quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Caim e Abel, uma história universal

Caim e Abel (Simon Vouet e Pietro Novelli, 1620)


Os rios Tigre e Eufrates haviam formado a ubérrima planície da Mesopotâmia. E aí se fez Babilónia, uma das primeiras e mais importantes cidades da história humana. No início do século VI a. C., Nabucodonosor atacara Jerusalém, destruíra o Templo e levara prisioneiros muitos milhares de judeus. E foi durante esse doloroso cativeiro, que só haveria de terminar com a libertação de Ciro, em 538 a. C., que grande parte da Bíblia foi composta. O Génesis, que recolhe muitas histórias e mitos do Médio Oriente, foi um dos livros que se escreveram na cidade opressora.


Babilónia representava para os judeus a incarnação do mal. E fora a agricultura a tornar possível a vida sedentária e a criação de cidades. Estas aparecerão em vários momentos do Antigo Testamento como lugares de perdição. Sodoma, Gomorra e Nínive são dos exemplos mais conhecidos. E a própria Jerusalém será com frequência amaldiçoada por profetas que desse modo a acusavam dos pecados que o povo de Deus tantas vezes cometeu.


Em oposição ao mal urbano, estava a vida livre, isolada e vagabunda dos pastores. E os Hebreus haviam sido um povo essencialmente dedicado à pastorícia. É deste contraste que nasce a história de Caim e Abel. O agricultor Caim mata o irmão, pastor, levado em parte pelos ciúmes que sentiu por causa de Deus não ter aceitado o sacrifício que Lhe oferecera. Mas, segundo o autor bíblico, Deus não recebeu a oferenda com agrado porque conhecia o íntimo de Caim, propenso ao pecado. De tal maneira que, depois de fugir da sua terra e dos remorsos do seu crime, ele haveria de fundar uma cidade, precursora de todas as Babilónias do Mundo. Caim é, de certo modo, a incarnação dos babilónios criminosos, e Abel a vítima inocente em quem o autor retrata o seu próprio povo.


Este é o fundamento moral da história de Caim e Abel. Um mito que dura há milhares de anos, e que, embora de um modo inconsciente, Hollywood contou inúmeras vezes nos seus filmes do género “western”. A diferença é que o herói que vem de longe, das imensas pradarias, para fazer justiça na cidade dominada pelo mal, triunfa quase invariavelmente. Ao contrário de Abel. Que fica também como símbolo de que todos os assassínios e todas guerras são fratricidas, porque todos os homens são irmãos.


É curioso o aparente paradoxo de Caim ter fundado uma cidade, apesar de viver nesse mundo bíblico em que só existiriam Adão, Eva e ele mesmo. Os autores do Antigo Testamento mostram-se, com frequência, pouco preocupados com questões lógicas, o que é a melhor indicação do carácter simbólico dos seus escritos. Pouco depois deste episódio de crime fratricida, é-nos apresentada uma fantasiosa genealogia de Adão até Abraão. O que é uma forma de afirmar o povo hebreu como descendente do primeiro casal humano, que, tal como consta em outros mitos do Médio Oriente, fora formado do barro pelas mãos do próprio Deus.

15 comentários:

casa da poesia disse...

Yes!...poeta da Maia!...dos Quentais...e outros mais...

"vendo tudo quanto tenho"...???

jv disse...

Daniel, quando estas realidades são assim apresentadas, entramos no domínio duma racionalidade de interpretação, baseada em factos concretos da História, que se transformaram, numa leitura adequada à realidade religiosa dum povo.
Eu penso que deveria ser sempre assim, mas infelizmente, mesmo na igreja católica actual, ao nível de algum clero, há quem não concorde com esta tua visão, dando origem entre outras coisas que se escreva o que Saramago escreveu e para pior emenda que o soneto, venha alguém com responsabilidades acrescidas fazer o pobre papel do tal senhor do debate da Sic.
As rupturas nunca foram fácilmente aceites, porque mexem sempre com os poderes estabelecidos. As rupturas religiosas são ainda mais difíceis porque mexem com o domínio daquilo que nos incutiram como assuntos tabus, que devem ser aceites sem qualquer espírito crítico. A própria Igreja,ao seu mais alto nível tem dificuldade de opinar sobre alguns assuntos «incómodos« porque sente perfeitamente, a divisão dos seus seguidores, dos mais tradicionais aos mais progressistas. No entanto foi mantendo ao seu redor, mas sem os «oficiazar» pessoas altamente conceituadas, pelos seus exemplos de vida e de aceitação por todos, pela sua inquestionável qualidade de cidadãos do mundo, como Jean Guitton, que serviam como «balões de ensaio» através das suas obras para se irem «oficilizando» novas maneiras mais racionalizadas de interpretação da religião católica.
Claro que estás neste grupo, embora a um nível ainda muito «regional» e já percebeste bem o quão é difícil ser-se coerente e racional em assuntos religiosos, basta para isso constatar a tua última intervençãp pública neste domínio,(Santo Cristo), houve quem em particular dissesse cobras e lagartos a teu respeito, e quem verdadeiramente se congratulasse, mas ambos nunca o assumindo públicamente, pela «inconveniência» como poderiam ser interpretados.
Nos tempos actuais, já não há lugar para
grandes imprecisões, meias verdades, limbos etc..porque cada vez mais se tem aceso à informação e à ciência e se as coisas deixam de fazer sentido, deixam-no mesmo.
Um abraço.
José Fernando

Lua dos Açores disse...

Querido amigo
lá está o texto no seu contexto e só assim pode ser lido...o mais são "areias teológicas".

"Aprender, aprender sempre"

Abraço

Anónimo disse...

Daniel,

Gostamos sobretudo dessa verdade incisiva "... todos os assassínios e todas guerras são fratricidas, porque todos os homens são irmãos."
Texto divino.

Beijinho

Francisca e Mafalda

JaQuim disse...

Daniel, essa franqueza pode custar-te cara mas é sadia. E corajosa. E subscreveria muito do que diz jv.
JaQuim

Fiat Lux disse...

Quando diz

"Os autores do Antigo Testamento mostram-se, com frequência, pouco preocupados com questões lógicas, o que é a melhor indicação do carácter simbólico dos seus escritos."

quer dizer também que na Bíblia não podemos ler o que está lá escrito, mas apenas interpretar o que queriam dizer com o que está lá escrito?

Então a Bíblia é de "leitura livre e aberta"?
A cada um a sua leitura?

Cumprimentos.

Daniel disse...

Obrigado a este belo grupo de amigos pelos comentários. O sintético da Casa da Poesia, a bela divagação do JV, as "areias" da Lua, a simpatia das minhas gémeas tão queridas, o receio sem razão do Quim, a dúvida de quem pede que se faça luz.
Mas permiti-me uma explicação e umas perguntas a este último amigo.
A Bíblia (refiro-me ao Antigo Testamento) é obra de muitos autores, recolhe tradições seculares, tem influência de várias civilizações.
Agora as perguntas.
Quando lês um livro não és capaz de distinguir o simbólico do real, a ficcção do histórico? Será que acreditas que a Península Ibérica se descolou mesmo da Europa e foi por esse mundo fora em busca da sua ventura? Acreditas que o Cienfuegos do García Márquez via mesmo todos aqueles mortos como vivos à sua volta? E, nos "Lusíadas", obra de um só autor, acreditas que o Adamastor falou com o Gama? Ou, como não acreditas naquilo, certamente, também não crês que o Vasco chegou à Índia, levado pelo talvez maior navegador português de todos os tempos, o Pêro de Alenquer?
Se assim lês, não te aconselho a continuar a ler.
Mas ficas com um abraço do tamanho do dos outros, e serás sempre tão bem-vindo como eles.
Daniel

Mar de Bem disse...

"Então a Bíblia é de "leitura livre e aberta"?
A cada um a sua leitura?"

Eu só digo É PRECISO SABER LER.
Há quem leia, mas não sabe ler. P'ra se saber ler é preciso saber olhar à volta e discernir conscenciosamente o que se passa com "o próximo". Há quem olhe e não veja...

O que o Daniel aqui diz não é novidade para quem tenha estudado minimamente a Bíblia. Atenção, nada de fanatismos!!!
Eu tive a sorte de nos anos sessenta fazer parte do grupo dos "católicos progressistas". Eram intelectuais que não "bebiam" a Bíblia a seco. Lembro-me que Theihard de Chardin era um dos nossos "Mestres" na procura duma Verdade mais profunda e mais consonante com a ciência, porque se consegue ler a Bíblia à luz da ciência. É preciso saber-se muito, ter uma cultura científica e religiosa muito grande, para se tirarem paralelos que à luz comum não se vislumbram.
É por isso que o criacionismo e a teoria de Darwin não são tão antagónicos como parece. A evolução da espécie não obsta a que, a dado momento universal, a "descoberta da alma", isto é do espírito, se tenha efectivado: do barro Deus instilou a alma. A um Ser, provindo da evolução duma espécie inferior, Deus instilou a alma, isto é deu-lhe a capacidade de se saber SER HUMANO, de se saber senhor de sentimentos, emoções, etc, isto é, deu-lhe o CONHECIMENTO, deu-lhe o ESPÍRITO, deu-lhe a ALMA.

Fiat lux, se você perceber isto que acabei de dizer, então tem capacidade para fazer todas as leituras que quiser da Bíblia, porque a Bíblia tem muitas leituras...

...e faça-se luz, Fiat lux!

Ibel disse...

Quero cingir-me a este texto.
Grande texto, excelente explicação,poderosa sabedoria.
Sempre digo aos meus alunos que muito do que há está na Bíblia tem de ser interpretado como alegoria,daí que Adão e Eva sejam o mito da ambição humana, do mesmo modo que todas as civilizações estão repletas de histórias simbólicas.
Saborosa também a explicação que teces sobre as interrogações que te são colocadas, nomeadamente sobre a formação da Península Ibérica e sobre o Adamastor.Eu diria, agora que ando a ensinar as características do texto argumetativo, que tu acabas de fazer prova de como se tece uma boa argumentação.
No entanto, nada disto invalida que Saramago faça a sua própria leitura ou mesmo a invente , dado que,como escritor, entra no domínia da criatividade e da ficção.E se essa ficção servir, como quase todas as suas obras, para abanar consciências, tanto melhor.O escritor também tem os seus pecados? É homem e está sujeito a cair na tentação.E olha que nem sequer é um escritor da minha eleição, tal como o Lobo Antunes que nem consigo ler.
Quanto ao Memorial, os alunos, os que gostam de aprender e andam na escola com objectivos sólidos, adoram o Memorial e a história de Baltazar e Blimunda. Veremos para o ano como reagem a Mafalda e a Francisca.Os outros não gostam nem se interessam por nada.

JaQuim disse...

Daniel, andarias facilmente sem muletas “simbólicas” nesta problemática dos Deuses, seus filhos e seus conselhos. Já li de ti dúvidas expressas, desbravar histórias mal contadas e também sei que duvidaste ter sido demasiado atrevido ao interpretar fora do tom algumas histórias oficiais. Daí ter dito o que disse, brevemente e como elogio da procura de equilíbrio entre fé e a racionalidade que o comum dos mortais não deve dispensar. Não desejava polemizar.
Mas como me acolhes num abraço igual aos demais, atrevo-me. Diz-me Daniel se estás convencido de que quando começaram a falar-te de Deus ou de Cristo te explicaram que todas aquelas narrativas eram simbólicas e assim as entendeste. Convence-me também de que os fiéis frequentadores dos locais de culto saem de lá convictos de que o ali dito é uma interpretação mais ou menos livre, mais ou menos exacta, de um facto eventualmente ocorrido, ou uma convicção apenas. É que como sabes eu sou do tempo em que essas coisas não se discutiam, a desconfiança teria que ser muda. Oficialmente.
É claro que hoje o problema é diferente, os não crentes de mãos livres atrevem-se, pelo menos no Ocidente onde se pode pensar, a apontar incongruências narrativas, coisas não verosímeis aos olhos de inteligências médias. E só então é apresentada à plebe a tábua de salvação da interpretação, do contexto histórico em que as coisas aconteceram ou terão acontecido. Finalmente a verdade inteira, deixando aos crentes ou descrentes a opção sobre o que fazer com as informações.
A Bíblia tem que ser lida sabendo donde vem, como apareceu? Os comportamentos humanos variam com os ambientes? Tudo isso é verdade, mas para tudo e para todos os tempos. Qual é a novidade e porquê vir só agora juntar essa importante achega? É que num país onde grande parte da população mais velha não foi treinada a fazer distinções e onde a crendice é bem mais usada do que a trabalhosa análise, podem dar-se fenómenos perversos para um pensamento esclarecido.
Abusei Daniel? Mas continuo a achar que me darás um desconto e não me recusarás o tal abraço.
Quim

Anónimo disse...

Obrigado, Margarida e Isabel. Belas palavras.
As tuas, Quim, não o foram menos, e aqui deixo parte do que teria para responder-te.
O que disseste é verdadeiro e muito bem explicado. O José Fernando (JV) tinha aflorado o problema ao dizer que a Igreja tem de falar para gente culta e menos culta, pelo que é difícil encontrar uma linguagem acessível a todos. Ao que terá de acrescentar-se o problema da falta de preparação especializada de grande parte do clero.
No nosso tempo, tudo era mais complicado ainda. Mas vamos a uma breve perspectiva histórica. Só começou a haver instrumentos científicos para o estudo da Bíblia a partir do século XIX. Naturalmente que antes os espíritos mais atentos ou preocupados se interrogavam a respeito das incongruências textuais, mas, como não tinham respostas razoáveis, preferiam deixar que tudo continuasse no mesmo “saco” da verdade revelada. Um dos exemplos é o Cântico dos Cânticos, um dos mais belos poemas de amor de sempre. A solução foi entendê-lo como uma alegoria do amor entre Cristo e a Sua Igreja. Os protestantes resolveram grande parte do problema eliminando da Bíblia alguns dos livros menos importantes. E note-se que a própria Bíblia judaica, que foi fixada no final do século II a.C., tendo de ser escolhida entre toda a literatura produzida pelos israelitas, não coincide tão-pouco com a católica, para cujo cânone houve dificuldade de admitir livros como o de Daniel, e, no NT, o Apocalipse.
Os estudos bíblicos ganharam grande impulso depois da criação do Estado de Israel. E para isso têm contribuído católicos, protestantes e judeus. A ignorância de coisas tão simples como a geografia política do tempo de Cristo fazia com que, por exemplo, um dos padres mais cultos que conheci explicasse de uma maneira muito estranha a referência a uma vara de porcos numa passagem do Evangelho. Dizia ele que os judeus não comiam carne de porco mas que os criavam para vender. Erro elementar, pois o porco e outros animais eram considerados impuros até para se lhes tocar. Simplesmente a cena passou-se na Decápole, tal como diz o Evangelho, que era uma região de dez cidades de colonização grega, como o nome indica, a sudeste do lago de Genesaré.
Para além da ignorância científica da grande hierarquia, havia a maior ainda, quase ingénua, da maior parte do clero. Depois, as boas vontades das catequistas faziam o resto, como essa coisa do Limbo (em que me recusei a acreditar desde muito pequeno), que nunca foi doutrina oficial da Igreja.
Havia muito mais a dizer, mas permite-me, Quim, que fique por aqui. Havemos de ir falando nessas coisas, até porque, como me parece que o tema da Bíblia interessa a alguns dos nossos amigos, irei pondo cá mais umas coisinhas.
Uns abraços.
Daniel

samuel disse...

Infelizmente a nossa sociedade não foi educada e moldada ao longo de séculos por explicações da Bíblia com o brilho desta. Foi no obscurantismo, nas frases decoradas com as palavras erradas, nas rezas sem sentido, na bruxaria disfarçada de religião, no paganismo precariamente transformado em cristianismo, na negociata semanal ou quinzenal do perdão dos pecados... mas que sei eu, um filho de pastor que trocou a fé que nunca teve pela confiança a construir... e o céu pela terra?

Ah, e belo texto!

Grande abraço.

Daniel disse...

Samuel, Cristo disse "viste-me com fome e deste-me de comer; viste-me com sede, e deste-me de beber" etc. Não disse: "Acreditaste em mim..." etc.
Obrigado pela tua visita sempre amiga e consoladora.
Um abraço.
Daniel

MaesDoc disse...

Daniel, obrigado por me fazeres chegar algo mais do que a espuma do que se tem dito ultimamente sobre essa impressão bíblica do Abel e do Caim e do teu entendimento sobre a Igreja e seus principais actores.

Do Caim do Saramago, ainda não posso dizer nada porque jaz este fim de semana no depósito dos CTT , porque não consegui levantá-lo a tempo, não do chão, mas das mãos do carteiro.

E do que nos trouxeste e posteriormente comentaste sobre o Antigo Testamento e não só, vieste ajudar a sedimentar um pouco a minha visão sobre o tema.

É que sob o ponto de vista estritamente histórico( para quem busca nela a História), a Biblia sendo um acervo importantíssimo e singular desse Médio Oriente, deve ser enquadrada nessas pechas que intitulas de mitologias, paradoxos e absurdos das coisas ilógicas.

Demonstras , e bem , o riquissimo conteúdo em que o tropo e a alegoria, ou até a simples fantasia, aparecem de forma a que só a Fé , ou a menos Fé os torna reais ou irreais, credíveis ou intangíveis pela razão. E chegados aí , todos sabemos que pouco ou nada valerá a pena, sob pena de cairmos nesta crescente e desparvoada onda de ofensa que só os extremismos mal resolvidos podem alimentar, ou desejar.

Por último uma palavra também para a forma como também evidencias o risco das "epopeias", todas, quando escritas, e quase todas o são, na primeira pessoa, ou como fiéis depositários, nos podem também levar a ligeiros, ou mais graves, erros de interpretação.

Mas se a Cultura e a Fé de um povo nos leva , ao fim de milénios , a falar tão apaixonadamente delas, é que realmente poderá existir algo mais do que mitologia. Ou não.

Ou então como o Jesus vermelho que actualmente vai habitando a Catedral, e que sei que finges não conhecer Daniel, costuma dizer( pondo eu em dúvida que saiba o verdadeiro significado do termo): O resto é( até pode ser) o supra-sumo da batata.

Abraços

Manel

Daniel disse...

Manel
Este meu "Espólio" vale muitíssimo mais quando vocês, amigos muito estimados, se põem aqui a fazer sala de conversa. Mas conversa com pensamento amadurecido pela cultura de cada qual, já admirável na juventude das "minhas" gémeas e consolidada em pessoas como tu. Já vivemos muito, Manel, e por isso já pensámos muito.
A respeito da Bíblia (e ontem expliquei isto na catequese), um dos principais problemas é as pessoas a julgarem como "um livro", quando se trata de uma "biblioteca", normalmente apresentada num só volume. Mas até numm só livro podem encontrar-se diferentes níveis de interpretação. Dei como exemplo "Os Lusíadas". O Adamastor, símbolo dos perigos do mar, figura obviamente mítica; o Velho do Restelo, que representa a prudência ou o temor dos riscos a enfrentar, personagem de ficção que até poderia ter exitido, porque nada nele há de estranho à natureza humana; e a narração da história feita pelo Gama.
Um abraço muito especial.
Daniel