro que JV, Ibel,Mar de Bem, Caramélio and so on, são tudo pessoas com o número do BI no seu perfil, mas isso é coisa que menos interessa.
Agora percebo porque é que o Eduardo Brum disse aqui há uns anos que o Daniel de Sá tinha escrito um livro que em cada página tinha pelo menos escrita 6 vezes a palavra peito. Devia ser uma alusão literária premonitória às mosquinhas que por aui poisam. E livre-se quem disser mal da merdinha, porque esse cócó não é criticável. Acho muito bem. Fiquem com ele para vocês e fiquem bem. Afinal de contas a escola do elogio mútuo funciona assim. Como diria o grande Antero "bom senso e bom gosto" é coisa que por aí não se vislumbra. Recomendo-lhes a leitura ou releitura da carta de Antero a Castilho. Não que me sinta do tamanho de Antero ou que vos julgue tão pequenos como Castilho, mas é só para reflexão.

Antes de basar, sim porque já vos concedi privilégio a mais, deixo-vos uma perguntinha inocente, cuja resposta estou certo vos ajudará a conhecerem-se um pouco melhor:

Que raio de gente é essa que à critica ou provocação responde em coro com insultos?

Continuem com a vossa aguarela e com a vossa novela de encantar. Sois felizes e isto basta-vos. Deixem as grande inquietações para quem tem estofo e entretenham-se com as borboletas, as abelhinhas e a água fresca da nascente e lembrem-se que a solidariedade também existe entre as moscas.

José Anónimo disse...

errata: além de todos os erros de edição (longe de mim ousar sequer atingir a vossa perfeição) há uma erro muito importante que importa corrigir. Assim onde se lê "peito" deve ler-se "peido".
Cumps.

jv disse...

Anónimo, o teu problema é que realmente te sentes grande como Antero. Comento só por uma simples razão de injustiça que cometeste em relação a Castilho, da minha parte quero já te esclarecer que quero que me julgues, ao contrário do que afirmaste, muito mais pequeno do que Castilho, pela simples razão que incomparavelmente realmente o sou, embora a minha maior virtude possa aí residir, ter consciência da minha limitação.

Daniel disse...

Meus amigos
Pelo estilo, comsegui identificar, com pelo menos 90% de certeza, esta varejeira que por aqui tem andado, desiludida com falta de ter onde poisar. É um tipo que deu para me odiar, mas eu pensava que já lhe tinha passado. Claro que eu poderia reservar-me o direito de apagar estas atoardas, mas ficam aí expostas para serem tanto mais ridículas quanto mais pessoas as lerem. Os seus conhecimentos literários estão provados pela referência insultuosa a Castilho.
Se apareço a dar-lhe trela, é porque nem todos os que aqui vêm conversar conhecem a minha obra. Para os que já leram livros meus, não é nada difícil perceberem que aquela referência a uma palavra imprópria é absoluta fantasia. Nenhum dos meus livros contém palavrões nem cenas de sexo. E esta "casa" é minha e do meu filho, mais de quem cá vier com boa vontade. Aceito todas as críticas, mas não tolero a mentira.
Já falei demasiado. Desculpai-me.

carmélio disse...

JV,
A literatura não é apenas aquela que "estudamos" nos bancos da escola. Já que mencionaste Cunhal, quem julgas que escreveu dezenas e dezenas de bons nacos de prosa no Avante? Foi ele ou foram outros tão bons como ele? Não sabemos, não trouxe pseudónimo....continua anónimo!

jv disse...

Carmélio,nós temos conceitos diferentes de literatura, para mim um texto literário é muito diferente dum naco de prosa, mesmo boa, que normalmente se escrevem nos jornais, cuja função é essencialmente informativa.
Literatura é acima de tudo ficção, com regras específicas, a não ser que queiras considerar que o que se escreve no Avante seja ficção.
Há quem escreva no Avante,que paralelamente escreve literatura, normalmente conoctada com o Neo Realismo, mas são actividades bem diferenciadas, certo?

carmélio disse...

Anónimo,
Anteriormente neste blogue, dirigindo-me ao Daniel, disse:"noto que já se formou (ou já estava formada) uma capelinha entre tu e as pessoas que aqui comentam e assim o sentido de intervenção bloquista não existe."
O que trouxeste de novo, de despropósito e a nível de provocação foi o facto da queimadura da bandeira.
Como qualquer bandeira, ela é um simbolo. Naquele caso e naquele momento, a bandeira significava o regresso a um passado recente, o domínio da ilha por meia dúzia. Acredito que orbitravas à volta dela; eu rodeava os que queimaram a bandeira.
Não escolhemos a origem de classe mas escolhemos a defesa duma!

carmelio disse...

JV,
Poesia não é literatura?
Eu não disse que o que se escreve no Avante é ficção. O que disse está escirto acima.

Eduarda disse...

Meu bom amigo Daniel,
Apesar do momento conturbado que atravesso(filha doente,trabalho de profissão,requisitada pelo Governo Civil para membro da assembleia de apuramento intermédio dos resultados das Eleições para o Parlamento Europeu-demasiado cansativo,mas interessante),não posso,apesar disso tudo,esquecer os amigos da blogosfera.
De repente,«assustei-me» com o número de comentários que suscitou o post:«Já não há trigo,Manuel...»,
texto de um visualismo denotativo e,como é habitual em ti,de um visualismo fortemente conotativo.
Já te dissera uma vez e volto a dizê-lo:
-Tu não és de cá,homem!
Todos os vocábulos têm uma dimensão
que, só almas sensíveis como a tua e mais algumas podem PERCEBER a mensagem da tua escrita.Nem imaginas o bem que nos fazes,Daniel!
PS:Admiro a paciência que tens tido
para com esse anónimo ou lá quem quer que seja,mas uma coisa ele já viu:ninguém aqui desceu ao nível que ele tem.
Sabes,Daniel,há quem dá a cara e há quem dá a língua.Escusado será dizer em qual das duas o dito se inclui.
Abraço forte,Daniel!

Cris disse...

Quando decidimos por um dos lados, certamente somos alvos de rancor... Assim como quando elogiamos uma pessoa na presença de outra, que a odeia.
Estive lendo os comentários do Espólio e mergulhei nessas reflexões. Conclui que todos estão certos segundo suas verdades e crenças.
O anônimo não precisa ter um nome, assim como não preciso ter um rosto,porque para amar e odiar só precisa existir.
Caro anônimo, amaria o Daniel ainda que ele tivesse queimado a Bandeira, ou que encontrasse erotismo em sua literatura, porque certamente faria essas coisas de uma forma sutil. E se ele nunca falhasse, deixaria de ser humano, e então não poderia amá-lo e sim adorá-lo.
Você não está totalmente errado em suas afirmações, ao menos diante da minha miopia. E já criamos um vínculo por termos um alvo em comum. Fazes parte do Espólio, ainda que como a goteira no meio da cama. Ela sempre nos faz repensar nas telhas. É importante. E consegue até mesmo roubar a graça da chuva a regar o jardim.
Segundo Jules Mazarin, Muitas vezes a amizade torna-nos demasiado benevolentes, confundindo a nossa clareza de idéias. Não que os nossos amigos não sejam sinceros quando nos elogiam ou nos encorajam nos nossos empreendimentos, mas a sua boa vontade está muito longe do verdadeiro juízo, que consiste em felicitar o interessado.
Acontece que essa máxima também encaixa para aqueles que nos nutre antipatias.
Não acredito que estou perdendo tempo em conversar com você, afinal tenho pensado muito em ti nos últimos dias, e posso provocar uma grande confusão com essa afirmação. Não posso ficar indiferente a alguém que dispensa tanta energia ao meu escritor de coração. Não posso abrir discussões sobre tratar-se de uma grande ou pequena literatura, não tenho titularidades para isso. Sou apenas uma leitora comum.
Aos poucos aprendi a amar um homem que escreve livros, derrama neles imensa sensibilidade e sensatez.
Nunca ignorei o fato dele, ter um partido político, uma religião, necessidades fisiológicas, e cometer erros. Isso tudo faz parte das características humanas. E devo confessar que foi muito interessante enxergá-lo através dos seus olhos. Faltava-me essa contradição.
Também tenho um blogue, e nesse sim poderias me aniquilar. É simplório e espontâneo. Sem nenhuma pretensão literária ou propaganda, apenas um diário virtual, repleto de contradições e entrelinhas.
Deixo beijos a todos os envolvidos nessa rede, e vamos lá, afinal juntos estamos construindo o Espólio.

Daniel disse...

Edarda
Antes de mais, desejo sinceramente as melhores da tua filha. Quanto ao que dizes do texto... nada consigo dizer...
A respeito do anónimo. Não te preocupes. Está identificado. Aquele tipo de rancor só é possível numa pessoa. Dir-te-ei dos motivos (que não razões) da sua malícia.
Cristina
És uma actriz extraordinária, que até já fez chorar os olhos cegos do João Cabral de Melo Neto, numa representação do Morte e Vida Severina. Mas não consegues disfarçar nunca a bondade desse coração de alma.