quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Ahmed Ben Kassin (5)



Granada, Espanha

Durante o cerco de Granada

Eu partirei chorando as rosas de Granada,
E muito hei-de chorar pela mais bela de todas,
Aquela que eu amei como se fosse eterna.
E viverei sabendo o amor e a morte.

Mas se a espada infiel me ferir o peito,
Não tenha piedade do meu corpo
Nem tema o orvalho rubro que lhe tinja o gume,
Porque na morte eu talvez não saiba que estou morto.

Lágrima a lágrima verterei o meu sangue por ti, Granada.

Na queda de Granada

Vagueia por Granada um pranto mudo.
Uma adaga de dor fere-me o coração,
E a minha alma é como uma cota de malha
Rota pelo gume da cimitarra.

Há quem procure a piedade da morte.

Muito mais são as dores que as feridas,
Muito mais são as lágrimas que o sangue.

(O poema seguinte é uma metáfora, em que a amada é Granada, que caiu sem grande resistência.)

Em mãos infiéis

A minha amada desnudou-se e cobriu-se de vergonha.
Só a vergonha veste agora a minha amada.
A minha amada dormiu com o infiel,
Entregou-se nos seus braços e deitou-se na sua cama.
Esqueceu as juras de amor que eu lhe fizera
E deixou-se seduzir por falas mansas.

Como eu entendo que ele a tenha amado,
A ela, a mais amável de todas!

Oh, se eu pudesse tê-lo cegado antes que ele a contemplasse!
Mas não tocarei sequer um só dos seus cabelos,
Para não tornar mais infeliz ainda a minha amada.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Ahmed Ben Kassin (4)





Efémero

A minha amada estendeu-me a mão esquerda,
E ofereceu-me um pedaço de Sol
Como se fosse a sua própria alma.
O resto do Sol chegava ao ocaso.
Eu pensei: “Como vai ser breve, este momento!”
Mas aquele dia não anoiteceu ainda.


Orvalho

A minha amada é bela como as rosas orvalhadas,
E tem a pele mais suave que as suas pétalas.

Oh, como estou longe agora da minha amada!
Não posso ver a luz nos seus olhos
Nem sentir a maciez do seu corpo.

O orvalho nas rosas são lágrimas.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Ahmed Ben Kassin (3)



A minha amada

Quando penso na minha amada:

Os seios da minha amada são como duas romãs maduras;
O seu cabelo tem perfume de alfazema;
Os seus lábios são da cor do açafrão
E a sua boca tem o sabor do damasco;
Os seus olhos são como pedras preciosas
E a sua pele como o oiro da mesquita de Abd-Al-Rahman.

Quando surge a minha amada:

A visão da minha amada é a minha alegria;
As formas do seu corpo, a minha delícia;
O seu amor, a minha felicidade.

Quando estou junto da minha amada:

Nada é comparável à minha amada.

No jardim

A minha amada cantava
Entre as flores do seu horto.
Vinha no canto o perfume dos goivos e do jasmim,
A sua voz trazia a fragrância das rosas e dos cravos.
Parei a escutá-la,
Sem saber se deveria abreviar-lhe o canto,
Correndo para os seus braços,
Ou se melhor seria continuar ouvindo
A música do Paraíso.
Demorei-me um breve instante apenas,
E, quando entrei no jardim,
Ela, triste, perguntou-me
Por que tardara tanto.


Como é breve a vida!

A minha amada
Faz-me a vida mais curta.
Junto dela,
Todo o tempo é breve.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Ahmed Ben Kassin (2)



Origem da fotografia: ImageShack


Nos jardins do Generalife

Como são tristes as rosas do Generalife!
Não têm o perfume da minha amada,
Como são tristes as rosas!
Como são inúteis as suas fontes!
Não bebe nelas a boca da minha amada,
Como são inúteis as fontes!
Como é turva a água nos seus jardins!
Porque não se banha nelas a minha amada,
Como é turva a água!
Como é nítido o sol nas suas flores!
Porque não passeia entre elas a minha amada,
Como é nítido o sol!
Como é mudo o silêncio dentro dos seus muros!
Porque não se ouve a voz da minha amada,
Como é mudo o silêncio!


No vale do Wadi-As

Durante a noite os anjos tinham polido
As neves de Sulayr,
Que brilhavam sob o sol do meio-dia.
O espelho das águas do degelo viajava no Wadi-As
A caminho do mar.
Uma borboleta amarela poisou brevemente 
No ombro da minha amada.
Ela exclamou: “Como tudo é belo!”
Eu disse: “Quero que vejas toda a beleza do mundo.”
Sorrindo, respondeu-me:
“Ainda que vivesse mil anos, não poderia.”
Mas eu apenas lhe pedi: “Contempla-te no rio.”

(Wadi-As - actulmente Guadix, nome derivado daquele.)

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Ahmed Ben Kassin (1)

Granada - A Alhambra (fonte LookLex)

As rosas de Granada

Eu choro as rosas de Granada.
O seu perfume fluía pelas congostas,
Subia até às neves de Yabal Sulayr,
E só se detinha no jardim da minha amada.
Perto dela nenhuma flor abria,
Porque ela era pétala e perfume,
Vida, ar e luz.
Quantas vezes hei-de chorar-te, Granada?
Diz-me quantas,
E eu saberei quantas noites viverei ainda.

(Yabal Sulayr – Serra Nevada)

No oásis de Wadi-As

A minha amada descansava debaixo da tamareira grande,
Quando o Sol a cobria de sombra na luz vertical do meio-dia.
Todas as aves conheciam o caminho perfumado pelos seus pés
E alimentavam-se da fragrância que, descalços, eles deixavam na passagem.
Depois partiam para o Norte sem mais alimento do que esse etéreo, 
Improvável odor a rosas de Andaluzia guardado na memória das suas passadas.

No oásis de Wadi-As,
Onde a chuva a dissolveu de mim.

Odeio a chuva

Todos se alegram quando a chuva chega,
Mas eu odeio-a porque muito amo.
Só na refulgência do sol é possível a miragem,
E só na miragem surge o oásis de Wadi-As.
É então que a minha amada caminha entre as tamareiras
E descansa à sombra da mais alta.
Sei que ela não é mais que essa miragem,
Que não há tamareiras em Wadi-As,
Mas, a quem não resta mais que ser enganado,
Até a mais falsa das miragens o conforta.
Quando a chuva chega, 
Devolve a minha amada à terra de seus pais.

(Wadi-As – Guadix, na província de Granada.)

Poemas de Ahmed Ben Kassin, poeta árabe nascido em Granada cerca de 1470, e que acompanhou o rei Boabdil quando este foi expulso da cidade.

sábado, 25 de dezembro de 2010

The One-Legged Shepherd

(para quem gosta de leituras em inglês, segue a tradução por Katharine F. Baker & Bobby J. Chamberlain, Ph.D, Pittsburgh, Pennsylvania, E.U.A.)



“Father-in-law, please phone when you get there.”

His children’s spouses were more solicitous of him than were his two daughters and four sons. He had spent some months in Canada after his wife died. They had prevailed upon him to emigrate, so he would not be alone without anyone to give him loving care. But to him that was no way to live. And the love was not as advertised. He was always stuck in the house. He could not go anywhere except by car. His son-in-law António José was the one who treated him best: took him to Portuguese mass, drove him to Montreal so he could visit his children living there, and cheered him up as best he could. What bothered him above all was spending a month at one house, the next month at another, until he had finished making the rounds among the two sons and two daughters who lived in the city. But they lived so far from one another that it was almost like going from one end of his island to the other. He felt rather like a Holy Ghost crown on its Sunday travels.

As Christmas approached he began saying that he wanted to go home. Not “to Portugal” or “to the Azores,” but simply “home.” In his words and thoughts there was only one home, his own. The one where he had been happy with his wife and with the children, whom he deemed to have been better raised than what he was now seeing, due to changes in customs and feelings that abundance had wrought upon them. For that reason he had to spend Christmas at home. And set up the Nativity Scene for the Christ Child, as always. Not because he was eager to, but because of his sainted wife who was now with God, whom he had promised. For the rest of his life. And he could not imagine missing the midnight Missa do Galo mass at his church, either.

“Father, you have to stay,” his daughters and sons told him.

“Father-in-law, you have to spend Christmas with us. Don’t even think of leaving,” his son-in-law António José implored.

“Baby Jesus is born, and I am dying,” the old man would reply.

He came back. The day before Christmas Eve. But the plane had to divert to Terceira owing to bad weather. He did not see how he could get home the next day. He phoned, as his son-in-law had asked. His daughter answered. He told her what had happened. “Serves you right. Father, you are so stubborn. And now you won’t get your midnight mass, or anything else.”

He spent the night bundled up in blankets that a charitable soul had fetched from the airline storeroom. And it was not until 10 the next evening that he could start heading for home. He knew he was no longer going to make it in time for midnight mass. His parish priest was responsible for three churches, and would be celebrating mass in the first one at 10:30 p.m., in order to reach the second by midnight, then get to the third at 1:30 a.m. That is what comes of the priest shortage and a decline in traditional level of religious faith, which was also occurring in Canada. Still, it was better than nothing, although to him midnight mass had to be at midnight on the dot. And only next year would it be his parish’s turn to hold it at the right time. God willing.

He was among the first to board the plane, as if that would enable him to arrive earlier. Since he had not spotted him before, he was surprised to see Padre Augusto, a teacher at the seminary, who greeted him warmly and sat beside him. He recounted to the priest the course of events that resulted in his disappointment.

Padre Augusto offered to give him a lift to the street nearest his house. When they reached the village, one of the ceremonies he liked best had just ended, the kissing of Baby Jesus. It was then that Padre Augusto told him that if he liked, he could still attend a midnight mass. He was going to celebrate it, even if it was just for him alone. Another dozen people showed up. The homily was brief:

“No one would think that a child who was born in a manger and grew up in a land as poor as Nazareth could be so important. As an adult, the first time his words made people uncomfortable, a Pharisee told Nicodemus to investigate and see if this man from Galilee was some sort of prophet. But he was one who challenged those who obey the law without compassion: ‘Let him who is without sin cast the first stone.’ Everyone fled, blaming themselves, because the worst accusation we can suffer is that of our own conscience. We can escape the accusations of others, but never our own. Let us take care that our conscience, which is always with us, may be agreeable company. Like Jesus in the manger.”

Padre Augusto said little more. And it was unnecessary.

Once he arrived home, his first saudades were wet with tears for his sainted wife. Then more tears fell in amazement and gratitude, although for whom he could not guess. God be praised, but someone had already set up his Nativity Scene. Exactly as if he had done it himself. And on the bread board sat a round loaf of sweet massa sovada bread; anise, vanilla and tangerine liqueurs, as used to be the custom; and a jug of wine and rabbit stew. He ate and drank, giving thanks without knowing whom he was thanking, or whom he ought to thank.

That night he dreamed that he was dreaming. This happened to him often – dreaming that he was dreaming. And he dreamed that he was dreaming that God himself was explaining to him how the Nativity Scene had been put up and how everything else had wound up there.

He saw the figures emerging from their nearly year-long slumber. Startled, they awoke to the restlessness of the one-legged shepherd, who called plaintively to them in the shoe box where they were stored. The one-legged shepherd was the only one who was never placed near the grotto, because his leg had gotten broken off many years before, so in order to stand him upright he had to be leaned against a volcanic rock, in a patch of moss.

“There’s no one to assemble the Nativity Scene,” he said.

“What can we do?” asked another shepherd.

“We’ll set up the crèche ourselves.”

That was a good idea, but who would go hunting for the moss?

“The chimney sweep will, because he’s more used to climbing up and down places than anyone.”

And so it was decided. He gathered moss from the trunk of the old fig tree, from the north-facing wall, and among the narcissus clumps. The crèche stones were all stored in what for many years had been the outhouse at the far end of the pigsty. After that each figure was placed in its customary position. It was then that the laundress hurriedly returned home and fixed the liqueurs, baked the bread and stewed the rabbit. But the one-legged shepherd was the last to arrive, so once more he stood there at the foot of the crèche.

The next day he picked up the one-legged shepherd and leaned him alongside the manger. (The only detail God had neglected to explain to him in the dream was that observant Jews do not eat rabbit.)


terça-feira, 21 de dezembro de 2010

O Pastor Manco

(Pormenor da gruta do presépio cá de casa. Fotografia de Sérgio Lourenço)

(Homenagem ao Padre Dr. Augusto Cabral, no ano do 50º aniversário da sua ordenação)

– Meu sogro, quando chegar, que telefone, se faz favor.

Os genros tinham mais cuidado com ele do que as filhas, que eram duas, e os filhos, que eram quatro. Passara uns meses no Canadá, depois de a mulher ter morrido. Convenceram-no a emigrar para não ficar sozinho, sem ninguém que cuidasse dele com amor. Mas aquilo não era vida para si. E o amor não era tanto como apregoado. Estava sempre fechado em casa. Não podia ir a lado nenhum que não fosse de carro. Aquele genro, o António José, era o que o tratava melhor. Levava-o à missa portuguesa, chegou a ir a Montreal para que ele visitasse os filhos que lá viviam, animava-o quanto podia. Incomodava-o sobretudo passar um mês numa casa, o mês seguinte em outra, até se acabar a ronda pelos filhos, dois, e pelas filhas, duas, que moravam naquela cidade. Mas tão longe uns dos outros quase como ir na sua ilha de ponta a ponta. Sentia-se uma espécie de coroa do Espírito Santo nas andanças das Domingas.

Com a aproximação do Natal começou a dizer que queria voltar para casa. Não dizia “para Portugal” ou “para os Açores”, era ”para casa”, simplesmente. Casa, dita por ele, pensada por ele, só havia uma, a sua. Aquela onde fora feliz com a mulher e com os filhos. Que julgava ter educado melhor do que o que via por causa das mudanças de costumes e de sentimentos que a fartura provocara neles. Tinha de passar o Natal era em casa, portanto. E armar o presépio ao Menino, como sempre. Não porque tivesse alegria agora para o fazer, mas porque o havia prometido à sua “santa”, que Deus lá tinha. Até ao fim da vida. Nem poderia imaginar-se sem a Missa do Galo na sua igreja.

“Meu pai que fique”, diziam-lhe as filhas e os filhos. “Meu sogro há-de passar o Natal é com a gente, nem pensar ir-se embora”, implorava aquele genro, o António José. “O Menino Jesus nasce, e eu morro”, respondia o velho.

Veio. Na antevéspera do Natal. Mas o avião teve de se desviar para a Terceira, por causa do mau tempo. Não se previa que pudesse chegar a casa durante o dia seguinte. Telefonou, como o genro pedira. Atendeu a filha. Contou o que acontecera. “Bem feito. Meu pai é teimoso. E agora nem Missa de Galo nem nada.” Passou a noite embrulhado nuns cobertores que uma alma caridosa foi buscar ao armazém da SATA. E eram já dez da noite quando, no outro dia, pôde começar a chegar a casa. Sabia que já não ia a horas da Missa do Galo. O padre da sua freguesia era responsável por três igrejas, e celebrava-a na primeira às dez e meia, para poder estar à meia-noite na segunda, indo depois à uma e meia para a terceira igreja. Era no que dava a falta de padres, era no que dava a falta de fé como antigamente, como no Canadá. Sempre era melhor do que nada, mas Missa do Galo, para ele, era à meia-noite em ponto. E só no ano seguinte seria a vez de a sua freguesia a ter à hora certa. Fosse feita a vontade de Deus.

Foi dos primeiros a entrar no avião, como se assim pudesse chegar mais cedo. Sem que tivesse dado por ele antes, viu com surpresa o Padre Augusto, que era professor no seminário, saudá-lo calorosamente e sentar-se a seu lado. Contou-lhe as peripécias da sua desilusão. O Padre Augusto ofereceu-lhe boleia para o último caminho até casa. Quando chegaram à freguesia, tinha acabado uma das cerimónias de que mais gostava, beijar o Menino. Foi então que o Padre Augusto lhe disse que, se ele quisesse, poderia ainda assistir a uma Missa do Galo. Ia celebrá-la, nem que fosse para ele sozinho. Apareceu mais uma dúzia de pessoas. A homilia foi breve. “Ninguém pensaria que um menino que nasceu numa manjedoira, e que cresceu numa terra tão pobre como Nazaré, pudesse ser alguém importante. Quando já era homem, na primeira vez que houve quem se sentisse incomodado com as suas palavras, um fariseu disse a Nicodemos que investigasse e visse se da Galileia tinha vindo algum profeta. Mas foi ele que desafiou os que cumprem a lei sem amor. «O que não tiver pecados que atire a primeira pedra.» Fugiram todos, acusados por si mesmos. Porque a pior acusação que podemos sofrer é a da nossa própria consciência. À dos outros podemos escapar, mas, à nossa, nunca. Cuidemos para que a nossa consciência, que está sempre connosco, seja uma companhia agradável. Como a de Jesus no presépio.” Disse pouco mais, o Padre Augusto. E não era preciso.

Quando chegou a casa, as primeiras saudades foram molhadas em lágrimas pela sua “santa”. Depois, vieram-lhe outras de espanto e de gratidão não imaginava a quem. Fosse Deus louvado, mas alguém lhe armara o presépio. Tal e qual como se ele mesmo o tivesse feito. E, em cima da amassaria, havia um bolo de massa sovada, licor de anis, de baunilha e de tangerina, como à moda antiga, e um canjirão de vinho e coelho guisado. Comeu e bebeu, agradecendo sem saber a quem o fazia ou deveria fazer.

Nessa noite sonhou que sonhava. Acontecia-lhe isso muitas vezes – sonhar que estava sonhando. E sonhou que sonhava que o próprio Deus lhe explicava como havia sido feito o presépio e como fora ali parar tudo o mais. Viu os bonecos despertarem de um sonho de quase um ano. Estremunhados, acordaram com a inquietação do pastor manco, que os chamava aflito na caixa de sapatos onde estavam guardados. O pastor manco era o único que nunca estava perto da gruta, porque tinha uma perna partida havia muitos anos, e por isso, para se aguentar de pé, ficava encostado a uma pedra-queimada, num pasto de musgo. “Não há ninguém para armar o presépio”, disse. “Que é que se há-de fazer?”, perguntou outro pastor. “Fazemos o presépio nós mesmos.” Era boa ideia, mas quem iria buscar o musgo? “Vai o limpa-chaminés, que está habituado a subir e descê-las como ninguém.” Assim foi. Colheu musgo do tronco da velha figueira, do muro virado a norte, de entre as moitas de junquilhos. As pedras do presépio estavam todas guardadas naquilo que durante muitos anos fora a “casinha”, ao pé do curral do porco. Depois pôs-se cada um na sua posição do costume. Foi então que a lavadeira voltou à pressa para casa e fez os licores, cozeu a massa e guisou o coelho. Mas o pastor manco fora o último a chegar, e por isso ficou uma vez mais lá no fim do presépio.

No outro dia, pegou no pastor manco e encostou-o à manjedoira. (Deus só não lhe explicara no sonho que os Judeus não comem carne de coelho.)

Natal de 2010