<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252</id><updated>2012-01-12T22:34:18.073-01:00</updated><category term='Ilha a Ilha'/><category term='Maia'/><category term='Terceira'/><category term='Terra de Bravos'/><category term='Longa Jornada Até Calie'/><category term='Feliz Aniversário'/><category term='A Terra Permitida'/><category term='Santa Maria'/><category term='A Longa Espera'/><category term='Sobre a Verdade das Coisas'/><title type='text'>O Espólio</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>86</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-6109217771522645226</id><published>2011-12-15T23:46:00.001-01:00</published><updated>2011-12-16T00:37:50.508-01:00</updated><title type='text'>E Os Seus Não O Receberam (Ou “el cuento de las chocolatinas”)</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-DzvZHyf7i00/TuqTrvkctzI/AAAAAAAAAOk/ElqqA6wqiKw/s1600/magui.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="211" src="http://2.bp.blogspot.com/-DzvZHyf7i00/TuqTrvkctzI/AAAAAAAAAOk/ElqqA6wqiKw/s400/magui.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Imagem do blog &lt;a href="http://mavs-mipequenomundo.blogspot.com/2011/08/una-carta.html"&gt;Mi Pequeño Mundo&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="Estilo" style="mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto; text-align: center;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;A D. Juan Aguirre, Bispo de Bangassou&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="Estilo" style="mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto; text-align: center;"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Estilo" style="mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto; text-align: justify;"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;O Juanjo (Juan José Aguirre Muñoz) nasceu em Córdova, destinado a uma vida de bem-estar material. Mas, aos dezassete anos, decidiu ser missionário. Fomos companheiros em Moncada (Valência). Um dia, contei-lhe este conto, que publicara no jornal &lt;/i&gt;&lt;b&gt;Açores&lt;/b&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;. O Juanjo gostou. E, de vez em quando, pedia-me: “Cuéntame el cuento de las chocolatinas.” (“Conta-me o conto dos chocolates.”) E eu contava. E aqui o conto outra vez. Em Bangassou, num dos países mais pobres do Mundo, a República Centro-Africana, pode ser que ele o leia qualquer dia, e volte a gostar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="Estilo" style="mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto; text-align: center;"&gt;*&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; *&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; *&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Estilo" style="mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto; text-align: justify;"&gt;Deixara um rasto de Bem na Sua passagem pelos povoados da Samaria, de Judá e da Galileia. Dera vista a cegos e devolvera os paralíticos aos caminhos; sarara os leprosos e até ressuscitara mortos. (Chorara por Lázaro, sabendo como fora doloroso que ele morresse. Teria corrido, a curá-lo, para evitar-lhe a agonia da morte. Mas tinha sido preciso que os homens presenciassem mais um milagre espantoso para que não duvidassem do Verbo de Deus.) Como Deus, tudo Lhe era eterno. O sofrimento e a dor confundiam­-se já com a bem-aventurança no Céu. O agora de Deus não era o mesmo que o dos homens. Vinha dos tempos da Criação, estava no futuro, coexistia com o presente. Deus vivia o antes e o depois, sem antes e sem depois. No Seu Sermão da Montanha, Cristo, o Deus, via já todos os pobres no Seu Reino; os que choram, consolados; os famintos de justiça, saciados. Mas Jesus, o Homem, vivia no tempo. Assistia ao avolumar do tumor dos cancerosos, ao penoso caminhar dos cegos, à imobilidade dos para­líticos. Jesus sentia o antes e o depois, compreendia o medo e a dor, sabia que o agora, fulminante clarão da Eternidade, era todo o tempo que os homens conheciam. &lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="Estilo" style="mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto; text-align: center;"&gt;*&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; *&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; *&lt;/div&gt;&lt;div class="Estilo" style="mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto; text-align: justify;"&gt;Naquela noite, tantos séculos depois de Se ter revelado na Samaria, Jesus descera à Terra sem que ninguém pudesse reconhecê-Lo. Era como se não fosse mais do que um homem solitário, razoavelmente vestido, passando por raros caminhantes que não O cumprimentavam. Dei­xara dito que todas as pessoas são Ele. E queria voltar a ver, com olhos humanos, o que fora aprendido da lição que dera. Gatos vadios e cães miseráveis, nessa noite bem alimentados por uns restos de fartura, desviavam-se calmamente para Ele passar. Todas as janelas exibiam estrelas de paz e mensagens de amor. As ruas coloriam­-se de muitas luzes de harmonia e júbilo. Jesus estaria feliz, se as coisas também sentissem. Mas o caminhar solitário, do homem vulgar que parecia ser, bastaria para lembrar-Lhe todos os sós que sofriam, num mundo de homens, como se não houvesse Deus nem outros homens. Numa casa mais pobre do que as mais pobres que vira, Jesus deteve-Se. A ­porta, meio aberta, mostrava um pequenino mundo de miséria: um candeeiro de petróleo iluminava uma lâmpada apagada, uma mesa vazia, duas cadeiras, um armário envelhecido, um calendá­rio antigo com uma Imaculada de Murillo, e uma mulher ainda jovem que fazia renda, sentada num catre tapado por cobertores muitas vezes remendados. Bateu suavemente, e entrou. A mulher, habituada a visitas de homens a meio da noite (que se iam tornando cada vez mais raras), estranhou a mansidão do chamamento e a dignidade que parecia brilhar no des­conhecido. Os filhos dormiam num quarto ao lado. Era sempre prec­iso que dormissem àquela hora. &lt;/div&gt;&lt;div class="Estilo" style="mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Estilo" style="mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto; text-align: justify;"&gt;“O Senhor dever ter-se enganado, ao entrar aqui.” Nunca fora procurada por um homem com um olhar tão puro. Não se sentia à vontade com a presença Dele. “Sou uma pobre viúva…” Ia tentar explicar-se, mas Jesus suspendeu-lhe as palavras: “Eu sei.” E disse-o com tal segurança, que a mulher acreditou que Ele sabia tudo a seu respeito. “Os meus filhos deitaram-se com fome, sonhando com brinquedos e chocolates.” Também isso Ele sabia. E que todos os anos era assim e nunca des­pertavam para um dia mais feliz. “Podes dar-Me um copo de água?” A mulher não estranhou o pedido. E pareceu satisfeita por dar alguma coisa àquele homem. Jesus bebeu e despediu-se. &lt;/div&gt;&lt;div class="Estilo" style="mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Estilo" style="mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto; text-align: justify;"&gt;Pelas ruas novamente, caminhou mais triste. Já saciara uma multi­dão faminta com cinco pães e dois peixes. Mas esse milagre estava nos planos de Deus para que o Mundo acreditasse Nele. Àquela hora, milhões de crianças dormiam com fome ou choravam por pão e sem brinquedos. Não devia, escolhendo aquelas ao acaso, violar as leis da Natureza ou obrigar os homens a serem misericordiosos se não lhes apetecia a misericórdia. E foi, de porta em porta, pedir “brinquedos e chocolates para os filhos de uma viúva pobre.” Riam-se Dele. Ou, simplesmente, não O levando a sério, desculpavam-se por não terem algo a mais que dar. Numa igreja, onde acabavam de celebrar a Missa em Sua honra, Jesus entrou. Ali, estava entre os Seus. Subiu o templo devagar, e foi juntar­-Se a um grupo que falava alegremente, na sacristia, da campanha pelos pobres nesse Natal. Receberam-No de boa vontade, e Ele pediu “brinquedos e chocolates para os filhos de uma viúva pobre”. Quiseram saber quem era ela, e Ele explicou. Ouviu: “Ah! essa mulher não presta!” Os homens continuavam a não perceber. Alguém, convidando-O a ficar, ofereceu: “Vamos fazer um brinde ao Menino!” &lt;/div&gt;&lt;div class="Estilo" style="mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="Estilo" style="mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto; text-align: justify;"&gt;E Jesus, triste, de uma tristeza que ninguém compreenderia, despediu-Se: “Eu preferia brinquedos e chocolates.”&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-6109217771522645226?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/6109217771522645226/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=6109217771522645226&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/6109217771522645226'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/6109217771522645226'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2011/12/e-os-seus-nao-o-receberam-ou-el-cuento.html' title='E Os Seus Não O Receberam (Ou “el cuento de las chocolatinas”)'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-DzvZHyf7i00/TuqTrvkctzI/AAAAAAAAAOk/ElqqA6wqiKw/s72-c/magui.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-4586080535793886520</id><published>2011-05-23T00:18:00.000Z</published><updated>2011-05-23T00:18:14.159Z</updated><title type='text'>Os Nós e os outros</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-9WnV3j7HmA8/Tdmm1jBaUNI/AAAAAAAAAOg/7hdCRFI2ur4/s1600/Guadalupe.png" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="244" src="http://1.bp.blogspot.com/-9WnV3j7HmA8/Tdmm1jBaUNI/AAAAAAAAAOg/7hdCRFI2ur4/s320/Guadalupe.png" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;Mosteiro de Nossa de Guadalupe (origem da fotografia: &lt;a href="http://www.spainonline.com/"&gt;http://www.spainonline.com/&lt;/a&gt;)&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Sentado na beira do tanque em frente ao mosteiro de Nossa Senhora de Guadalupe, Don Antonio Mayoral. Numa esplêndida tarde que tardava em acabar, o Sol morria. Falou-me dos Republicanos. E mostrou-me o indicador direito, torto, rígido, como um mapa feito de cicatrizes. Disse: “Foram eles que me fizeram isto…” Certamente haveria mostrado aquele dedo centenas ou milhares de vezes, e dito centenas ou milhares de vezes “foram eles que me fizeram isto”. Perguntei-lhe: “Já pensou que também fez isso a eles?” E com Don Antonio fiquei triste quando, tristemente, como se nunca tivesse pensado que havia eles no mesmo lado do sofrimento, respondeu: “É verdade…”&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;  ﻿&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-4586080535793886520?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/4586080535793886520/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=4586080535793886520&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/4586080535793886520'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/4586080535793886520'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2011/05/os-nos-e-os-outros.html' title='Os Nós e os outros'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-9WnV3j7HmA8/Tdmm1jBaUNI/AAAAAAAAAOg/7hdCRFI2ur4/s72-c/Guadalupe.png' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-9010164895159349504</id><published>2011-05-11T12:39:00.002Z</published><updated>2011-05-11T15:11:02.926Z</updated><title type='text'>Crítica de Cinema (ficção)</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-XsVv_C6VzSM/TcqDC67i6jI/AAAAAAAAAOY/Ns2z-hD0AGE/s1600/Anschluss+Alice+in+Wonderland.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/-XsVv_C6VzSM/TcqDC67i6jI/AAAAAAAAAOY/Ns2z-hD0AGE/s1600/Anschluss+Alice+in+Wonderland.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Anschluss. Alice no País das Martavilhas&lt;/i&gt;, 1942 Oskar Kokoschka&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span id="goog_1298813057"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span id="goog_1298813058"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Os Caídos&lt;/i&gt;, de Thorsten Borg&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Thorsten Borg, um bom nome para um concurso de televisão. A pergunta poderia ser: “Onde nasceu o realizador Thorsten Borg? a) Alemanha; b) Brasil; c) Áustria; d) Estados Unidos. Embora por um acaso forçado, a resposta certa é b). &lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O pai, Hagen Borg, alemão e ariano, foi perseguido pelo nazismo. Fotógrafo amador, natural de Aachen, a Aix-la-Chapelle de Carlos Magno, onde vivia, era filho de um realizador menor neo-realista. Hagen fotografou sobretudo gente e cenários o mais possível semelhantes àqueles que o pai filmara. A exposição de meia centena das suas fotografias no início da Primavera de 1938 – uma sucessão de mendigos, bêbados, casebres e cemitérios – lançou sobre si a maldição. A má consciência nazista, que dias antes impusera a “Anschluss” à frágil Áustria, terá entendido a exposição como uma crítica miserabilista ao seu conceito de raça superior. A Gestapo queimou as fotografias, vasculhou a casa à procura de outras, que também destruiu, e passou a vigiar os seus dias e as suas noites. Mas Hagen Borg escondera as cópias, livrando-as assim do fogo do nazismo. E, sob um ténue crescente de Verão, ele e a mulher escaparam à vigilância e atravessaram a pé a fronteira com a Bélgica, indo até Plombières. Poucas semanas mais tarde, chegariam ao Rio Grande do Sul. Hagen levava uma maleta com as fotografias, a mulher levava no seio a filha mais velha. Thorsten teria de esperar ainda uns pares de anos pela sua oportunidade de nascer.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A ideia para o guião é melhor que o filme. A história – o realizador tentou contar uma história, embora pareça que não – nasce das personagens e dos cenários da exposição maldita. O momento em que as figuras e as paisagens fotografadas ganham vida é a sétima arte no seu estado mais puro. Por isso é difícil desculpar a maior parte do resto. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Thorsten Borg reconstitui a exposição de Aachen. Depois, dando um grande plano de cada fotografia, transforma os retratos de pessoas em personagens reais. Os casebres animam-se pelo movimento do fumo, um cão que ladra ou um gato que se espreguiça ao sol. Um sol que mais se subentende do que se percebe, porque o preto e branco da película é uma espécie de preto e cinzento. Monotonia quebrada pelo inesperado clarão do rebentamento da granada de um obus, supostamente na sua cor real. (Influência da menina do casaquinho vermelho, de “A Lista de Schindler”, de Spieldeberg? Talvez.) Com este clarão se anuncia a melhor sequência de “Os Caídos”, que parece inspirada numa das mais arrepiantes da “Vergonha”, de Bergman. Num dos casebres estão, aterrorizados, um casal de idade indefinida, um mendigo cego e uma surda. Mas aquele rebentamento e os que se lhe seguem são a prova de que o cinema nos habituou a um irrealismo que já não dispensamos. O clarão não é acompanhado pelo barulho da explosão, que só se ouve alguns segundos depois. À medida que o relâmpago das explosões aumenta de intensidade, tornando-se quase insuportável, o tempo até ao estrondo vai diminuindo com o encurtar da distância. Esta falta de sincronismo entre o clarão e o som é a tal realidade a que o cinema, que faz coincidir relâmpago e trovão, nos desabituou. A surda estremece a cada clarão, mas o cego só fica apavorado com os estrondos, que não a perturbam. Ambos haviam procurado a companhia do casal para estarem menos sós nos seus medos. O marido e a mulher permanecem abraçados, tremendo, como que querendo livrar-se de um frio gélido, com os olhos escondidos nos ombros um do outro. Nas últimas imagens da sequência, clarão e estrondo são simultâneos, e o casebre desaparece.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Na sequência anterior, Thorsten Borg fizera-nos sentir piedade pelos donos da casa. Na fotografia da exposição, a família, que se benze, está completa à mesa – o casal e três filhos. No filme, a cena acaba quando o pai, concluída a oração, pega na colher. Na cena seguinte, os filhos são já dois somente. Depois, apenas um. Finalmente, só o homem e a mulher. Borg põe então o casal sozinho a sentar-se para comer uma meia dúzia de vezes, diminuindo sempre a sopa e o pão. Até que se chegam ambos à mesa vazia, benzem-se como habitualmente mas não rezam, e retiram-se. Nos fotogramas das imagens dos destroços do casebre, Thorsten Borg sobrepôs umas gotas (talvez lágrimas) que escorrem como se alguém chorasse sobre a película ou a própria tela. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O realizador deu vida também a um dos cemitérios. E dar vida a um cemitério é enchê-lo de mortos. Penosamente assiste-se ao enterro de várias das personagens das fotografias e do filme. Em cada funeral há um acompanhante a menos – o que imediatamente antes fora a enterrar.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O problema de “Os Caídos”… são vários. Da cor, ou da ausência dela, já foi dito. Para fazer um “travelling”, a câmara parece ficar à espera de que o cenário se mova. E os actores são muito melhores no seu papel de mortos do que no de vivos. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Quando, triunfantes, surgiram as há muito desejadas quatro letras, ENDE (fim), corri para a porta para ver se ainda havia Sol. Felizmente, havia.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-9010164895159349504?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/9010164895159349504/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=9010164895159349504&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/9010164895159349504'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/9010164895159349504'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2011/05/critica-de-cinema-ficcao.html' title='Crítica de Cinema (ficção)'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-XsVv_C6VzSM/TcqDC67i6jI/AAAAAAAAAOY/Ns2z-hD0AGE/s72-c/Anschluss+Alice+in+Wonderland.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-361479601628414289</id><published>2011-04-25T22:40:00.000Z</published><updated>2011-04-25T22:40:18.264Z</updated><title type='text'>Camões em duzentas e tal palavras</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-8uchLJooc0o/TbX4J7-ITvI/AAAAAAAAAOQ/h8DcClQwGpw/s1600/os-lusiadas-luiz-vaz-de-camoes.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://1.bp.blogspot.com/-8uchLJooc0o/TbX4J7-ITvI/AAAAAAAAAOQ/h8DcClQwGpw/s320/os-lusiadas-luiz-vaz-de-camoes.jpg" width="223" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;!--StartFragment--&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Se eu disser que ontem encontrei Camões, quem ouvir espanta-se até ao infinito ou chama-me doido. Corro o risco. Encontrei o vate, sim. “Um perdigão depenado”, como no filme de Leitão de Barros. Incapaz de fazer uma canção, uma endecha, uma estrofe que lhe não enxovalhe a fama. Insisti. Dei-lhe a minha palavra de que não venderia o autógrafo. Que valeria uma fortuna maior do que ele ganhou a poetar a vida inteira. Seria um insulto. O original, guardo-o ciosamente. A transcrição vai abaixo. Talvez com falhas. A sua caligrafia é mais difícil de entender que a do Vergílio Ferreira.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Sam taes os dões na Lingua Portugueza,&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Tam forte, femenil, e tam fermosa,&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Como erão na latina. Tal belleza,&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Despois na nossa posta, é mais famosa.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mas a patria christã da-me a certeza&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;D’esta sentença fea e desditosa:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Se eu vivera outra vez, morria à mingua,&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Pois ja ninguém entende a minha lingua.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Forão sutis mudanças a mudalla,&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A pouco e pouco sempre em crecimento,&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Que ja eu nam consigo bem uzalla&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Porque foi mui disforme tal augmento.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mas inda assi nam deixarei de amalla&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Que a lingua tãobem é um sintimento.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E por tanto da lingua estar ja morto,&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Eu sinto, por ser morto, algum conforto.&lt;/div&gt;&lt;!--EndFragment--&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-361479601628414289?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/361479601628414289/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=361479601628414289&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/361479601628414289'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/361479601628414289'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2011/04/camoes-em-duzentas-e-tal-palavras.html' title='Camões em duzentas e tal palavras'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-8uchLJooc0o/TbX4J7-ITvI/AAAAAAAAAOQ/h8DcClQwGpw/s72-c/os-lusiadas-luiz-vaz-de-camoes.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-5723984640427309991</id><published>2011-04-07T20:01:00.004Z</published><updated>2011-04-09T10:51:15.573Z</updated><title type='text'>A Academia Popular da Língua</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-v8GBFdyzhCY/TZ4VbFOV-II/AAAAAAAAAOM/Qpm7pKkj1QA/s1600/Carta-caminha.png" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://2.bp.blogspot.com/-v8GBFdyzhCY/TZ4VbFOV-II/AAAAAAAAAOM/Qpm7pKkj1QA/s400/Carta-caminha.png" width="287" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="-webkit-border-horizontal-spacing: 2px; -webkit-border-vertical-spacing: 2px; font-family: sans-serif; font-size: 12px; line-height: 18px;"&gt;&lt;i&gt;Fac-símile da carta original de Pero Vaz de Caminha quando do aportamento da expedição de Cabral em terras brasileiras. (imagem de domínio público)&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="-webkit-border-horizontal-spacing: 2px; -webkit-border-vertical-spacing: 2px; font-family: sans-serif; font-size: 12px; line-height: 18px;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="-webkit-border-horizontal-spacing: 2px; -webkit-border-vertical-spacing: 2px; font-family: sans-serif; font-size: 12px; line-height: 18px;"&gt;&lt;i&gt;   &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;   &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Houve um tempo em que muito mais que agora se estimava a Língua Portuguesa. Por isso no 2º Ciclo do Liceu se estudava a sua evolução e os seus autores mais notáveis, desde os gentis trovadores ao magnífico Aquilino. Mas nessa viagem que acompanhava a cronologia estava um dos tropeços do programa. O percurso teria sido mais fácil se feito ao contrário, começando na linguagem familiar dos contemporâneos e acabando no suave trovar dos antigos. E assim, sem mais penas que as necessárias, teríamos ido do morrer de amor de Ana e Simão até ao “moiro d’amor” de D. Dinis, passando pelo “moura e pereça” de Luís Vaz. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Faz parte da natureza da Língua evoluir. Nem o Latim deixou de mudar quando se tornou numa língua dita morta, pois continua vivo na herança directa das sete línguas latinas e seus dialectos, nas várias que receberam dele grande parte do léxico e até na taxonomia. Mas os legionários que Roma recrutara nos quatro cantos do Império, e que nos trouxeram uma língua já algo distinta da que se falava no Lácio, tê-la-ão feito evoluir? Ou corromperam-na, conforme pensava Vénus pela pena de Camões? E, se talvez nenhum deles falasse da mesma maneira que por esse tempo Cícero escrevia ao seu amigo Ático, ainda falariam Latim? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Foi nessa transfiguração da língua do Lácio que continuou a ser forjado o Português. De celtas e outros povos tinham ficado vocábulos que permaneceriam até hoje, e mais tarde se lhe iriam juntando muitos de árabes, guaranis, chineses, quimbundos, de todos os povos com quem aprendemos novidades, fosse a do ornamental azulejo ou a do exótico maracujá, a do reconfortante chá ou a da pobre senzala. E por onde íamos também íamos ajudando a cumprir esse fadário das línguas, o de serem mudáveis. Mas se a Língua não é imutável no léxico, tão-pouco o são em si mesmas as palavras que o constituem, até porque desse pecado original é que todas nascem e se desenvolvem. E é também nessa inconstância que os apoiantes do Acordo Ortográfico encontram abrigo para a defesa das suas posições. Mas será legítimo impor regras politicamente legisladas ao que por sua natureza é património colectivo e responsabilidade partilhada da nação? A primeira grande intromissão do poder político nas leis que regem a Língua aconteceu com a iconoclasta República, que não se limitou a mudar de rei para presidente, mas mudou também a bandeira, o hino, a moeda e a própria ortografia, tendo tentado mesmo intervir no espírito religioso popular. Como se do Portugal com quase oito séculos nada pudesse ficar para memória futura. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Sim, esta língua tem vindo a mudar sempre, desde que o Latim perdeu as declinações e se adaptou ao rude falar dos legionários e dos povos conquistados, tornando-se no latim dito bárbaro ou vulgar. E todas essas mudanças e as que aconteceram depois se deveram à necessidade de facilitar a comunicação, a características naturais da fonação ou a erros dos falantes, que de tão repetidos passaram a ser norma. Mas esta alteração da norma não surgia por acaso nem por geração espontânea. Os portugueses enamorados não adormeceram numa qualquer noite morrendo de soydade pela mulher amada, para despertarem na manhã seguinte com a saudade tão viva como na véspera. Diferentes formas para a escrita, ou a própria prosódia, da mesma palavra têm coexistido sem conflito durante décadas, talvez séculos. Segundo os escrivães de D. Manuel I, o poderoso rei ora regulava o comércio do “assucar”, ora oferecia umas quantas arrobas de “açucar” a quem lhe aprouvesse. Ainda no mesmo século, o XVI, não faltou quem satisfizesse a gulodice com doces torrões de “assuquere”. Mas, no século XVII, já não havia dúvidas. E todas as palavras que em Árabe começassem como aquela (as’sukkar) haveriam de ficar no Português com o princípio em “aç”, como açucena ou açude. Por vezes, ao fim de muito tempo de tal coexistência, os dicionaristas – definitivos sancionadores do padrão da Língua –, vencidos pela persistência de diferentes grafias, registavam as variantes. E assim temos, por exemplo, “disfrutar” e “desfrutar”, ou “lâmpada”, “lampa” e “alâmpada”, todas elas de curso legal segundo os dicionários. (São vários os casos da prótese do artigo com o substantivo, alguns mesmo da preposição com o verbo. E foi muito comum a escrita de preposições, copulativas e artigos juntando-os às palavras que regiam. Ainda no século XVIII acontecia, v.g. “o padre tirando-o com toda areverencia, o entregava com toda a decencia” – Dietário do Mosteiro de São Bento da Bahia, transcrição de Alícia Duhá Lose. Ou “todas asindulgências que osenhor capelão”, “efoi corista en oanno demil equinhentos” – relatório do vigário do Cartaxo sobre o estado em que ficou o concelho depois do terramoto de 1755, transcrição do autor.) &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Para a evolução da Língua, no princípio foi o povo, que nunca se demitiu dessa função. Para a fixação da norma, embora muitas vezes transitória, terão servido de modelo cronistas de El-Rei, poetas e escritores como Camões ou Vieira, Camilo ou Herculano. O século XX tornou-se sobretudo o tempo do império dos jornais, para a grafia, e da rádio e da televisão, para a prosódia. Acerca desta surge uma das polémicas do Acordo. Há os que dizem que a alteração da grafia talvez a altere também, e há os que o negam. Se do futuro nada se pode afirmar, do passado temos exemplos variados de como a grafia muitas vezes condiciona a pronúncia. Dois casos recentes são “paisagem” e “saudade”. Aquela, que deriva de “país”, embora por via do Francês, escrevia-se com trema para que a raiz fosse respeitada – “PAÏSAGEM”. E “saudade”, também para desfazer o ditongo, tinha direito a trema igualmente – “SAÜDADE”. Desaparecido um e outro, poucos são os que ainda dizem “pa-i-za-jem”, enquanto que alguns já pronunciam “sau-da-de”. A nossa “idéia” já foi assim, acentuada como ainda é a brasileira. O que se justificava pela diferença prosódica em relação ao mesmo ditongo, em “cheia” ou “areia”, por exemplo. Eis, pois, outro caso em que a perda do acento exerceu influência em alguns falantes do português de Portugal. E, se a pronúncia do Norte tivesse persistido na prosódia nacional, pois então o Porto certamente haveria de ser uma “NAÇAÕ”, tendo-se mantido o til sobre a vogal final, que aí era o seu lugar. Curiosamente, foi ainda assim que foi escrito no referido Dietário do Mosteiro de São Bento da Bahia. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Quanto ao “e” em sílaba inicial, tem-se tornado uma vítima do sistema… É frequente não ser lido com o som de “i” em casos em que assim deveria ser. Por exemplo “Emanuel” que, no entanto, já se escreveu “Immanuel” ou “Imanuel”, acontecendo o contrário com “igreja”, que já foi “egreja”. Prova de que “Emanuel” sempre foi para ser dito “IMANUEL” e “igreja” já seria assim, mesmo quando era “egreja” devido à sua origem greco-latina.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;O grande argumento dos defensores do Acordo é o da conveniência de harmonizar o Português em todo o espaço onde se o fala. Mas não serão as ausências de uns velhinhos “pês” ou de uns inocentes “cês” que facilitarão a comunicação com quem tiver aprendido Português depois de adulto. A maior dificuldade está relacionada com a riquíssima diferença do léxico e da prosódia dos países lusófonos em relação a Portugal. Com essas características o Acordo, obviamente, não se atreve a bulir. E felizmente não poderia fazê-lo, ainda que o tivesse querido. Por isso apenas resolve uma ínfima e superficial parte do problema. Tanto mais que, permitindo grafias duplas, acaba por criar alguma confusão entre prosódia (pessoal ou de grupo social) e ortografia. Os jornais que aderiram de imediato às novas regras têm demonstrado isso mesmo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Nenhuma mudança repentina é fácil de aceitar. Uma experiência curiosa, e de certo modo extravagante, foi feita por Juan Ramón Jiménez, que chegou a usar sempre a letra “z”, para representar a fricativa dental surda, e o “j” em vez do “g” gutural. E se isto não adulterou a qualidade da tradução de Tagore, feita por Zenóbia, sua mulher, e por ele, tão-pouco trouxe algo de novo à língua castelhana, que de modo algum se interessou por tal simplificação. O pior incómodo, no entanto, era de natureza estética. Porque a estética também é um hábito.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Enfim, a República, que tirou à Língua o “p” de Egipto e o devolveu em 1945, agora que o apagou novamente bem poderia voltar a pô-lo no seu lugar. Por razões muito faladas já. E que nos fosse permitido continuar a distinguir os olhos dos ouvidos (óptico e ótico), ou que o “c” segurasse o tecto, contra todas as dúvidas… Porque o que é novo nem sempre é melhor do que o antigo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-5723984640427309991?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/5723984640427309991/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=5723984640427309991&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/5723984640427309991'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/5723984640427309991'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2011/04/academia-popular-da-lingua_07.html' title='A Academia Popular da Língua'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-v8GBFdyzhCY/TZ4VbFOV-II/AAAAAAAAAOM/Qpm7pKkj1QA/s72-c/Carta-caminha.png' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-3711883967345314275</id><published>2011-03-02T00:25:00.000-01:00</published><updated>2011-03-02T00:25:04.258-01:00</updated><title type='text'>Dia do Filho</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh4.googleusercontent.com/-5IEYtL-zLz0/TW2bh7NPmPI/AAAAAAAAAOI/DlRac_9vNmQ/s1600/Vancouver_por_do_sol.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" l6="true" src="https://lh4.googleusercontent.com/-5IEYtL-zLz0/TW2bh7NPmPI/AAAAAAAAAOI/DlRac_9vNmQ/s320/Vancouver_por_do_sol.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(Mensagem enviada a Daniel Abrunheiro, a propósito do tema que nela consta)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Meu Caro&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A tua homenagem à Mãe está demasiado bela para que eu nada diga. Se na escrita se pode ser sublime, tu foste, neste caso. Mas para uma Mãe nada é nunca demais. E com a Mãe tudo pode acontecer, até o que chega a assemelhar-se a ficção de novela barata ou a romance com pouca imaginação. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu também tive Mãe. Mãe milagrosa. Mãe capaz do impossível. Dela nasci numa casinha abaixo daquela que pertencia ao meu avô, seu pai. Numa noite de tempestade, com os vagalhões a rebentarem a trinta metros de distância e os relâmpagos a caírem como se fosse ao lado. Outra luz que não a deles, só a do azeite de gata, que era o combustível possível desse tempo de guerra ainda. Enquanto na Europa continental os dois lados do conflito se esmeravam nos pormenores finais da morte, mais um milagre da vida acontecia. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O maior milagre da minha Mãe, que era ela ser como era, durou até um ano em que nada fazia pensar que fosse o seu último. E aconteceram coisas estranhas, que só por ela ser Mãe podem ter acontecido. E em que eu, se me contassem de qualquer outra, não acreditaria. Estava-se por Janeiro ou Fevereiro, e a minha irmã preocupada já porque em Agosto iria uns dias para Santa Maria. Queria ter a certeza de que a nossa Mãe ficava bem. Ela disse que a minha irmã não se preocupasse – morreria antes de Agosto. Minha irmã, céptica quanto a presságios, não acreditou. Para ter a certeza de que ela estava de perfeita saúde, como parecia, quis que fosse internada por um dia ou dois, no Hospital do Espírito Santo, para fazer exames completos. Entrou sem qualquer doença, saiu de lá para morrer mais perto de nós. Porque foi apanhada por uma infecção hospitalar que o organismo suportou bem, mas não resistiu a uma segunda. Foi preciso até privá-la da fala para que pudesse respirar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois… depois já era Julho. O último dia de Julho, com um sol esplêndido. Eu tinha estado com ela até meio da tarde. Chamaram-me à pressa. Pareceu-me praticamente morta. Disseram-lhe que eu estava ali. Ela abriu os olhos. Ainda conseguiu erguer um pouco a cabeça, para me beijar. Fez o sorriso mais belo que terei visto na minha vida inteira. Percebi que os seus lábios se moviam a dizer a mesma saudação de sempre: “Meu querido filho!” E morreu, como nos tais romances, como nos filmes. Primeiro um sono profundo, breve, depois o derradeiro, o para sempre. Era Julho, quase Agosto. Uma tarde linda, sem nuvens, sem outras sombras. A minha sobrinha Lurdes estava ao pé de mim. Abraçámo-nos a chorar. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O relógio da cozinha da Lurdes parou às 7h 24m. A hora exacta a que minha Mãe morreu. Não era preciso que Ele me dissesse, assim, que a minha Mãe era um anjo. Eu sempre o soube.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-3711883967345314275?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/3711883967345314275/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=3711883967345314275&amp;isPopup=true' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/3711883967345314275'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/3711883967345314275'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2011/03/dia-do-filho.html' title='Dia do Filho'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh4.googleusercontent.com/-5IEYtL-zLz0/TW2bh7NPmPI/AAAAAAAAAOI/DlRac_9vNmQ/s72-c/Vancouver_por_do_sol.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-1792504584616478534</id><published>2011-02-27T23:44:00.000-01:00</published><updated>2011-02-27T23:44:56.314-01:00</updated><title type='text'>Ahmed Ben Kassin (8)</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh5.googleusercontent.com/-X4JN8V34rHQ/TWrvk7IjwhI/AAAAAAAAAOE/eoe_zW4BLFo/s1600/Albaicin.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="https://lh5.googleusercontent.com/-X4JN8V34rHQ/TWrvk7IjwhI/AAAAAAAAAOE/eoe_zW4BLFo/s1600/Albaicin.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--StartFragment--&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Com certeza já todos os amigos que aqui têm vindo perceberam que Ahmed Ben Kassin é um poeta que eu mesmo criei. Penso, no entanto, ser já tempo de o deixar regressar à ficção de onde saiu. Por isso este poema será o último da série. Uma mensagem angustiada dirigida aos conquistadores de Granada, os reis que, depois desse feito, receberam o título de “Católicos”.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;Isabel e Fernando&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Dois leões lutaram pela mesma corça,&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E vieram dois cães sarnentos e roubaram-na.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Por isso já Isabel pode lavar a camisa na água de Albaicín&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E o rei pode beber das lágrimas de Aynadamar.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Vede, ó príncipes, com que cuidado foi posta cada pedra,&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Em Granada, a esplêndida, e plantada cada rosa.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Uma mãe não veste a filha com mais carinho.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Contemplai os versos dos poetas &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Que ornamentam as paredes da Alhambra,&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E as palavras do Alcorão que as tornam veneráveis.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Granada curvou a cerviz perante a força das vossas armas.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mas respeitai os vencidos e a memória dos que pereceram.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Perante as pedras e as rosas de Granada,&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Dizei ao menos: “Como eles a amaram!”&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Notas:&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;A luta dos dois leões refere-se à guerra entre El Zagal e Boabdil, seu sobrinho, que roubara o trono ao pai, Muley Assam, que morrera em 1585 e contra o qual também lutara. Os dois cães sarnentos são Isabel de Castela e Fernando de Aragão.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;A referência à camisa de Isabel alude à lenda de que ela fizera o voto de não mudar a camisa enquanto Granada não fosse conquistada.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Nas “lágrimas de Aynadamar” há um jogo de palavras, porque Aynadamar é composta por “Ayn” (“olho”, com o significado de nascente), e “damar” significa “lágrimas, talvez como referência à maneira como surge a água nessas fontes que abastecem a zona alta de Granada, Albaicín, coração da cidade velha. Em Espanha, tal como no continente português, “olho” é com frequência sinónimo de nascente. Por exemplo no caso do começo do Guadiana (Ojos de Guadiana) ou numa nascente da zona do Cartaxo, chamada Olho do Senhor, ou Olho de Cristo, ou Olho do Senhor Santo Cristo.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;!--EndFragment--&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-1792504584616478534?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/1792504584616478534/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=1792504584616478534&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/1792504584616478534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/1792504584616478534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2011/02/ahmed-ben-kassin-8.html' title='Ahmed Ben Kassin (8)'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh5.googleusercontent.com/-X4JN8V34rHQ/TWrvk7IjwhI/AAAAAAAAAOE/eoe_zW4BLFo/s72-c/Albaicin.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-4072771686392908734</id><published>2011-02-21T00:05:00.000-01:00</published><updated>2011-02-21T00:05:31.388-01:00</updated><title type='text'>Ben Kassin (7)</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-UTY3yED7QkE/TWG5e0fQb0I/AAAAAAAAAOA/AYw6dwCsEiM/s1600/Alfred-Dehodencq-The-Farewell-of-King-Boabdil-at-Granada.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://4.bp.blogspot.com/-UTY3yED7QkE/TWG5e0fQb0I/AAAAAAAAAOA/AYw6dwCsEiM/s400/Alfred-Dehodencq-The-Farewell-of-King-Boabdil-at-Granada.jpg" width="282" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;A Despedida do Rei Boabdil de Granada&lt;/i&gt;,&amp;nbsp;Alfred-Dehodencq&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;!--StartFragment--&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;Longo é o caminho&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;É longo o caminho quando a minha amada me espera,&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E lento o meu ginete, o mais veloz de Granada.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Não há lugar com mais gente do que um campo de batalha&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Nem maior glória que o cansaço do vencedor.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mas eu estou só quando não estou com a minha amada,&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E a minha glória é descansar a cabeça no seu colo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;Como são valentes os guerreiros!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Como é valente o guerreiro em combate!&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Isnar morreu a meu lado sem um queixume,&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Cid foi despedaçado pelas patas de um ginete&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E não chorou.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Eu fui ferido profundamente duas vezes,&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Duas vezes correu o meu sangue em abundância,&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Duas vezes caí, duas vezes me levantei.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mas ninguém soube da minha boca que estive quase morto.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Como é valente o guerreiro!&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Quando disse adeus à minha amada, chorei.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Como é fraco o guerreiro, &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Que até uma frágil donzela o faz verter lágrimas!&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Como é fraco nos braços da sua amada&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Aquele que não teme a morte!&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;Morayma vendo partir Boabdil&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Da mais alta torre de Granada&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Vejo partir o meu amado para a batalha.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Choro, mas sem lágrimas,&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Porque quero perceber até o último grão da poeira&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Levantada pelos cascos do seu cavalo,&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Forte como a morte&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E belo como a vida.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Eu temo a coragem do meu amado.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ele despreza a vida &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Porque sabe que, na sua morte,&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Eu o amarei mais ainda.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mas amar mais do que eu amo já é só dor,&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Já só é tristeza.&lt;/div&gt;&lt;!--EndFragment--&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-4072771686392908734?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/4072771686392908734/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=4072771686392908734&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/4072771686392908734'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/4072771686392908734'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2011/02/ben-kassin-7.html' title='Ben Kassin (7)'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-UTY3yED7QkE/TWG5e0fQb0I/AAAAAAAAAOA/AYw6dwCsEiM/s72-c/Alfred-Dehodencq-The-Farewell-of-King-Boabdil-at-Granada.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-2882063045628250930</id><published>2011-02-12T00:26:00.000-01:00</published><updated>2011-02-12T00:26:54.000-01:00</updated><title type='text'>Ahmed Ben Kassin (6)</title><content type='html'>&lt;!--StartFragment--&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-fq1sWun7B3A/TVXhk0MZ1pI/AAAAAAAAAN8/V5sbNpb2Hjo/s1600/Igreja+de+Mondu%25CC%2581jar.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="298" src="http://4.bp.blogspot.com/-fq1sWun7B3A/TVXhk0MZ1pI/AAAAAAAAAN8/V5sbNpb2Hjo/s400/Igreja+de+Mondu%25CC%2581jar.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;Igreja de Mondújar, antiga mesquita onde foi sepultada Morayma&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;O rei Boabdil chorando a morte de Morayma&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;(Segundo um texto publicado pelo jornalista de Almeria Jesus Pozo, numa altura em que Fernando de Castela tinha como prisioneiros os filhos de Boabdil, este lamentou que a morte nunca quisesse nada consigo. Pouco tempo depois, Moyrama, a mulher que ele amou apaixonadamente, consultou o astrólogo Ben-Maj-Kulmut, que previu para o rei uma vida longa para que pudesse sofrer muito. Morayma sobreviveu pouco tempo à queda de Granada, e, apesar de Boabdil ser um homem ainda novo, não voltaria a casar-se.) &lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Morayma, minha amada, minha amada,&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Já não sentes as carícias das minhas mãos &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Nem o calor dos meus beijos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mas se eu pudesse deitar-me a teu lado,&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Até no frio do teu corpo me aqueceria ainda.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Disseram os astros (ou foi maldição?)&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Que longa me seria a vida&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Para que longo fosse o meu sofrer.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mas a minha dor é muito maior do que mil anos de vida.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Morayma, minha amada, minha amada,&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Quem poderei culpar pela nossa morte?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A que Deus, a que demónio, a que força do destino&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Atribuirei as culpas de estarmos mortos?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ferindo uma só vez a morte fez duas mortes.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Morayma, minha amada, minha amada,&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Como viverei sem ti?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Morayma, minha amada, minha amada,&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Como poderei viver só com metade de mim?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Morayma, minha amada, minha amada,&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Como viverei sem mim?&lt;/div&gt;&lt;!--EndFragment--&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-2882063045628250930?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/2882063045628250930/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=2882063045628250930&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/2882063045628250930'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/2882063045628250930'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2011/02/ahmed-ben-kassin-6.html' title='Ahmed Ben Kassin (6)'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-fq1sWun7B3A/TVXhk0MZ1pI/AAAAAAAAAN8/V5sbNpb2Hjo/s72-c/Igreja+de+Mondu%25CC%2581jar.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-993717598839933327</id><published>2011-02-02T23:16:00.000-01:00</published><updated>2011-02-02T23:16:42.911-01:00</updated><title type='text'>Ahmed Ben Kassin (5)</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/TUnzr4zrfwI/AAAAAAAAAN4/YinX7dazaMU/s1600/granada-espanha.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://3.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/TUnzr4zrfwI/AAAAAAAAAN4/YinX7dazaMU/s320/granada-espanha.jpg" width="258" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--StartFragment--&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;Granada, Espanha&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;Durante o cerco de Granada&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Eu partirei chorando as rosas de Granada,&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E muito hei-de chorar pela mais bela de todas,&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Aquela que eu amei como se fosse eterna.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E viverei sabendo o amor e a morte.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mas se a espada infiel me ferir o peito,&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Não tenha piedade do meu corpo&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Nem tema o orvalho rubro que lhe tinja o gume, &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Porque na morte eu talvez não saiba que estou morto.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Lágrima a lágrima verterei o meu sangue por ti, Granada.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;Na queda de Granada&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Vagueia por Granada um pranto mudo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Uma adaga de dor fere-me o coração,&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E a minha alma é como uma cota de malha&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Rota pelo gume da cimitarra. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Há quem procure a piedade da morte.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Muito mais são as dores que as feridas,&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Muito mais são as lágrimas que o sangue.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;(O poema seguinte é uma metáfora, em que a amada é Granada, que caiu sem grande resistência.)&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;Em mãos infiéis&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A minha amada desnudou-se e cobriu-se de vergonha.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Só a vergonha veste agora a minha amada.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A minha amada dormiu com o infiel,&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Entregou-se nos seus braços e deitou-se na sua cama.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Esqueceu as juras de amor que eu lhe fizera&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E deixou-se seduzir por falas mansas.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Como eu entendo que ele a tenha amado, &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A ela, a mais amável de todas!&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Oh, se eu pudesse tê-lo cegado antes que ele a contemplasse!&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mas não tocarei sequer um só dos seus cabelos,&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Para não tornar mais infeliz ainda a minha amada.&lt;/div&gt;&lt;!--EndFragment--&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-993717598839933327?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/993717598839933327/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=993717598839933327&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/993717598839933327'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/993717598839933327'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2011/02/ahmed-ben-kassin-5.html' title='Ahmed Ben Kassin (5)'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/TUnzr4zrfwI/AAAAAAAAAN4/YinX7dazaMU/s72-c/granada-espanha.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-6699160165822202185</id><published>2011-01-26T01:09:00.000-01:00</published><updated>2011-01-26T01:09:38.108-01:00</updated><title type='text'>Ahmed Ben Kassin (4)</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/TT-Bg7YRqiI/AAAAAAAAANw/_4WuCeVxUNc/s1600/Rosa.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="297" src="http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/TT-Bg7YRqiI/AAAAAAAAANw/_4WuCeVxUNc/s400/Rosa.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;!--StartFragment--&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://fineartamerica.com/featured/rain-drops-on-pink-rose-vijay-abhyankar.html"&gt;&lt;i&gt;Rain drops on pink rose&lt;/i&gt; (Vijay Abhyankar)&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;Efémero&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A minha amada estendeu-me a mão esquerda,&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E ofereceu-me um pedaço de Sol&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Como se fosse a sua própria alma.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O resto do Sol chegava ao ocaso.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Eu pensei: “Como vai ser breve, este momento!”&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Mas aquele dia não anoiteceu ainda.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;Orvalho&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A minha amada é bela como as rosas orvalhadas,&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E tem a pele mais suave que as suas pétalas.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Oh, como estou longe agora da minha amada!&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Não posso ver a luz nos seus olhos&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Nem sentir a maciez do seu corpo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O orvalho nas rosas são lágrimas.&lt;/div&gt;&lt;!--EndFragment--&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-6699160165822202185?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/6699160165822202185/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=6699160165822202185&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/6699160165822202185'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/6699160165822202185'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2011/01/ahmed-ben-kassin-4.html' title='Ahmed Ben Kassin (4)'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/TT-Bg7YRqiI/AAAAAAAAANw/_4WuCeVxUNc/s72-c/Rosa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-2072849918904196088</id><published>2011-01-19T23:27:00.000-01:00</published><updated>2011-01-19T23:27:58.454-01:00</updated><title type='text'>Ahmed Ben Kassin (3)</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/TTeBS59D-fI/AAAAAAAAANo/mZiX-s3ISIw/s1600/Roma%25CC%2583s.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://3.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/TTeBS59D-fI/AAAAAAAAANo/mZiX-s3ISIw/s320/Roma%25CC%2583s.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--StartFragment--&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;A minha amada&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Quando penso na minha amada:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Os seios da minha amada são como duas romãs maduras;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O seu cabelo tem perfume de alfazema;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Os seus lábios são da cor do açafrão&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E a sua boca tem o sabor do damasco;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Os seus olhos são como pedras preciosas &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E a sua pele como o oiro da mesquita de Abd-Al-Rahman.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Quando surge a minha amada:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A visão da minha amada é a minha alegria;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;As formas do seu corpo, a minha delícia;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O seu amor, a minha felicidade. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Quando estou junto da minha amada:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Nada é comparável à minha amada.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;No jardim&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A minha amada cantava&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Entre as flores do seu horto.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Vinha no canto o perfume dos goivos e do jasmim,&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A sua voz trazia a fragrância das rosas e dos cravos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Parei a escutá-la,&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Sem saber se deveria abreviar-lhe o canto,&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Correndo para os seus braços,&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ou se melhor seria continuar ouvindo&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A música do Paraíso.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Demorei-me um breve instante apenas,&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;E, quando entrei no jardim,&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ela, triste, perguntou-me&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Por que tardara tanto.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;Como é breve a vida!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;A minha amada&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Faz-me a vida mais curta.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Junto dela, &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Todo o tempo é breve.&lt;/div&gt;&lt;!--EndFragment--&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-2072849918904196088?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/2072849918904196088/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=2072849918904196088&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/2072849918904196088'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/2072849918904196088'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2011/01/ahmed-ben-kassin-3.html' title='Ahmed Ben Kassin (3)'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/TTeBS59D-fI/AAAAAAAAANo/mZiX-s3ISIw/s72-c/Roma%25CC%2583s.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-4924128257687268032</id><published>2011-01-09T21:37:00.000-01:00</published><updated>2011-01-09T21:37:17.519-01:00</updated><title type='text'>Ahmed Ben Kassin (2)</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/TSo3fPapTVI/AAAAAAAAANk/lIaaCJ-8vaI/s1600/Generalife-PatiodelaAcequia_mini.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="314" src="http://4.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/TSo3fPapTVI/AAAAAAAAANk/lIaaCJ-8vaI/s400/Generalife-PatiodelaAcequia_mini.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;Origem da fotografia:&amp;nbsp;&lt;a href="http://img30.imageshack.us/i/Generalife-PatiodelaAcequia_mini.jpg/"&gt;ImageShack&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Nos jardins do Generalife&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como são tristes as rosas do Generalife!&lt;br /&gt;Não têm o perfume da minha amada,&lt;br /&gt;Como são tristes as rosas!&lt;br /&gt;Como são inúteis as suas fontes!&lt;br /&gt;Não bebe nelas a boca da minha amada,&lt;br /&gt;Como são inúteis as fontes!&lt;br /&gt;Como é turva a água nos seus jardins!&lt;br /&gt;Porque não se banha nelas a minha amada,&lt;br /&gt;Como é turva a água!&lt;br /&gt;Como é nítido o sol nas suas flores!&lt;br /&gt;Porque não passeia entre elas a minha amada,&lt;br /&gt;Como é nítido o sol!&lt;br /&gt;Como é mudo o silêncio dentro dos seus muros!&lt;br /&gt;Porque não se ouve a voz da minha amada,&lt;br /&gt;Como é mudo o silêncio!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: auto;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;b&gt;No vale do Wadi-As&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Durante a noite os anjos tinham polido&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;As neves de Sulayr,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Que brilhavam sob o sol do meio-dia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;O espelho das águas do degelo viajava no Wadi-As&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;A caminho do mar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Uma borboleta amarela poisou brevemente&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;No ombro da minha amada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Ela exclamou: “Como tudo é belo!”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Eu disse: “Quero que vejas toda a beleza do mundo.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Sorrindo, respondeu-me:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;“Ainda que vivesse mil anos, não poderia.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Mas eu apenas lhe pedi: “Contempla-te no rio.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;(Wadi-As - actulmente Guadix, nome derivado daquele.)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-4924128257687268032?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/4924128257687268032/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=4924128257687268032&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/4924128257687268032'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/4924128257687268032'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2011/01/ahmed-ben-kassin-2.html' title='Ahmed Ben Kassin (2)'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/TSo3fPapTVI/AAAAAAAAANk/lIaaCJ-8vaI/s72-c/Generalife-PatiodelaAcequia_mini.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-3760617221329094024</id><published>2011-01-04T00:30:00.001-01:00</published><updated>2011-01-04T00:35:15.648-01:00</updated><title type='text'>Ahmed Ben Kassin (1)</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/TSJ3AnS6kGI/AAAAAAAAANg/B3q87VP0W58/s1600/granada_alhambra01.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/TSJ3AnS6kGI/AAAAAAAAANg/B3q87VP0W58/s1600/granada_alhambra01.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Granada - A Alhambra (fonte &lt;a href="http://lexicorient.com/spain/alhambra.htm"&gt;LookLex&lt;/a&gt;)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;As rosas de Granada&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu choro as rosas de Granada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O seu perfume fluía pelas congostas,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Subia até às neves de Yabal Sulayr,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E só se detinha no jardim da minha amada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Perto dela nenhuma flor abria,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Porque ela era pétala e perfume,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vida, ar e luz.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quantas vezes hei-de chorar-te, Granada?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Diz-me quantas,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E eu saberei quantas noites viverei ainda.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(Yabal Sulayr – Serra Nevada)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;No oásis de Wadi-As&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A minha amada descansava debaixo da tamareira grande,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando o Sol a cobria de sombra na luz vertical do meio-dia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Todas as aves conheciam o caminho perfumado pelos seus pés&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E alimentavam-se da fragrância que, descalços, eles deixavam na passagem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois partiam para o Norte sem mais alimento do que esse etéreo,&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Improvável odor a rosas de Andaluzia guardado na memória das suas passadas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No oásis de Wadi-As,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Onde a chuva a dissolveu de mim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Odeio a chuva&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Todos se alegram quando a chuva chega,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas eu odeio-a porque muito amo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Só na refulgência do sol é possível a miragem,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E só na miragem surge o oásis de Wadi-As.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É então que a minha amada caminha entre as tamareiras&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E descansa à sombra da mais alta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sei que ela não é mais que essa miragem,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que não há tamareiras em Wadi-As,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas, a quem não resta mais que ser enganado,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até a mais falsa das miragens o conforta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando a chuva chega,&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Devolve a minha amada à terra de seus pais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(Wadi-As – Guadix, na província de Granada.)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Poemas de Ahmed Ben Kassin, poeta árabe nascido em Granada cerca de 1470, e que acompanhou o rei Boabdil quando este foi expulso da cidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-3760617221329094024?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/3760617221329094024/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=3760617221329094024&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/3760617221329094024'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/3760617221329094024'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2011/01/ahmed-ben-kassin-1.html' title='Ahmed Ben Kassin (1)'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/TSJ3AnS6kGI/AAAAAAAAANg/B3q87VP0W58/s72-c/granada_alhambra01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-1235115392296313891</id><published>2010-12-25T22:36:00.000-01:00</published><updated>2010-12-25T22:36:21.524-01:00</updated><title type='text'>The One-Legged Shepherd</title><content type='html'>(para quem gosta de leituras em inglês, segue a tradução por Katharine F. Baker &amp;amp; Bobby J. Chamberlain, Ph.D, Pittsburgh, Pennsylvania, E.U.A.) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/TRZ_pq5_zCI/AAAAAAAAANc/dum2zoIjQHk/s1600/Postal.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="210" n4="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/TRZ_pq5_zCI/AAAAAAAAANc/dum2zoIjQHk/s320/Postal.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Father-in-law, please phone when you get there.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;His children’s spouses were more solicitous of him than were his two daughters and four sons. He had spent some months in Canada after his wife died. They had prevailed upon him to emigrate, so he would not be alone without anyone to give him loving care. But to him that was no way to live. And the love was not as advertised. He was always stuck in the house. He could not go anywhere except by car. His son-in-law António José was the one who treated him best: took him to Portuguese mass, drove him to Montreal so he could visit his children living there, and cheered him up as best he could. What bothered him above all was spending a month at one house, the next month at another, until he had finished making the rounds among the two sons and two daughters who lived in the city. But they lived so far from one another that it was almost like going from one end of his island to the other. He felt rather like a Holy Ghost crown on its Sunday travels.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As Christmas approached he began saying that he wanted to go home. Not “to Portugal” or “to the Azores,” but simply “home.” In his words and thoughts there was only one home, his own. The one where he had been happy with his wife and with the children, whom he deemed to have been better raised than what he was now seeing, due to changes in customs and feelings that abundance had wrought upon them. For that reason he had to spend Christmas at home. And set up the Nativity Scene for the Christ Child, as always. Not because he was eager to, but because of his sainted wife who was now with God, whom he had promised. For the rest of his life. And he could not imagine missing the midnight Missa do Galo mass at his church, either.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Father, you have to stay,” his daughters and sons told him.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Father-in-law, you have to spend Christmas with us. Don’t even think of leaving,” his son-in-law António José implored.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Baby Jesus is born, and I am dying,” the old man would reply.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;He came back. The day before Christmas Eve. But the plane had to divert to Terceira owing to bad weather. He did not see how he could get home the next day. He phoned, as his son-in-law had asked. His daughter answered. He told her what had happened. “Serves you right. Father, you are so stubborn. And now you won’t get your midnight mass, or anything else.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;He spent the night bundled up in blankets that a charitable soul had fetched from the airline storeroom. And it was not until 10 the next evening that he could start heading for home. He knew he was no longer going to make it in time for midnight mass. His parish priest was responsible for three churches, and would be celebrating mass in the first one at 10:30 p.m., in order to reach the second by midnight, then get to the third at 1:30 a.m. That is what comes of the priest shortage and a decline in traditional level of religious faith, which was also occurring in Canada. Still, it was better than nothing, although to him midnight mass had to be at midnight on the dot. And only next year would it be his parish’s turn to hold it at the right time. God willing.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;He was among the first to board the plane, as if that would enable him to arrive earlier. Since he had not spotted him before, he was surprised to see Padre Augusto, a teacher at the seminary, who greeted him warmly and sat beside him. He recounted to the priest the course of events that resulted in his disappointment.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Padre Augusto offered to give him a lift to the street nearest his house. When they reached the village, one of the ceremonies he liked best had just ended, the kissing of Baby Jesus. It was then that Padre Augusto told him that if he liked, he could still attend a midnight mass. He was going to celebrate it, even if it was just for him alone. Another dozen people showed up. The homily was brief:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“No one would think that a child who was born in a manger and grew up in a land as poor as Nazareth could be so important. As an adult, the first time his words made people uncomfortable, a Pharisee told Nicodemus to investigate and see if this man from Galilee was some sort of prophet. But he was one who challenged those who obey the law without compassion: ‘Let him who is without sin cast the first stone.’ Everyone fled, blaming themselves, because the worst accusation we can suffer is that of our own conscience. We can escape the accusations of others, but never our own. Let us take care that our conscience, which is always with us, may be agreeable company. Like Jesus in the manger.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Padre Augusto said little more. And it was unnecessary.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Once he arrived home, his first saudades were wet with tears for his sainted wife. Then more tears fell in amazement and gratitude, although for whom he could not guess. God be praised, but someone had already set up his Nativity Scene. Exactly as if he had done it himself. And on the bread board sat a round loaf of sweet massa sovada bread; anise, vanilla and tangerine liqueurs, as used to be the custom; and a jug of wine and rabbit stew. He ate and drank, giving thanks without knowing whom he was thanking, or whom he ought to thank.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;That night he dreamed that he was dreaming. This happened to him often – dreaming that he was dreaming. And he dreamed that he was dreaming that God himself was explaining to him how the Nativity Scene had been put up and how everything else had wound up there.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;He saw the figures emerging from their nearly year-long slumber. Startled, they awoke to the restlessness of the one-legged shepherd, who called plaintively to them in the shoe box where they were stored. The one-legged shepherd was the only one who was never placed near the grotto, because his leg had gotten broken off many years before, so in order to stand him upright he had to be leaned against a volcanic rock, in a patch of moss.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“There’s no one to assemble the Nativity Scene,” he said.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“What can we do?” asked another shepherd.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“We’ll set up the crèche ourselves.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;That was a good idea, but who would go hunting for the moss?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“The chimney sweep will, because he’s more used to climbing up and down places than anyone.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;And so it was decided. He gathered moss from the trunk of the old fig tree, from the north-facing wall, and among the narcissus clumps. The crèche stones were all stored in what for many years had been the outhouse at the far end of the pigsty. After that each figure was placed in its customary position. It was then that the laundress hurriedly returned home and fixed the liqueurs, baked the bread and stewed the rabbit. But the one-legged shepherd was the last to arrive, so once more he stood there at the foot of the crèche.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;The next day he picked up the one-legged shepherd and leaned him alongside the manger. (The only detail God had neglected to explain to him in the dream was that observant Jews do not eat rabbit.)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-1235115392296313891?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/1235115392296313891/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=1235115392296313891&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/1235115392296313891'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/1235115392296313891'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2010/12/one-legged-shepherd.html' title='The One-Legged Shepherd'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/TRZ_pq5_zCI/AAAAAAAAANc/dum2zoIjQHk/s72-c/Postal.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-5647366392486094886</id><published>2010-12-21T22:03:00.005-01:00</published><updated>2010-12-21T22:08:43.892-01:00</updated><title type='text'>O Pastor Manco</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/TRExSN3eRJI/AAAAAAAAANU/GuXBgDlR6_k/s1600/DSCF3834.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" n4="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/TRExSN3eRJI/AAAAAAAAANU/GuXBgDlR6_k/s320/DSCF3834.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;em&gt;(Pormenor da gruta do presépio cá de casa. Fotografia de Sérgio Lourenço)&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;(Homenagem ao Padre Dr. Augusto Cabral, no ano do 50º aniversário da sua ordenação)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Meu sogro, quando chegar, que telefone, se faz favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os genros tinham mais cuidado com ele do que as filhas, que eram duas, e os filhos, que eram quatro. Passara uns meses no Canadá, depois de a mulher ter morrido. Convenceram-no a emigrar para não ficar sozinho, sem ninguém que cuidasse dele com amor. Mas aquilo não era vida para si. E o amor não era tanto como apregoado. Estava sempre fechado em casa. Não podia ir a lado nenhum que não fosse de carro. Aquele genro, o António José, era o que o tratava melhor. Levava-o à missa portuguesa, chegou a ir a Montreal para que ele visitasse os filhos que lá viviam, animava-o quanto podia. Incomodava-o sobretudo passar um mês numa casa, o mês seguinte em outra, até se acabar a ronda pelos filhos, dois, e pelas filhas, duas, que moravam naquela cidade. Mas tão longe uns dos outros quase como ir na sua ilha de ponta a ponta. Sentia-se uma espécie de coroa do Espírito Santo nas andanças das Domingas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a aproximação do Natal começou a dizer que queria voltar para casa. Não dizia “para Portugal” ou “para os Açores”, era ”para casa”, simplesmente. Casa, dita por ele, pensada por ele, só havia uma, a sua. Aquela onde fora feliz com a mulher e com os filhos. Que julgava ter educado melhor do que o que via por causa das mudanças de costumes e de sentimentos que a fartura provocara neles. Tinha de passar o Natal era em casa, portanto. E armar o presépio ao Menino, como sempre. Não porque tivesse alegria agora para o fazer, mas porque o havia prometido à sua “santa”, que Deus lá tinha. Até ao fim da vida. Nem poderia imaginar-se sem a Missa do Galo na sua igreja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Meu pai que fique”, diziam-lhe as filhas e os filhos. “Meu sogro há-de passar o Natal é com a gente, nem pensar ir-se embora”, implorava aquele genro, o António José. “O Menino Jesus nasce, e eu morro”, respondia o velho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veio. Na antevéspera do Natal. Mas o avião teve de se desviar para a Terceira, por causa do mau tempo. Não se previa que pudesse chegar a casa durante o dia seguinte. Telefonou, como o genro pedira. Atendeu a filha. Contou o que acontecera. “Bem feito. Meu pai é teimoso. E agora nem Missa de Galo nem nada.” Passou a noite embrulhado nuns cobertores que uma alma caridosa foi buscar ao armazém da SATA. E eram já dez da noite quando, no outro dia, pôde começar a chegar a casa. Sabia que já não ia a horas da Missa do Galo. O padre da sua freguesia era responsável por três igrejas, e celebrava-a na primeira às dez e meia, para poder estar à meia-noite na segunda, indo depois à uma e meia para a terceira igreja. Era no que dava a falta de padres, era no que dava a falta de fé como antigamente, como no Canadá. Sempre era melhor do que nada, mas Missa do Galo, para ele, era à meia-noite em ponto. E só no ano seguinte seria a vez de a sua freguesia a ter à hora certa. Fosse feita a vontade de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi dos primeiros a entrar no avião, como se assim pudesse chegar mais cedo. Sem que tivesse dado por ele antes, viu com surpresa o Padre Augusto, que era professor no seminário, saudá-lo calorosamente e sentar-se a seu lado. Contou-lhe as peripécias da sua desilusão. O Padre Augusto ofereceu-lhe boleia para o último caminho até casa. Quando chegaram à freguesia, tinha acabado uma das cerimónias de que mais gostava, beijar o Menino. Foi então que o Padre Augusto lhe disse que, se ele quisesse, poderia ainda assistir a uma Missa do Galo. Ia celebrá-la, nem que fosse para ele sozinho. Apareceu mais uma dúzia de pessoas. A homilia foi breve. “Ninguém pensaria que um menino que nasceu numa manjedoira, e que cresceu numa terra tão pobre como Nazaré, pudesse ser alguém importante. Quando já era homem, na primeira vez que houve quem se sentisse incomodado com as suas palavras, um fariseu disse a Nicodemos que investigasse e visse se da Galileia tinha vindo algum profeta. Mas foi ele que desafiou os que cumprem a lei sem amor. «O que não tiver pecados que atire a primeira pedra.» Fugiram todos, acusados por si mesmos. Porque a pior acusação que podemos sofrer é a da nossa própria consciência. À dos outros podemos escapar, mas, à nossa, nunca. Cuidemos para que a nossa consciência, que está sempre connosco, seja uma companhia agradável. Como a de Jesus no presépio.” Disse pouco mais, o Padre Augusto. E não era preciso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando chegou a casa, as primeiras saudades foram molhadas em lágrimas pela sua “santa”. Depois, vieram-lhe outras de espanto e de gratidão não imaginava a quem. Fosse Deus louvado, mas alguém lhe armara o presépio. Tal e qual como se ele mesmo o tivesse feito. E, em cima da amassaria, havia um bolo de massa sovada, licor de anis, de baunilha e de tangerina, como à moda antiga, e um canjirão de vinho e coelho guisado. Comeu e bebeu, agradecendo sem saber a quem o fazia ou deveria fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa noite sonhou que sonhava. Acontecia-lhe isso muitas vezes – sonhar que estava sonhando. E sonhou que sonhava que o próprio Deus lhe explicava como havia sido feito o presépio e como fora ali parar tudo o mais. Viu os bonecos despertarem de um sonho de quase um ano. Estremunhados, acordaram com a inquietação do pastor manco, que os chamava aflito na caixa de sapatos onde estavam guardados. O pastor manco era o único que nunca estava perto da gruta, porque tinha uma perna partida havia muitos anos, e por isso, para se aguentar de pé, ficava encostado a uma pedra-queimada, num pasto de musgo. “Não há ninguém para armar o presépio”, disse. “Que é que se há-de fazer?”, perguntou outro pastor. “Fazemos o presépio nós mesmos.” Era boa ideia, mas quem iria buscar o musgo? “Vai o limpa-chaminés, que está habituado a subir e descê-las como ninguém.” Assim foi. Colheu musgo do tronco da velha figueira, do muro virado a norte, de entre as moitas de junquilhos. As pedras do presépio estavam todas guardadas naquilo que durante muitos anos fora a “casinha”, ao pé do curral do porco. Depois pôs-se cada um na sua posição do costume. Foi então que a lavadeira voltou à pressa para casa e fez os licores, cozeu a massa e guisou o coelho. Mas o pastor manco fora o último a chegar, e por isso ficou uma vez mais lá no fim do presépio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No outro dia, pegou no pastor manco e encostou-o à manjedoira. (Deus só não lhe explicara no sonho que os Judeus não comem carne de coelho.) &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Natal de 2010﻿&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-5647366392486094886?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/5647366392486094886/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=5647366392486094886&amp;isPopup=true' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/5647366392486094886'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/5647366392486094886'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2010/12/o-pastor-manco.html' title='O Pastor Manco'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/TRExSN3eRJI/AAAAAAAAANU/GuXBgDlR6_k/s72-c/DSCF3834.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-938320577714551381</id><published>2010-11-21T01:06:00.000-01:00</published><updated>2010-11-21T01:06:18.455-01:00</updated><title type='text'>Carta de Fradique Mendes a Eça de Queirós a propósito do discurso de Sua Excelência (FICÇÃO)</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/TOh-EE_ho3I/AAAAAAAAANQ/2Wh60D9J9C0/s1600/Fradique.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="297" src="http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/TOh-EE_ho3I/AAAAAAAAANQ/2Wh60D9J9C0/s400/Fradique.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Lembra-se decerto, meu caro amigo, daquela espectral figura, homogénea de cima a baixo no seu negro vitalício, que respondia às vezes quando alguém chamava “Eugénio”. A sua morte foi o seu maior vexame. Já todos a pressentíramos, porque já todos interpretáramos os iniludíveis sinais de uma doença hepática fatal. Só ele não. Por isso se escandalizou quando o médico lhe diagnosticou que uma cirrose o extinguiria em breve: “Eu nem sequer sou bêbado, doutor!” E não era – pelo seu critério, não era. Apesar de o seu dejejum consistir em dois ou três copos de Collares, de beber uns quantos cálices de Xerez como aperitivo e meia dúzia de conhaques para ajudar a digestão, não era bêbado, jurava. O certo é que não o víamos vacilar, jamais lançou uma só gota da abundância dos néctares vertidos numa goela sem fundo, não punha um pé fora do sítio certo, nunca engordou uma libra, nunca emagreceu um arrátel. Seroava sorvendo brancos e tintos das melhores castas ou viris carrascões do Cartaxo. Nós conversávamos, e ele bebia. Até que o Martinho fechasse e fôssemos mandados embora curar os excessos no Passeio Público. A espectral figura erguia-se em linha recta, caminhava como uma estátua de bronze animada, sem um desalinho no meticuloso penteado, sem uma ruga no aprumo das calças, e, se era Inverno, tendo o paletó impecavelmente abotoado e sem dobrar as golas para o pescoço, por mais que o frio nos obrigasse ao aconchego de nós mesmos.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Lembrei-me do senhor Dom Eugénio ao ouvir Sua Excelência falar à Nação. Num instante Sua Excelência fez ruir séculos e séculos da dúvida existencial da inscrição do templo de Delfos, que tanto impressionou Sócrates até ao fim da vida. Sua Excelência conhece o mais ínfimo pormenor da sua alma, e do seu espírito, e do seu coração, e do seu povo. Sem ela, a excelência de Sua Excelência, o país seria infinitamente mais infeliz. Na minha comoção agradecida, cheguei a imaginar que, se Sua Excelência tivesse sido rei em vez de D. João III, o miserável Sepúlveda não haveria naufragado em terra de cafres. Ou, se houvesse governado em lugar de D. Carlos, Portugal não teria sofrido a vergonha e o prejuízo do mapa cor-de-rosa. Imaginações vãs, que tanto poderiam ter alcançado estes reis e seus reinados como outros quaisquer da nossa história. Até mesmo um Afonso III, que não deveria ter-se declarado rei de Portugal e do Algarve, mas do Algarve e de Portugal.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Chegado a este ponto, meu caro amigo, nenhuma semelhança terá percebido ainda entre Sua Excelência e a espectral figura. Onde se encontram as duas personagens é na negação daquilo que obviamente um foi e o outro tem sido. O espectro era um bebedor dos mais empenhados de Lisboa, mas nunca deu provas circunstanciais de tal condição. Não o víssemos emborcar quantidades astrais de cálices e de copos, e nenhum de nós acreditaria que fosse bêbado. A sua conduta era irrepreensível e sóbria como a de um monge que bebesse leite e água somente. Pois Sua Excelência afirma que não é político. Candidamente. Com uma convicção daquela óbvia pureza filha da ingenuidade – apesar de já ter ocupado cargos no Estado suficientes para satisfazer as ambições de toda a condal família de Abranhos.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Façamos justiça, porém, a sua Excelência. Assim como ao senhor Dom Eugénio nunca se lhe viu um gesto que o denunciasse como bêbado, de Sua Excelência não se conhece um pensamento à maneira de Gladstone, uma ousadia à Jefferson, ou um golpe de génio à Disraeli. Em suma, Sua Excelência nunca teve um acto político propriamente dito. Por isso, meu caro amigo, curvemo-nos perante a honestidade de Sua Excelência.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-938320577714551381?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/938320577714551381/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=938320577714551381&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/938320577714551381'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/938320577714551381'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2010/11/carta-de-fradique-mendes-eca-de-queiros.html' title='Carta de Fradique Mendes a Eça de Queirós a propósito do discurso de Sua Excelência (FICÇÃO)'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/TOh-EE_ho3I/AAAAAAAAANQ/2Wh60D9J9C0/s72-c/Fradique.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-7447088415508431491</id><published>2010-11-09T23:05:00.001-01:00</published><updated>2010-11-11T01:46:49.031-01:00</updated><title type='text'>Post Scriptum para os “Diários” de Fernando Aires</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/TNnhDoT6oqI/AAAAAAAAANM/wKrIMisUFRc/s1600/Fernando+Aires.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/TNnhDoT6oqI/AAAAAAAAANM/wKrIMisUFRc/s320/Fernando+Aires.jpg" width="234" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Fernando Aires (1928 - 2010)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje a cidade amanheceu cercada de cinzento. É seu velho hábito vestir esse hábito de quase penumbra. Que incomoda. Que amolece o gosto pela vida. Que nos tira a vontade de nos levantarmos. Hoje, a cidade voltou a vestir os seus andrajos mais frequentes, como viúva pobre em permanente aliviar luto. E não me apeteceu levantar. Na minha “Ilha de Nunca Mais” não voltarei a erguer-me. O tempo… o tempo, para mim, agora já “era uma vez”.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A notícia de que não me apeteceu levantar acinzentou de quase trevas pedacinhos de mundo aqui e acolá. Escureceu a claridade na Ponta da Galera. Arrefeceu o vento nordeste na Maia. Gelou corações em Providence ou em Lisboa, em New Bedford ou em Toronto, na Califórnia ou em Santa Catarina. Estranha sensação, esta, a de saber que eu, “uma unidade de sentimentos/ sensações”, fazia parte dos sentimentos bons de tantos amigos.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se for possível farei o possível para estar com ela, mas a Linda ouvirá sozinha a nossa música. Como eu amei esta Mulher! Como ela conseguiu ser o braço que me levantou tantas vezes em manhãs em que não me apeteceu levantar! Mas, hoje, não. Hoje tornou-se no nunca mais. Talvez tentem aliviar este insidioso luto cinzento com um cheiro a flores.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Hoje não me levantei. Não volto a levantar-me, já disse. Não me cansei da vida, nem da família, nem dos amigos. Nem sequer me cansei de mim. Mas tinha de haver este dia. O dia de nunca mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até qualquer dia, companheiros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maia, 9 de Novembro de 2010&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Daniel de Sá)&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-7447088415508431491?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/7447088415508431491/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=7447088415508431491&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/7447088415508431491'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/7447088415508431491'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2010/11/post-scriptum-para-os-diarios-de.html' title='Post Scriptum para os “Diários” de Fernando Aires'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/TNnhDoT6oqI/AAAAAAAAANM/wKrIMisUFRc/s72-c/Fernando+Aires.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-2732505598651155273</id><published>2010-07-07T01:35:00.000Z</published><updated>2010-07-07T01:35:07.794Z</updated><title type='text'>O Abade de Moreira</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/TDPYQLYUC7I/AAAAAAAAAM8/vvWUQczjBKI/s1600/Cavalhadas_18.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" rw="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/TDPYQLYUC7I/AAAAAAAAAM8/vvWUQczjBKI/s320/Cavalhadas_18.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;em&gt;Cavalhadas da Ribeira Seca da Ribeira Grande, que se supõe terem origem nos jogos de canas&lt;/em&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Muito tristes viviam ainda as gentes de São Miguel, e mais que todas a de Vila Franca do Campo, por causa da tragédia que subvertera a capital da ilha na noite de 22 de Outubro de 1522. O capitão Rui Gonçalves da Câmara, que escapara ao cataclismo por se encontrar numa quinta do Cabouco mais a mulher e seu filho Manuel, também tivera muito que chorar, pois morreram todos os restantes da sua casa: as filhas Jerónima e Guiomar, o filho mais velho e um bastardo, sua irmã Melícia e todos os serviçais que haviam ficado em Vila Franca.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assim que por sua própria experiência tão terrível sabia quão grande era a dor que enlutava os sobreviventes e compreendia o terror que em toda a ilha escurecia os corações. Por isso pensou fazer alguma coisa que distraísse os espíritos e alegrasse as almas aflitas. E o melhor que lhe ocorreu foi convocar os cavaleiros de São Miguel para um jogo de canas, de modo a que a luta simulada e o entusiasmo que nela punham todos os que participavam mais os que a ela assistiam os alegrasse ao menos por umas horas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O jogo foi marcado para o Domingo de Páscoa do ano seguinte ao da catástrofe, num campo junto ao mar na Lagoa, onde o capitão residia por causa da fatalidade que lhe sepultara a casa e a maior parte da família.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi esplendoroso o desfile dos cavaleiros, que saudaram na tribuna o capitão Rui Gonçalves da Câmara, sua mulher, D. Filipa Coutinha, e os outros homens importantes que tomaram assento junto dele. Vestiam os desafiantes ricas librés, pelotes ou gibões de seda e de veludo, quase todos de cores garridas e alguns de branco, com abundância de botões de oiro, levando muitos deles dois cavalos ajaezados de tal maneira que se diria que tanto era o cuidado de luzirem luxo os homens nas cavalgaduras como em si mesmos. Só os poucos que foram de Vila Franca, mais doídos que os restantes por mais de perto lhes ter tocado a desgraça, estavam modestamente de preto e roxo. A própria mula que transportava as canas ia muito bem ataviada e com luzentes chocalhos de prata. Pertencia a alimária a André Gonçalves Sampaio, de Ponta Delgada, que por ser muito rico era chamado o Congro, que se tinha nesse tempo como o maior peixe do mar, e dele ficou nome num pico e numa formosíssima lagoa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os combates estavam ordenados de maneira a que os cavaleiros de Ponta Delgada e da Lagoa lutassem contra os de Água de Pau, da Ribeira Grande e de Vila Franca.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Abade de Moreira, que durante alguns anos viveu na Ribeira Grande, era um dos mais destemidos e temidos cavaleiros que foram ao combate. E isso certamente se devia a mais tempo dedicado à arte de bem cavalgar toda a sela do que bem servir a Deus no Seu altar. Coube-lhe a honra de desafiar D. Manuel da Câmara, o jovem filho do Capitão. Mas, se era uma honra ter como adversário aquele que a subversão de Vila Franca tornara herdeiro de Rui Gonçalves da Câmara, não menor honra seria para o moço defrontar o façanhoso Abade daquela vila das Terras da Maia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os dois cavaleiros correram um para o outro parecendo querer que as montadas se chocassem. Mas, como que obedecendo a um sinal combinado, e mal se lhes notando um leve puxão nas rédeas, estacaram a uns trinta passos de distância de focinho a focinho. Pretendia avaliar cada qual a determinação do rival, mas de imediato o Abade de Moreira deu um toque com o joelho esquerdo nas costelas do cavalo, e este arrancou logo em galope, descrevendo círculos, da direita para esquerda, à volta de D. Manuel da Câmara, que mantinha o seu cavalo a rodar sobre as patas de modo a ter os olhos sempre fixos no contendor. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Abade foi observando o modo ágil como cavalo e cavaleiro não lhe davam nunca o flanco, e, numa manobra imprevista inverteu o sentido da corrida, o que fez a multidão gritar de espanto em uníssono, pelo risco de tal manobra e pelo perigo em que se punha o Abade, porque assim dava o lado direito ao adversário, sem a protecção, portanto, da adarga, que levava na mão esquerda. O animal quase bateu com o quadril direito no chão, mas num ápice saiu de uma nuvem de poeira, de narinas muito abertas a latejarem no esforço da corrida. D. Manuel da Câmara, momentaneamente julgando o adversário vulnerável, atirou-lhe a cana quase por instinto. O Abade previra que tal acontecesse, e por isso arriscara a manobra temerária. Mas, em vez de se defender com a adarga, inclinou-se para a direita, ficando com todo o corpo abaixo da garupa, movimento que ajudou o cavalo a equilibrar a projecção do movimento para fora que a meia volta e o galope provocaram.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cavalheiresco, o Abade permitiu que D. Manuel da Câmara fosse buscar outra cana, não mostrado querer atacá-lo sem que ele pudesse atacar também. O moço cavaleiro voltou à luta, e, correndo sempre a direito, passou pelo Abade protegendo o corpo com o corpo do cavalo, como aquele fizera antes. E, sem mudar essa posição, levou o animal a voltear da direita para a esquerda, envolvendo o Abade como este o envolvera antes. Irado por se sentir ameaçado de modo semelhante àquele com que ameaçara, o Abade não obrigou o cavalo a rodar com a rapidez necessária para enfrentar sempre o rival. D. Manuel da Câmara, percebendo-o em desvantagem, mal protegido, atirou-lhe a cana num movimento tão brusco do braço que se desequilibrou ligeiramente. A cana fora mal dirigida, e o Abade, como que tendo-lhe adivinhado a intenção e o desequilíbrio, atirou a sua de imediato, mas o jovem cavaleiro, num prodígio de reflexos, agarrou-se às crinas com a mão direita e protegeu o flanco com o pequeno escudo de coiro, recebendo assim o golpe na adarga.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enquanto a multidão, que viera de todas as partes da ilha, aplaudia o lance certeiro do abade e a ágil defesa de D. Manuel da Câmara, D. Filipa Coutinha enfureceu-se, gritando da tribuna que ao filho a cana deveria ser sempre atirada por cima da cabeça, como se fazia ao rei em circunstâncias iguais. E mais gritou ainda que fossem contra o afrontoso cavaleiro e o matassem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Abade correu até onde estava o seu moço de esporas, que fora dando pequenos trotes com o segundo cavalo para o ter pronto logo que o amo precisasse dele, e, sem descer daquele que montava saltou para cima do outro, pedindo ao moço “dá-me o arremessão”. Por momentos, terá havido quem julgasse que o abade fugia, mas ele logo voltou ao meio do terreiro, bradando: “Venham matar-me, que aqui estou. Mas antes deixarei cinco ou seis mortos e não sacramentados.” &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Rui Gonçalves da Câmara, mais sensato e mais sabedor da honra de ser homem do que a mulher decerto saberia, disse em alta voz para o Abade que atirasse ao filho outra cana. Os ânimos de uns serenaram, os que temiam ter de obedecer a D. Filipa animaram-se, e a capitoa sentou-se de novo, contrafeita mas obediente como convinha ao seu estado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Abade voltou ao moço de esporas, devolveu-lhe o dardo, entregou a adarga, e mandou que ele lhe desse duas canas. O rapaz nem se atreveu a perguntar por que razão o fazia, porque sabia que nada nem ninguém poderia demovê-lo fosse do que fosse, para o bem ou para o mal. Aos que estavam perto o Abade falou, dizendo: “Pediu uma cana, dar-lhe-ei duas.” E, empunhando uma em cada mão, correu de peito aberto, de pé sobre os estribos, na direcção de D. Manuel da Câmara, que temeu precipitar-se em atirar a sua cana, porque, se falhasse, ficaria duplamente à mercê do adversário. Confiou em poder defender-se com a adarga, e só atirar quando tivesse o alvo perto de si. Mas, de modo inesperado, o Abade atirou a cana que levava na mão esquerda à altura da cabeça de D. Manuel, que levantou a adarga para se defender. Quase no mesmo instante, apontou à barriga a outra cana. Sem tempo pare se proteger, o jovem cavaleiro foi atingido no ventre. A cana, muito seca e leve, não poderia fazer ferida grave, mas o rapaz não conseguiu conter um “ah”, mais de espanto que de dor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A multidão aplaudiu em delírio, excepto uns quantos que queriam estar nas boas graças de D. Filipa. O Abade desceu do cavalo, tirou o barrete com a mão direita e passou-o para a esquerda, e, dirigindo-se a Rui Gonçalves da Câmara, de modo a que o filho ouvisse também, disse: “Sois pai de um homem. Servir-vos-ei a ambos em tudo, com a minha bênção, a minha palavra e a minha lança. Basta que preciseis de alguma delas. “&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Nota – Exceptuando a descrição do combate e o final do conto, o mais está de acordo com o relato de Gaspar Frutuoso.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-2732505598651155273?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/2732505598651155273/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=2732505598651155273&amp;isPopup=true' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/2732505598651155273'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/2732505598651155273'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2010/07/o-abade-de-moreira.html' title='O Abade de Moreira'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/TDPYQLYUC7I/AAAAAAAAAM8/vvWUQczjBKI/s72-c/Cavalhadas_18.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-6294927878572545137</id><published>2010-06-12T00:11:00.003Z</published><updated>2010-06-12T01:43:25.580Z</updated><title type='text'>A Lenda das Sete Cidades</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/TBLPT6NQ-eI/AAAAAAAAAM0/XzT-Bo9GCQE/s1600/pastor.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" qu="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/TBLPT6NQ-eI/AAAAAAAAAM0/XzT-Bo9GCQE/s320/pastor.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;em&gt;Pastor&amp;nbsp;Com o&amp;nbsp;Seu Rebanho&lt;/em&gt;, Charles Émile Jacque&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A princesa do reino vem de passeio com a sua ama, e foge-lhe, ao perseguir uma borboleta azul. De repente dá com um pastor na ausência do sono. Pura, pára, em sossego, para não o perturbar. Fascinada pela beleza do jovem adormecido. A ama chama-a, ao descobri-la, e ela faz-lhe sinal de que se cale e não avance. Contempla o pastor, enquanto recua devagarinho, a olhar para ele, porque deseja vê-lo ainda um pouco mais e quer certificar-se de que não desperta. Inventa uma desculpa, diz talvez que um ninho. A ama acredita, voltarão no dia seguinte ao mesmo lugar. A princesa vai chegar-se ao sítio, sozinha, para não assustar o ninho, mente. O pastor desperta com qualquer ruído, ou porque se acabou o sono, e pensa que ainda sonha. A uma princesa pode conceder-se o direito de dizer a um homem “amo-te”. O pastor não o dirá, ainda que o sinta. Mas ela não fala. Os olhos bastam.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Todas as tardes se repete o passeio. Até que a desculpa já não pode ser um ninho e o amor se torna sem remédio. Na corte, há quem grite e quem emudeça, conforme os privilégios da hierarquia lhe consentem manifestar-se contra o inaudito escândalo. Três príncipes esperam uma promessa de casamento. A um deles, a princesa poderá ser dada como penhor para um tratado de paz. A outro, como garantia de um contrato de comércio. A um terceiro, para que no seu reino se abram portos a servir de abrigo às navegações dos barcos que seu pai manda a guerras e mercancias.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A princesa não entende os negócios do Estado, e só diz um nome e uma vontade. O pai convoca a corte e os três embaixadores dos príncipes pretendentes. A princesa veste os atavios da sua nobreza real, e os três embaixadores julgam que ela vale bem um reino ou uma guerra. A ama recebe ordem de a despir, e ela fica quase nua, por momentos. Contemplam-na o êxtase e a vergonha. Dá-lhe o pai, para que as vista, uma blusa pequena, verde como as ervas que há-de invejar aos animais, quando não tiver o que comer, porque a afasta da sua mesa, e uma saia grande, que lhe cai aos pés, azul da cor do céu que há-de cobri-la, quando lhe faltar abrigo, porque a expulsa do palácio. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há quem chore, não ela. Mais real do que nunca, desliza por entre os nobres, os embaixadores, os criados, desce a escadaria sem pressa e sem temor Não corre, saboreia, calma, o primeiro passeio sem a sua ama, goza, antes do gozo, o fascínio do seu amor liberto. Não pensa nos soldados que hão-de morrer na guerra, nos cedros que o seu reino não venderá, nos barcos que hão-de correr perigos de naufrágio. E imagina-se a ser coroada rainha pelas boninas e malmequeres com que o pastor lhe cingirá a cabeça.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O pastor dorme, como sempre, àquela hora. A princesa desperta-o com um beijo. Ele estranha-lhe a roupa, o sinal de que a tomaram livre dos reais deveres, e já pode ser toda dele toda a vida. O pastor não a abraça, não exulta. Quere-a princesa e repudia-a plebeia. Ela vive apenas até ter a certeza de que ele diz o que sente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os deuses, que não olham a preços para conceder prémios ou exercer vinganças, revolvem as entranhas da terra com mil vulcões, que trazem à superfície todas as safiras e esmeraldas que ela guardava no seu seio. E cobrem, com milhões de pedras preciosas, como as últimas cores que a vestiram, um mausoléu enorme de basalto, que tem a forma do corpo da princesa, e muito fundo para que ninguém o veja nem perturbe o sossego dela.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-6294927878572545137?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/6294927878572545137/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=6294927878572545137&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/6294927878572545137'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/6294927878572545137'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2010/06/lenda-das-sete-cidades.html' title='A Lenda das Sete Cidades'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/TBLPT6NQ-eI/AAAAAAAAAM0/XzT-Bo9GCQE/s72-c/pastor.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-7132812740403090323</id><published>2010-06-02T19:05:00.000Z</published><updated>2010-06-02T19:05:25.199Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Terra Permitida'/><title type='text'>Tranças</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/TAaqwJ0NYyI/AAAAAAAAAMs/xu-h1UFTd5Y/s1600/tranca_cabelo.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/TAaqwJ0NYyI/AAAAAAAAAMs/xu-h1UFTd5Y/s320/tranca_cabelo.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;!--StartFragment--&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Elvira indecisa diante do espelho. Finalmente, António resolvera cumprir o desejo de mestre Abílio, e o drama da vida de Cristo estava pronto para ser representado. António tivera dificuldade em convencer a maior parte dos actores, porque nenhum deles experimentara antes a arte de representar, mas o mais complicado fora resolver o problema de Cristo e de Judas. No primeiro caso, que qualquer um até desejaria, porque ninguém mostrou coragem para um papel que requeria aprender longas falas e uma presença quase constante em palco, no segundo por causa do odioso da personagem. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Elvira queria sacrificar o seu cabelo para oferecer a Jesus na figura daquele que ia representá-lo. O pecado que a marcara para toda a vida começara com uma brincadeira das mãos do moleiro nas pontas das suas longas tranças. Por elas suavemente se lhe insinuara o demónio, sem pressas nem maldade aparente. Fora subindo pelas tranças acima, chegara à cabeça, com ternura, tocara-a depois na face com um ar de espanto e de súplica. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Se gostava de que o tempo voltasse para trás, de que tudo não tivesse passado de um sonho mau?... Se preferia ter casado, como as outras raparigas da sua idade, de ter vivido pelo menos um dia a ilusão de ser feliz, de ser considerada uma mulher séria e respeitável?... Quem não o haveria preferido?... Os olhos húmidos por causa desses pensamentos do que fora e do que não fora... E Helena?... Helena não seria sua. Helena talvez não fosse de ninguém se não tivesse sido o seu pecado. Mudaria tudo, mas não a trocaria por nada, só lhe daria uns olhos que pudessem ver. Pelo preço de não ter Helena não mudaria um segundo que fosse da sua vida. Que Deus lhe perdoasse a sinceridade íntima de que era testemunha apenas a sua imagem no espelho, com os cabelos caídos pelos ombros, belos e negros, como se tivesse vinte anos, apesar de estar perto dos cinquenta. Uma beleza que ninguém aproveitou depois daqueles devaneios inconscientes no moinho. Pagara tudo tão caro... E, se mais houvesse ainda para pagar, que a oferta do seu cabelo para fingir que era o de Jesus, embora fingido também, fosse a última prestação, porque com mais nada teria com que pagar fosse o que fosse.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Talvez viesse a arrepender-se. Afinal, para Deus o seu cabelo contaria tão pouco, muito menos do que para ela mesma... Ou seria aquela oferta como o óbolo da viúva pobre de que Jesus falava no Evangelho? Seria Deus tão exigente que uma vida inteira de sacrifício não bastasse para apagar a memória de uns momentos? Quantas vezes fora feliz, e quanto fora feliz nessas poucas vezes? Um vale de lágrimas, o seu percurso neste mundo. É certo que António secara algumas, Deus lhe pagasse tão grande bondade. Ou seria António a janela que Deus abrira depois de se lhe ter fechado a porta da felicidade possível? Era António uma dádiva de Deus, ou uma dádiva de si mesmo? Seria que tudo o que é bom na vida é dado por Deus, e aos homens e mulheres só lhes resta decidir entre fazer ou não fazer coisas mal feitas? Não dissera Jesus à mulher adúltera que fosse em paz e não voltasse a pecar?... Ela não voltara a pecar, pelo menos pecados grandes, desses da carne, ou dos da alma, feitos de ódios e malquerenças. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Deus já lhe teria perdoado, de certeza. Ia chegando ao fim de fazer seis tranças, para que fosse mais fácil cortar o cabelo mais ou menos todo por igual pela base delas. Quando percebessem como estava curto, haveriam de anotar-lhe mais essa leviandade. Não se importava. Nem sequer diria, em sua defesa, a quem o dera. E, se o dissesse, talvez ainda pensassem que cometera um sacrilégio, ou que a sua intenção fora esconder um acto de vaidade por detrás de uma aparente boa intenção. Hesitou ao tocar com a tesoura na primeira trança. Valeria a pena o sacrifício? Ao fim de tantos anos ainda serviria de alguma coisa apagar uma recordação?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A trança caiu quase ao mesmo tempo que duas lágrimas.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;(Do romance &lt;i&gt;A Terra Permitida&lt;/i&gt;)&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;!--EndFragment--&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-7132812740403090323?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/7132812740403090323/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=7132812740403090323&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/7132812740403090323'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/7132812740403090323'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2010/06/trancas.html' title='Tranças'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/TAaqwJ0NYyI/AAAAAAAAAMs/xu-h1UFTd5Y/s72-c/tranca_cabelo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-7149000693094792655</id><published>2010-05-24T23:50:00.000Z</published><updated>2010-05-24T23:50:59.245Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Terra de Bravos'/><title type='text'>Para Elisa</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/S_sQKh4fXBI/AAAAAAAAAMk/7A6l713j9lc/s1600/Angra_Por+do+Sol.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" gu="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/S_sQKh4fXBI/AAAAAAAAAMk/7A6l713j9lc/s320/Angra_Por+do+Sol.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;Numa cidade com "Memória", o longo adeus do Sol de cada dia.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;(fotografia &lt;a href="http://www.photonunosa.com/"&gt;Nuno Sá&lt;/a&gt;, gentilmente cedida por &lt;a href="http://www.veracor.pt/"&gt;Ver Açor&lt;/a&gt;)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-7149000693094792655?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/7149000693094792655/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=7149000693094792655&amp;isPopup=true' title='20 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/7149000693094792655'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/7149000693094792655'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2010/05/para-elisa.html' title='Para Elisa'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/S_sQKh4fXBI/AAAAAAAAAMk/7A6l713j9lc/s72-c/Angra_Por+do+Sol.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>20</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-2832844207249846065</id><published>2010-05-09T23:22:00.001Z</published><updated>2010-05-09T23:22:34.989Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Terra Permitida'/><title type='text'>O cagarro</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/S-dCYlR-XOI/AAAAAAAAAMc/fyArniPB0rA/s1600/cagarro.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/S-dCYlR-XOI/AAAAAAAAAMc/fyArniPB0rA/s320/cagarro.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Cagarro (&lt;i&gt;Calonectris diomedea&lt;/i&gt; ), em algumas ilhas dito "cagarra", ave da família das pardelas.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Cagarro_-_Calonectris_diomedea_borealis.JPG"&gt;Fotografia de Luís Silveira, licenciada pela Creative Commons&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Acabaram-se as ceifas e as debulhas, as vindimas e o vinho doce. O pão a haver foi guardado nas casas-de-milho, os garajaus e os cagarros rumaram a Sul. Quando já com os primeiros frios do Outono apetecia aconchegar mais roupa ao corpo e mais mantas na cama, António descobriu num canto do quintal um casal de cagarros que haviam interrompido a viagem acabada de começar, porque um deles estava doente.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; Nunca roubara um ovo àquelas nem a outras aves, a não ser uma vez, muito criança ainda, de um ninho de canários. E até chegara a meter-se numa briga de pedradas com dois rapazes que se preparavam para pegar fogo a um cagarro que se perdera em terra. Rachara uma das cabeças, e fugira para a justiça que a mãe não tardou a cumprir, porque ainda corria o sangue da ferida aberta pelo tiro certeiro e já a avó do ofendido esbracejava rua abaixo, gritando de tal modo que poderia ouvir-se em Ramá, se ela fosse Raquel e outra a geografia. Garantiu que o neto estava às portas da morte, com menos um alguidar de sangue nas veias e marca para toda a vida na cabeça, se escapasse. Pelos berros que ele deu e pela velocidade com que fugiu aos gadanhos da mãe quando esta lhe desinfectou a ferida com aguardente, facilmente se teria percebido que seria imortal se a cabeça fosse o seu calcanhar de Aquiles. Ficar-lhe-ia de facto para sempre a cicatriz, no caminho de passagem da risca do cabelo penteado para a direita, inaugurando uma nova alcunha na família, o “Cabeça Rachada”, que passaria aos filhos e aos netos por via varonil. A aguardente reabrira-lhe alguns capilares que começavam a fechar, e o conjunto dela com o sangue escorria pela cara e pelo pescoço até à camisa encardida, como se fosse o Cristo dos Terceiros. Um dos irmãos assistia à retirada com um espeto na mão, cheio de teias que fora escarafunchar nos buracos dos carochos, que eram do melhor que havia para estancar hemorragias daquelas. A mãe veio à porta e proclamou “urbi et orbi”: “Se apilho aquele demónio, racho-lhe a cabeça do outro lado, alma do diabo!” Entretanto a avó garantia à mãe do justiceiro que o neto era um anjo sem mácula e António um ferrabrás.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aquela não fora a primeira desinfecção tentada, porque haviam pedido ao irmão mais novo que urinasse na ferida. O pequeno, que no Verão já não andava com o rabo à fresca nem o arrastava no chão de terra batida da casa até ficar negro, e roxo do frio, não o conseguiu por vergonha, ao mesmo tempo que a desorientação de vozes e correrias à sua volta o inibia e o alvo se mexia inquieto no seu campo de pontaria.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt; No dia seguinte, ao passar por acaso à porta do guerreiro em baixa, o doutor Fraga analisou os beiços da chaga. O rapaz esperneou e voltou a berrar desalmadamente enquanto a mãe e a avó o seguravam para o exame clínico feito por caridade. O diagnóstico foi o de que aquilo teria sido coisa para uns dois ou três pontos, mas que não vinha mal nenhum ao mundo por não ter levado os agrafos. E, ao ver a persistência da gritaria que acompanhava o espalhafato dos gestos, afirmou que não havia perigo de infecção porque ele não podia lamber o lanho. A mãe que lhe pusesse um pouco de tintura e, se a não tivesse, repetisse a dose de aguardente. Dose repetida imediatamente, ante a ideia de ser lavado com cachaça outra vez, foi a da gritaria e dos pulos descontrolados, que serviram de pretexto para que a mãe, impaciente e descansada porque não cabia a morte por aquele postigo aberto no casco do filho, o desancasse por conta do petróleo que lhe roubara para pegar fogo ao cagarro.&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 12pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 12pt;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 12pt;"&gt;(Do romance &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;A Terra Permitida&lt;/i&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-2832844207249846065?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/2832844207249846065/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=2832844207249846065&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/2832844207249846065'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/2832844207249846065'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2010/05/o-cagarro.html' title='O cagarro'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/S-dCYlR-XOI/AAAAAAAAAMc/fyArniPB0rA/s72-c/cagarro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-441242921543345910</id><published>2010-04-29T10:56:00.002Z</published><updated>2010-04-29T10:57:46.705Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Terra Permitida'/><title type='text'>Finalmente iguais</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/S9llanXis7I/AAAAAAAAAMU/LYX2k9Tf7gE/s1600/Ru%C3%ADnas+de+Eldena.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/S9llanXis7I/AAAAAAAAAMU/LYX2k9Tf7gE/s320/Ru%C3%ADnas+de+Eldena.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Caspar David Freiderich, &lt;i&gt;Ruína de Eldena &lt;/i&gt;(cortesia de &lt;a href="http://www.casparfriederich.org/"&gt;www.casparfriederich.org&lt;/a&gt;)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Apesar dos cerca de noventa quilos, distribuídos mais em largura do que em altura, com que exibia o seu estatuto social, e de ter mais de quarenta anos, continuava a ser chamado “menino Horácio”. No entanto não foi assim que mestre Abílio o tratou, mas por “senhor”. A mulher estava com os dias contados, e ele mesmo queria encomendar um caixão que fosse digno da desditosa senhora, cujas entranhas iam sendo roídas por um bicho, salvo seja, que só deixaria para os vermes, a quem deveria ser dada a carne, pouco mais do que os ossos sob uma pele translúcida como papel molhado.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chamava-se Maria do Carmo, e era filha de um morgado da Ribeira Grande, daqueles que só conseguiram sê-lo porque havia sido inventada, somente para a zona daquela vila, a vara pequena, que retirava a cada alqueire de terra mais de um quarto da superfície dos alqueires de vara grande, pelo que um hectare valia mais de dez, dos falsos, bem medidos, em vez de pouco mais que sete dos verdadeiros. Mas título era título, ainda que extinto pelo governo do duque de Loulé, e, se ela trazia o sangue meio azulado, o marido tinha a riqueza que lhe faltava para que a baixa fidalguia não lhe fosse inútil, ainda para mais prejudicada pela sua condição de mulher. Desde que casara, passara a ser apenas “Dona Maria”. Chamá-la “Dona Maria do Carmo” não a distinguiria em mais do que uma vintena de mulheres com esse nome, mas fazê-la “Dona Maria” era proclamar a sua vantagem sobre todas, porque todas eram Marias e apenas ela a “Dona”.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A sua morte seria, de alguma forma, uma consolação para a fatalidade dos pobres. Não que a detestassem, pois se a senhora nunca fora notável por grandes rasgos de virtudes tão-pouco o fora por defeitos, mas porque viam nela cumprida aquela lei de igualdade de que nem todo o açúcar de que precisou a salvaria. Mas essa mesma morte assustava também, porque se nem os ricos, que podiam comer toda a carne e todo o doce que quisessem, escapavam à gadanheira aos trinta e seis anos, que poderiam esperar os crónicos famintos de sopa, pão de milho, chicharros e pimenta? &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A senhora sempre fora frágil, mãe de dois filhos que morreram com uns dias de vida e de outros dois nados-mortos, com certeza porque o sangue, que mal parecia sustê-la, não tinha força para valer como devia a uma criatura gerada no seu ventre. De nada lhe serviram as gemadas frequentes, as sopas de cavalo cansado feitas com vinho tinto do Douro e adoçadas com açúcar inglês, nem as papas de farinha Santa, que o estabelecimento de George W. Hayes, de Ponta Delgada, anunciava como “ferruginosa e substancial devidamente analisada e classificada pelo Laboratório de Higiene de Lisboa e recomendada por distintos clínicos da capital. Superior a qualquer outra farinha deste género. Útil para a cura de tosses, anemias, debilidades, etc. e um completo alimento para crianças e convalescentes.” Nem sequer se podia dizer que a pobre senhora morria consolada porque, apesar do cálice de vinho do Porto tomado em jejum para lhe abrir o apetite, sofrera sempre de fastio, um mal estranho que, na freguesia, talvez fosse a única pessoa que sabia o que era. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;(Do romance &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;A Terra Permitida&lt;/i&gt;)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-441242921543345910?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/441242921543345910/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=441242921543345910&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/441242921543345910'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/441242921543345910'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2010/04/caspar-david-freiderich-ruina-de-eldena.html' title='Finalmente iguais'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/S9llanXis7I/AAAAAAAAAMU/LYX2k9Tf7gE/s72-c/Ru%C3%ADnas+de+Eldena.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-2639748334153557260</id><published>2010-04-20T01:07:00.000Z</published><updated>2010-04-20T01:07:57.248Z</updated><title type='text'>Rita Gorda</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/S8z9N2JDQLI/AAAAAAAAAME/JMT0bW6eiqk/s1600/StoriesGrandmaNeverTold.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/S8z9N2JDQLI/AAAAAAAAAME/JMT0bW6eiqk/s320/StoriesGrandmaNeverTold.jpg" wt="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Rita da Silva não era a noiva que Frank Lewis desejara. Quando ele deixou o Faial a caminho dos Estados Unidos, prometeu a sua irmã Carolina que a chamaria logo que tivesse dinheiro suficiente. Os anos passaram sem uma palavra de Frank. Cansada de esperar, Carolina emigrou por sua conta e risco e casou-se com outro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Inesperadamente, Frank mandou cinquenta dólares para pagar a viagem da noiva para os Estados Unidos. A resposta foi a de que ela estava casada. A única que restava era a irmã chamada “Rita Gorda”. Com 1,77m de altura e 90 kg de peso, essa última irmã solteira não era bonita, mas, como Frank tinha enviado já o dinheiro, concordou em que ela deveria ir.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A viagem foi um horror. No barco, Rita esteve sempre enjoada e custou-lhe muito arranjar um lugar reservado que servisse de quarto de banho. A família prevenira-a para não comer a comida de bordo porque o barco era muito sujo, e assim ela alimentou-se de pedacinhos de pão e queijo que levara de casa. Só falava Português, e não teve ninguém com quem conversar durante a longa jornada. A sua única companhia era um livrinho de orações.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desembarcou em Boston, mas tinha ainda um longo caminho a percorrer. A etiqueta da mala pequenina que era toda a sua bagagem dizia Frisco, USA. Agora ia dirigir-se para Ventura, Califórnia, centenas de milhas a sul, mas era sempre o mesmo caminho para os viajantes de Leste. A única coisa que conduzia Rita pelo país fora era o bilhete pregado no casaco, que explicava quem ela era e para onde ia. Quando alguém lhe perguntava, apenas o mostrava. Teve medo também de comer no comboio. Apesar de os revisores terem sido simpáticos quando lhe ofereciam das suas sanduíches, ela pensou que estavam a tentar envenená-la. “Não comas nada, se não souberes o que é”, havia sido prevenida muitas vezes. Sacudia a cabeça e dizia: “No, no, no.” Os desconcertados revisores insistiam: “É bom. Come.” Mas Rita continuava a negar.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/S8z-CL36uNI/AAAAAAAAAMM/fTgVa_dhbOA/s1600/Rita+Gorda.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/S8z-CL36uNI/AAAAAAAAAMM/fTgVa_dhbOA/s320/Rita+Gorda.jpg" wt="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Comida de estranhos não foi a única perturbação da viagem. O comboio parou em Chicago antes da mudança para um linha que atravessaria o sul dos Estados Unidos. Os passageiros deveriam sair, mas Rita desesperadamente teimava em ir para a sala de espera. Agarrando-se à mala e andando cuidadosamente com o primeiro par de sapatos que tivera, apressou-se a ir para o depósito de bagagens. Aí, um negro que tocava banjo “saltou na sua direcção”, contava aos filhos mais tarde. “Ele era como um macaco pequeno.” Aos ouvidos de hoje, isto soa como um terrível preconceito, mas Rita nunca vira um negro. Estava tão assustada que molhou as cuecas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando finalmente saiu do quarto de banho, agarrando ainda as suas coisas com medo de ser roubada, não sabia que caminho tomar para voltar ao comboio. Ficou de pé chorando, aterrorizada por poder ser deixada atrás. O comboio estava prestes a partir quando o revisor reconheceu a portuguesa perdida e a trouxe de volta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Certamente que as suas tribulações deveriam ter acabado quando alcançou a Califórnia, pensou ela, mas ia apanhar outra desilusão. A grande e humilde mulher foi recebida por um homem pequeno com um casaco de couro. Tinha 1,65m e ficava-lhe pouco acima do ombro. Fumava e conduzia uma mota. Ela olhou-o de relance e explodiu em lágrimas. Mas não tinha escolha. Ele pagara-lhe para vir, portanto tinha de tornar-se sua mulher.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(Excerto do livro Stories Gandma Never Told, de Sue Fagald Lick, escritora americana de ascendência açoriana. A tradução correu por minha conta. Esta escritora tem uma página pessoal com o endereço &lt;a href="http://www.suelick.com/"&gt;http://www.suelick.com/&lt;/a&gt;)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-2639748334153557260?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/2639748334153557260/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=2639748334153557260&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/2639748334153557260'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/2639748334153557260'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2010/04/rita-gorda.html' title='Rita Gorda'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/S8z9N2JDQLI/AAAAAAAAAME/JMT0bW6eiqk/s72-c/StoriesGrandmaNeverTold.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-4117476419539336571</id><published>2010-04-11T22:06:00.002Z</published><updated>2010-04-14T22:29:32.425Z</updated><title type='text'>Parati, Madrinha, ou Florianópolis</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/S8JG3mqADZI/AAAAAAAAAL8/NxQ0LWOipTE/s1600/Agualva%2BPraia%2Bda%2BVit%25C3%25B3ria.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/S8JG3mqADZI/AAAAAAAAAL8/NxQ0LWOipTE/s320/Agualva%2BPraia%2Bda%2BVit%25C3%25B3ria.JPG" wt="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;Agualva (fotografia de &lt;a href="http://inconcreto.blogspot.com/2009/10/agualva_31.html"&gt;Tibério Dinis, &lt;em&gt;In Concreto&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;, 31 de Outubro de 2009)&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;(Como a Isabel me pediu um cheirinho do Francisco Cota Fagundes, aqui o deixo neste excerto da narrativa cujo título acima está. Não pedi licença ao autor, mas peço desculpa do abuso.)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fui criado com uma dieta de estórias brasileiras que tu ouviras no teu Brasil; ou estórias que, decalcadas sobre outras que terás ouvido, inventavas para me fascinar e, quando te convinha, me amedrontar. Era a mula sem cabeça, eram os caiporas que, se bem me lembro, eram criaturas humanóides, miudinhos, que, às tantas da madrugada, tu punhas a sair do mar, de charuto aceso, e se espalhavam pelos bairros do Rio, incluindo o teu. E nunca se sabe! Um dia podiam vir, das bandas da Vila Nova, já mais cresciditos, e aparecer na Agualva, pois caiporas há por toda a parte! “Lá nessa tens razão”, dizia a Tia Chica, tua mãe, aludindo ao significado de caipora na Terceira, que é desgraçado ou infeliz. Não pronunciavas essa e outras palavras brasileiras – alamoa, curupira, boitatá – saboreava-las, deglutia-las, como se elas fossem frutos tropicais. E fazias-me repeti-las, ingeri-las. E tantos eram os bichos, alguns deles indubitavelmente inventados por ti, que tiravas do alforge da memória para me tornares um pequeno bem ensinado, que era um dos teus sonhos – a bernunça, o corpo seco, o bumba-meu-boi – para os quais a tua dadivosa e inventiva memória de imediato fabricava estórias. Lobisomens também os tínhamos na Agualva, mas os teus falavam com sotaque brasileiro, impunham respeito: sô fiu di padre! diziam eles quando eram trancados e interpelados. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Também trouxeras do Brasil muitos exemplares de literatura de cordel – em que aprendi as primeiras letras. &lt;i&gt;A História Nova do Imperador Carlos Magno e dos Doze Pares de França – Contém a grande Batalha que teve com Malaco, Rei de Fez, a qual venceu Reinaldos de Montalvam e dos muitos trabalhos que este padeceu por traição de Galalão, sendo sempre leal, constante na Fé, o melhor dos doze Pares, editado em São Paulo pela Livraria Magalhães, Rua do Comércio, 27&lt;/i&gt;. Que pena não ter data! Tal o teu fascínio com os Doze Pares de França, fascínio esse que trouxeste do Brasil e divulgaste na Agualva, que até o nosso cão, que o Padrinho queria chamar Calçado e eu o Cagunças, tu insististe que se chamasse o Roldão. E foi abraçado a ele e banhado em lágrimas que no dia em que emigrei prometi: “Volto um dia, Roldão. Hás-de ver!” Mas não viu, pois pouco depois morria.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Talvez fosse do Brasil que também havias trazido o preconceito que tinhas contra morenos. Escurinho como sempre fui, tu imaginavas – digo mal: sabias dum saber todo teu e de experiência feito – que mulher nenhuma jamais se interessaria por mim. “Jeitosinho mas trigueirinho!” era uma maneira que – quantas vezes ta ouvi! – utilizavas para me caracterizar e, quem sabe, para me incutires a ideia de que não deveria esperar muito das mulheres; que não devia andar ao sol, que só deveria andar na rua no Verão com o meu chapéu de palha, que os tinha à escolha, pois tu comprava-los de vários feitios e cores para me protegeres. E, quando tudo o mais falhava, tu tinhas a urina. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;― Faz chichi na mão e lava à cara! ―, gritavas tu. Ou:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;― Não faças chichi ainda para poderes fazer na mão antes de te deitares!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era a tua maneira de me esbranquiçar a cara, de me tornar bonito, de me tornar desejável para as mulheres, lindas como tu eras e de pele tão alva como Branca de Neve, como a tua. Infelizmente, foram nove anos desperdiçados de lavar a cara com chichi – que poucos, ou quase nenhuns futuros resultados positivos me trouxeram!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Daí que ultimamente, Madrinha, tenha pensado muito em Florianópolis. Não, nunca me falaste desse lugar, ou pelo menos não me recordo de jamais o teres feito. Quero que saibas, porém, que é um lugar muito lindo – nunca lá estive, mas já vi em fotografias. Mas a sua beleza não é o que me interessa, Madrinha. É que – coisa de todas a mais curiosa de entre todas as que tenho ouvido! – em Florianópolis, que também é uma ilha, as pessoas gostam de açorianos! Ouviste mal, Madrinha? Repito: naquela terra abençoada, as pessoas gostam de açorianos! Tanto, tanto, que até parece que os italianos, os polacos, os alemães (sim, até eles!) e diabos a quatro todos querem ser, ainda que não sejam, açorianos. E lá têm festas açorianas, e outras que não são mas que as pessoas insistem que podem ser, talvez sejam, com certeza que são – açorianas. E até há agora uma festa chamada Açor! E olha, Madrinha, não me importo muito que as festas do Espírito Santo – que por lá se chamam do Divino – sejam diferentes das nossas! E que importa que a farra do boi e o pão-por-Deus não sejam iguais aos nossos? Sabes que nunca me importei com touros e que o pão-por-Deus era para a gentalha pobre a que tu não me querias ver associado. Lembras-te das estórias que eu te contava, nas minhas visitas à Terceira depois de anos e anos de América, a muitos anos da tua morte, que na América os açorianos disfarçavam os nomes, às vezes a naturalidade, porque ninguém sabia o que era açoriano e, quando sabiam, não gostavam de nós? Ainda te lembras, pois não, de eu te contar a história daquela moça arménia-américas, que tinha umas sobrancelhas que pareciam um silvado por roçar, que conheci em Los Angeles e que gostava de mim mas suspeitava que, sendo dos Açores, eu era com certeza um indígena – e que, sendo-o, podia conspurcar-lhe o útero com o meu esperma e infectar-lhe os filhos com as minhas taras primitivas de selvícola? &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-4117476419539336571?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/4117476419539336571/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=4117476419539336571&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/4117476419539336571'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/4117476419539336571'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2010/04/parati-madrinha-ou-florianopolis.html' title='Parati, Madrinha, ou Florianópolis'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/S8JG3mqADZI/AAAAAAAAAL8/NxQ0LWOipTE/s72-c/Agualva%2BPraia%2Bda%2BVit%25C3%25B3ria.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-5153423409375432514</id><published>2010-03-28T16:21:00.000Z</published><updated>2010-03-28T16:21:37.313Z</updated><title type='text'>Vigarice, digo eu</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/S6-Bv4SlzVI/AAAAAAAAAL0/zt1voikVbDU/s1600/vigarista.bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" nt="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/S6-Bv4SlzVI/AAAAAAAAAL0/zt1voikVbDU/s320/vigarista.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Imagine quem me lê que recebe, nos Açores, uma mensagem electrónica em que lhe são pedidos 42€ para levantar uma encomenda na alfândega do aeroporto Sá Carneiro. “Delete”, não é? Foi o que fiz, há uns meses, convencido de estar a ser aliciado para uma burla. Mas, no dia seguinte, o Francisco Cota Fagundes perguntou-me, dos EUA, se eu recebera o pacote. Foi então que a verdade caiu em mim. O meu amigo enviara-me cópia do original do seu novo livro para eu dar parecer e alinhavar prefácio. Voltei a receber notícias da alfândega e, logo depois, da FedEx, o transitário que se encarregara de fazer chegar a coisa a Portugal, mas como se se tratasse de outra Maia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Resumo o enredo da rábula. Nos EUA pediram declaração do valor da encomenda, e a Deolinda, mulher do Cota Fagundes, que fora tratar do envio, arredondou em dólares o preço das fotocópias, e disse trinta. Para despesas da viagem, fizeram a senhora despender mais de oitenta. A alfândega, somando um valor e outro e dividindo mais ou menos por dois, encontrou a taxa que eu deveria pagar ao Estado. Quanto à FedEx, com delegação em Moreira da Maia, não me poria a encomenda nesta Maia micaelense sem o pagamento do envio de lá para cá.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como era fácil substituir as fotocópias por outras, dei autorização para que fossem queimadas. O meu amigo mandou-as também para a fogueira. Mas não queimariam as folhinhas sem um de nós pagar os 42€. Entretanto, um funcionário americano da FedEx tentara convencer o Francisco Fagundes de que só há uma Maia em Portugal. E, pior do que isso, garantia-lhe que os Açores são uma região de Espanha! O meu amigo acrescentou esta história às outras do livro. E está muito satisfeito por ter assegurado a eternidade num pacote que jaz numa alfândega do Porto. Porque, enquanto um de nós não pagar os ditos euros, não o queimam.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;P.S. – Quem vir por aí, daqui a uns meses, um livro chamado “A Lagoa dos Castores” e Outras Narrativas da Minha Diáspora, não perca a oportunidade de se deliciar com três dezenas de excelentes histórias. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-5153423409375432514?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/5153423409375432514/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=5153423409375432514&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/5153423409375432514'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/5153423409375432514'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2010/03/vigarice-digo-eu.html' title='Vigarice, digo eu'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/S6-Bv4SlzVI/AAAAAAAAAL0/zt1voikVbDU/s72-c/vigarista.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-7410400604113230881</id><published>2010-03-21T18:22:00.000-01:00</published><updated>2010-03-21T18:22:39.193-01:00</updated><title type='text'>Um Poeta da nossa casa (paráfrase sobre um poema de Emanuel Félix)</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/S6ZxliQFerI/AAAAAAAAALs/GqPILk_HFec/s1600-h/emanuel-felix.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/S6ZxliQFerI/AAAAAAAAALs/GqPILk_HFec/s320/emanuel-felix.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Emanuel Félix (1936 - 2004)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;!--StartFragment--&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Como eu amo este poeta cá de casa!&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;(Da nossa casa, concha nove vezes repetida.)&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Discreto fabricante de palavras, &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Guarda o seu sonho como se guardasse o nosso,&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Como se lhe tivéssemos dado todos os poderes&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;De dizer o que haveríamos de dizer&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Se o pudéssemos dizer.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Como se nascesse nos seus versos&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;O canto mudo da nossa casa nove vezes calada, &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Nove vezes cercada antes da própria fala.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Nulo é o chão sob os seus pés&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Que anunciam a paz enquanto se ouvem palavras&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Tão suaves como todos os silêncios.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;E fica um rastro suave de bondade,&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Como um cheiro de pão quente&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;E de leite acabado de ordenhar.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;E qualquer hora do dia é sempre madrugada,&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Quando escutamos a inquieta maresia&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Onde começam as viagens possíveis&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Com santo e senha leves e frescos&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Como as folhas na Primavera.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Não sabemos a cor dos seus olhos, &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Mas sabemos que neles também se acende o sol&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Quando as sombras pousam &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Sobre a concha nove vezes repetida.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Esse o destino dos que anunciam a paz, &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-left: 35.4pt;"&gt;Com o talento imenso da bondade&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;E a bondade imensa do talento.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;(De vez em quando&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Deus tem momentos de generosidade como este:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Repete o Seu gesto criador do sexto dia&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;E dá-nos, sem que o saibamos merecer,&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Um Homem assim.)&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;Daniel de Sá&lt;/div&gt;&lt;!--EndFragment--&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-7410400604113230881?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/7410400604113230881/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=7410400604113230881&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/7410400604113230881'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/7410400604113230881'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2010/03/um-poeta-da-nossa-casa-parafrase-sobre.html' title='Um Poeta da nossa casa (paráfrase sobre um poema de Emanuel Félix)'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/S6ZxliQFerI/AAAAAAAAALs/GqPILk_HFec/s72-c/emanuel-felix.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-7679105891822549860</id><published>2010-03-11T20:39:00.000-01:00</published><updated>2010-03-11T20:39:24.740-01:00</updated><title type='text'>O que se diz dos Açores!...</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/S5liZ2UT4OI/AAAAAAAAALk/fXJZGCB_SRA/s1600-h/fotos+gauderias+028.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/S5liZ2UT4OI/AAAAAAAAALk/fXJZGCB_SRA/s320/fotos+gauderias+028.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'trebuchet ms', tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="-webkit-border-horizontal-spacing: 3px; -webkit-border-vertical-spacing: 3px; font-size: 13px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'trebuchet ms', tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="-webkit-border-horizontal-spacing: 3px; -webkit-border-vertical-spacing: 3px; font-size: 13px;"&gt;A&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="-webkit-border-horizontal-spacing: 3px; -webkit-border-vertical-spacing: 3px; font-size: 13px;"&gt;ssis Brasil, um dos melhores escritores de Língua Portuguesa, é natural de Porto Alegre e descendente de açorianos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'trebuchet ms', tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="-webkit-border-horizontal-spacing: 3px; -webkit-border-vertical-spacing: 3px; font-size: 13px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'trebuchet ms', tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="-webkit-border-horizontal-spacing: 3px; -webkit-border-vertical-spacing: 3px; font-size: 13px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'trebuchet ms', tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="-webkit-border-horizontal-spacing: 3px; -webkit-border-vertical-spacing: 3px; font-size: 13px;"&gt; &lt;!--StartFragment--&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'trebuchet ms', tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: small;"&gt;&lt;div class="MsoBodyText" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: windowtext;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Numa viagem virtual pelos atalhos da Internet, encontram-se informações sobre os Açores absolutamente fantasiosas. Para todos os gostos... ou desgostos. Há por exemplo um sítio francês, da responsabilidade de uma organização de ajuda aos países pobres da África, que nos põe no primeiro lugar da lista, elaborada por ordem alfabética. Mas, dito por uma nossa Direcção Regional da Cultura de há vinte e tal anos, pode ler-se que a música do hino dos Açores foi escrita por Teófilo Frazão! Outros sítios copiaram a informação, e o erro multiplicou-se, enevoando a verdade e a memória de Joaquim Lima, regente da banda Marcial Bom Jesus, de Rabo de Peixe, que o tocou pela primeira vez em 1894. Não haverá alguém que lhe devolva a autoria?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Há algum tempo, o meu amigo Manuel Estrada, médico no Cartaxo, descobriu um sítio do departamento de cultura de um simpático município brasileiro. Lá se dizia que o povoamento dos Açores foi feito à base de criminosos, mendigos e velhos. O pior é que mesmo entre nós não falta quem tenha a ideia de que os primeiros açorianos foram sobretudo foragidos. Não imagino como nasceu a lenda. Gaspar Frutuoso deixou a lista dos principais entre essa gente, que pertencia à melhor fidalguia do Reino. É verdade que alguns condenados foram mandados para cá, mas não se tratava sequer de grandes criminosos, porque esses eram castigados com a forca, membros decepados ou, mais tarde, desterro para S. Tomé, o mais terrível dos exílios. Entre os que vieram cumprir tal pena para Santa Maria, conta-se, por exemplo, uma menina de dez anos, condenada por ter matado, acidentalmente por certo, uma criança. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;E será que vieram velhos, como constava no tal sítio? Trata-se com certeza de confusão com o nome da ilustre família dos Velhos, pois que vários foram os familiares de Gonçalo Velho Cabral, comendador de Almourol, que se lhe juntaram em Santa Maria, mas todos homens na força da vida ou muito jovens mesmo. Pobres também vieram, naturalmente, para todos os trabalhos que os fidalgos não faziam. Mas não mendigo, com certeza. E, se eram mendigos no Reino, cá deixaram de o ser.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;No mesmo sítio dizia-se que para a colonização do Brasil, a meados do século XVIII, foram enviados muitos velhos e doentes. Pura invenção. Perderam-se todas as relações de emigrantes, mas, a serem cumpridas as exigências da Coroa, os homens não teriam mais de quarenta anos e as mulheres trinta. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;O problema parece estar na existência de duas correntes no Sul do Brasil. Uma que vai mantendo e reavivando as suas raízes açorianas, de que se orgulha, outra que vê nesses mais de seis mil emigrantes a razão de algum atraso do Brasil meridional. Em contraponto, a colonização italiana, e sobretudo a alemã, seria a de todas as virtudes. Ora os açorianos foram pioneiros absolutos. A sua função principal foi assegurar a presença portuguesa nas fronteiras com as colónias espanholas, garantindo o cumprimento do tratado de Madrid. Para isso, tiveram de suportar dificuldades sem conta. Se o clima não lhes era adverso, já os terrenos agrícolas eram totalmente distintos dos nossos. Tratava-se de solos sedimentares, menos férteis do que os vulcânicos das ilhas, que não permitiam a maior parte das culturas a que estavam habituados, a começar pelo trigo, o que os obrigou a aprenderem a usar a farinha de mandioca.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Foram eles que desbravaram. Quem veio a seguir já encontrou um ambiente propício à prosperidade cujo mérito há quem queira atribuir-lhe em exclusivo. Como nota final, diga-se que a Drª. Lélia Nunes, informada por mim a respeito dos erros do sítio referido, escreveu de imediato ao prefeito. E este também de imediato respondeu. As informações sobre o povoamento dos Açores e a colonização do Sul do Brasil por açorianos foram apagadas, enquanto que a Drª. Lélia Nunes foi convidada para colaborar na reposição da verdade.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;!--EndFragment--&gt;   &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-7679105891822549860?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/7679105891822549860/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=7679105891822549860&amp;isPopup=true' title='25 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/7679105891822549860'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/7679105891822549860'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2010/03/o-que-se-diz-dos-acores.html' title='O que se diz dos Açores!...'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/S5liZ2UT4OI/AAAAAAAAALk/fXJZGCB_SRA/s72-c/fotos+gauderias+028.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>25</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-1378720365392417097</id><published>2010-03-03T19:38:00.000-01:00</published><updated>2010-03-03T19:38:55.407-01:00</updated><title type='text'>Outra vez o plágio!</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/S47HvItWpjI/AAAAAAAAALc/1z7BuJDMy2g/s1600-h/jpg_forca-2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" kt="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/S47HvItWpjI/AAAAAAAAALc/1z7BuJDMy2g/s320/jpg_forca-2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;No tempo do Rei-Sol, forca para os plagiadores... mas sem trampolim&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há dias, como consta aí mais abaixo, publiquei o “Auto do Plágio”, aludindo a um acto difícil de entender e muito menos de aceitar. Tratou-se de alguém que há uns pares de anos enviou do Algarve para um jornal dos Açores o poema Canção do exílio, de Gonçalves Dias, poeta brasileiro do século XIX. Pensei que não fosse possível dar de caras com algo pior, no género. Mas é, meus amigos! E sem um oceano de mar e outro de tempo a separar o original e a cópia, mas dentro da mesma cidade e no mesmo mês! &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um amigo meu, José Manuel Rebelo, publicou no número de Janeiro da revista O Tripeiro uma belíssima evocação de Artur d’Oliveira Valença, feita com o cuidado e o saber de quem está habituado a escarafunchar os velhos papéis com que se faz ou refaz a História. Deu ao seu trabalho o título “Um Tripeiro de Fibra”. Pois não é que, no dia 26 daquele mês deste ano da graça de 2010, alguém lhe copiou integralmente o artigo e o assinou com o seu nome? E num jornal que é para mim uma referência da juventude, O Primeiro de Janeiro. Como se isso não bastasse, inseriu o texto num seu blogue, com a indicação de que fora publicado naquele jornal na data já dita. E, porque nestas coisas há sempre uma ironia à altura do atrevimento, chama-se aquele blogue “Verdade-Razão”!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas o homem não mudou nada? Mudou, sim. O título. Que ficou como se segue: “No ano de celebrar o centenário da República Portuguesa”. Ah, e alterou mais um bocadinho, o mínimo indispensável. Trata-se da introdução do artigo que, no caso da revista O Tripeiro, foi feita por Artur Santos Silva. Por curiosidade, aqui deixo as duas introduções, para comparação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Introdução da revista O Tripeiro: &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Neste ano em que se celebra o centenário da República, é perfeitamente justificada a evocação e homenagem a Artur d`Oliveira Valença, um portuense homem de acção, combatente da liberdade, jornalista, empresário desportivo, activista político e lutador contra a ditadura salazarista. O homem que, ainda menor de idade, organizou o Batalhão de Voluntários Portugueses e Brasileiros na 1ª Guerra Mundial, que viria a estar na origem do Corpo Expedicionário Português. E que, durante toda a sua vida, se manteve fiel aos ideais da Democracia e da Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Um testemunho aqui trazido por José Manuel Tavares Rebelo, um historiador ligado familiarmente a Oliveira Valença, por ser casado com a sua filha, Olímpia, a quem (também) dedica este texto.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Introdução de O Primeiro de Janeiro:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“No ano em que se celebra o centenário da República, é perfeitamente justificada a evocação e homenagem a Artur d`Oliveira Valença, um portuense de acção, combatente da liberdade, jornalista, empresário desportivo, activista político e lutador contra a ditadura salazarista. O homem que, ainda menor de idade, organizou o Batalhão de Voluntários Portugueses e Brasileiros na 1ª Guerra Mundial, que viria a estar na origem do Corpo Expedicionário Português. E que, durante toda a sua vida, se manteve fiel aos ideais da Democracia e da Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Um testemunho aqui relatado por Mário de Sousa, um portuense ligado familiarmente a Artur d`Oliveira Valença, por ser Tio de suas netas, Diana Isabel Valença de Sousa (com 10 anos de idade) e Carla Alexandra Valença de Sousa (com 9 anos de idade) filhas de sua filha Diana Valença (cunhada de Mário de Sousa), a quem também dedica este texto.”&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-1378720365392417097?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/1378720365392417097/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=1378720365392417097&amp;isPopup=true' title='40 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/1378720365392417097'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/1378720365392417097'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2010/03/outra-vez-o-plagio.html' title='Outra vez o plágio!'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/S47HvItWpjI/AAAAAAAAALc/1z7BuJDMy2g/s72-c/jpg_forca-2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>40</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-6026235937881716399</id><published>2010-03-02T00:44:00.001-01:00</published><updated>2010-03-02T00:51:54.473-01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Feliz Aniversário'/><title type='text'>Um ano depois (nota do editor)</title><content type='html'>Sendo &lt;a href="http://oespolio.blogspot.com/"&gt;O Espólio&lt;/a&gt;&amp;nbsp;a minha oferta de aniversário ao meu pai no ano passado, hoje &lt;a href="http://oespolio.blogspot.com/"&gt;O Espólio&lt;/a&gt;&amp;nbsp;faz um ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O leitor de música foi actualizado tendo em conta este dia especial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rodrigo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-6026235937881716399?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/6026235937881716399/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=6026235937881716399&amp;isPopup=true' title='20 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/6026235937881716399'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/6026235937881716399'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2010/03/um-ano-depois-nota-do-editor.html' title='Um ano depois (nota do editor)'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>20</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-6892285524332450886</id><published>2010-02-24T21:20:00.003-01:00</published><updated>2010-02-24T21:24:59.290-01:00</updated><title type='text'>Auto do Plágio</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/S4WjBEw4cXI/AAAAAAAAALU/OFbNUj4X77Q/s1600-h/gonca2.gif" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5441934963601076594" src="http://4.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/S4WjBEw4cXI/AAAAAAAAALU/OFbNUj4X77Q/s400/gonca2.gif" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 400px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 304px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Gonçalves Dias (fotografia encontrada em &lt;/span&gt;&lt;a href="http://portalliterario.sites.uol.com.br/goncalves_dias.htm"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Portal Literário&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Num dia em que o Sporting apanhou três do Gil Vicente, não fiquei lá muito bem disposto. Para me vingar, brinquei a propósito de um poema publicado em dois jornais açorianos. Não haveria nada de mal se esse poema não fosse de António Gonçalves Dias, poeta brasileiro do século XIX, mas assinado por alguém vivo... E palavra de honra que nem sequer me dei conta da ironia: o que eu fiz foi uma imitação, embora mal feita, de Gil Vicente, o de outros dramas... Aqui o deixo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Personagens:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Gonçalves Dias;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Anjo da Guarda;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Diabo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;ANJO – Aonde ides tão asinha?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;G. D. – Vou ali e volto já.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;A – Levais cara muito má...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;GD – Mas a culpa não é minha.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;A – De quem é, se a cara é vossa,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;E tanto vai transtornada?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;GD – Meu anjo, não há quem possa,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Ter cara bem figurada&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Se nos rouba a canalhada&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Uma coisa que é bem nossa&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;E que custou a ganhar&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Ou a fazer...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;A – Pois então...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;GD – Eu vou ali ensinar&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Um descarado ladrão&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Que pegou nuns versos meus&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;E sem vergonha os fez seus.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;A – Ensinar um ignorante&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;É obra bem compensada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;GD – Mas este, que é um tratante,&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Ensino-o à bofetada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;A – Tende cuidado, que a ira&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;É muito má conselheira.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;DIABO – Vai depressa, vai, atira,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Com pontaria certeira,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Ao focinho do impostor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;A – Não façais caso, senhor&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Poeta António Gonçalves.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;E se morreis condenado?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;D – Que importa que não te salves&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Se morreres consolado?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Dou-te boa companhia,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Que no inferno não falta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Há lá tanta fidalguia,&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Da mais pequena à mais alta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Há padres, frades e bispos,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Cardeais e arcebispos,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Papas até, podes crer.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;GD – Mas com quantas bofetadas,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Gostaria de saber,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Mereço tal companhia?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;D – Se forem muito bem dadas,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Com ira e raiva mandadas,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Eu até me atreveria&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;A dizer duas ou três.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;GD – Podes bem contar comigo,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Que, para tão ruim rês,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Eu juro que não consigo&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Parar antes de umas trinta&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Ou de quarenta talvez.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;A – Não deixeis que ele vos minta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;D – Estou dizendo a verdade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;A – Não deixeis que ele vos tente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;GD – Mas não há cristão que aguente&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Uma tão grande maldade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;D – Dá-lhe, Dias, dá-lhe forte.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;A – Depois, na hora da morte,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Gostareis de ver sentado,&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Rindo à vossa cabeceira,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Este maldito enviado&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Do inferno mais medonho?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;GD – Meu anjo, por vez primeira,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Mais paciência vos peço&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Para o empenho em que ponho&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Minha ira verdadeira.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Depois, eu juro, confesso&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Este pecado e os mais&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Em que amiúde tropeço,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Pois sou fraco.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; D – Se não vais&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Ficas tão enxovalhado&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Que dez dias de barrela&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Não te deixarão lavado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;A – Por Deus eu vos esconjuro&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;A ter imensa cautela&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;E ser mais ajuizado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;GD – Eu afirmo aqui e juro,&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Está dito e destinado:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Aquele patife tem&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;A cara tão descarada&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Inteira por tempo pouco.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;D – Bem dito!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; A – E o vosso bem?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;GD – O meu bem é dar-lhe a sova.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;A – Bem vejo como estais louco.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Ides condenado à cova.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;D – Que este anjo não te iluda.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;GA – Eu vou ser é justiceiro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;A – Se assim é, dou uma ajuda,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;E sou eu quem dá primeiro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-6892285524332450886?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/6892285524332450886/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=6892285524332450886&amp;isPopup=true' title='20 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/6892285524332450886'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/6892285524332450886'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2010/02/auto-do-plagio.html' title='Auto do Plágio'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/S4WjBEw4cXI/AAAAAAAAALU/OFbNUj4X77Q/s72-c/gonca2.gif' height='72' width='72'/><thr:total>20</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-1862996779306401831</id><published>2010-02-16T22:21:00.003-01:00</published><updated>2010-02-16T22:32:29.967-01:00</updated><title type='text'>Acordo ex corde?</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/S3sp5ckW8yI/AAAAAAAAALM/5i1O0ig2DMw/s1600-h/camoes.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 239px; height: 237px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/S3sp5ckW8yI/AAAAAAAAALM/5i1O0ig2DMw/s400/camoes.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5438987041877979938" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;(fonte da imagem &lt;a href="http://ouvidovisual.blogspot.com/2009/09/ouvido-visual-em-estado-lirico-no.html"&gt;Ouvido Visual&lt;/a&gt;)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;"Qui vol d'amor venir a bon pòrt"&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;(Quem quer por amor chegar a bom porto – de uma canção provençal de Péire de Monlasur.)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Valha-nos Deus, que o argumento de autoridade prevaleceu no acordo sobre a unificação transatlântica do Português. Como ele foi preparado por linguistas, a nós, os vulgares utilizadores da língua, por mais que a usemos ficou-nos interdito opinar sobre o seu futuro. Ora o problema é que, se uns podem invocar a sua sapiência para dizer “vamos por aqui”, outros com igual garantia académica têm o direito de negar “não vamos por aí”. Pelo que, afinal, fica aberto o caminho para a autoridade da nossa própria opinião.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Fazendo eu claque com os do segundo grupo, abstenho-me de mais argumentos, até porque estes devem estar todos esgotados. Mas, melhor do que um acordo que parece destinado a instalar mais confusão, seria ensinar aos portugueses a história da sua língua. E tanto tem sido ela descuidada no último século e meio que se perderam centenas de palavras, substituídas por outras, como, por exemplo, a importação anglo-francesa “pónei”, que em português se dizia “faca”, e que Aquilino terá sido o derradeiro a usar, em &lt;i&gt;O Malhadinhas&lt;/i&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;O amor à língua e o seu conhecimento deveriam fazer parte do estudo do Português. Não com a dissecação maçadora de grandes romances segundo as modas do momento, mas com uma viagem no tempo da nossa literatura. Começando pelos contemporâneos e recuando a pouco e pouco – um conto do Eça, uma lenda de Herculano, uns sonetos e epigramas de Bocage... – até chegar às origens. Com estas mudanças graduais no léxico, na sintaxe e na ortografia, os alunos acabariam por compreender mais facilmente uma qualquer “velida mia senhor”. E, pelo meio, umas leituras de autores brasileiros ou africanos, para que se percebesse como, na mesma língua, se escreve de maneiras tão diversas e fascinantes. Talvez também um passo ao lado de lá da fronteira, para ver como da fonte que foi o latim “bárbaro”, e que conduziu ao galaico-duriense, evoluiu o galego sem grandes distinções do português. Ou até mesmo ir um pouco mais longe, ao provençal, “lenga romana”, como era definida para diferenciação do latim, língua culta de que estas outras vivem. Então estaríamos todos mais bem preparados para discernir se a hipotética e utópica unificação vale mesmo a pena, ou se a diferença se tornou, afinal, no mais belo exemplo da versatilidade da língua comum.&lt;/p&gt;  &lt;!--EndFragment--&gt;   &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-1862996779306401831?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/1862996779306401831/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=1862996779306401831&amp;isPopup=true' title='20 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/1862996779306401831'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/1862996779306401831'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2010/02/acordo-ou-ex-corde.html' title='Acordo ex corde?'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/S3sp5ckW8yI/AAAAAAAAALM/5i1O0ig2DMw/s72-c/camoes.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>20</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-1815939731131391741</id><published>2010-02-07T16:59:00.003-01:00</published><updated>2010-02-07T17:04:39.517-01:00</updated><title type='text'>Carta de Eça a Fradique Mendes acerca das reformas sociais em Portugal (ficção)</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/S27_l7zuorI/AAAAAAAAALE/WGsVGZI_Ii0/s1600-h/eca1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5435562827457667762" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 310px; CURSOR: hand; HEIGHT: 350px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/S27_l7zuorI/AAAAAAAAALE/WGsVGZI_Ii0/s400/eca1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Meu caro Fradique: certamente estarás lembrado da aposta que fizeste no Martinho. Por conta disso acabas de perder uma garrafa do melhor cognac, que convém não esqueças na próxima vez que vieres a Lisboa. Teimaste, e tanto teimaste que apostaste, que o António e o João não se casariam nunca. Pois acabam de se casar. Com quem, quererás saber de pronto. Sossega, que eu não te deixarei por muito tempo a coçar a pulga. Se é voz do povo que não há João sem a sua Joana, do mesmo modo se dirá que há sempre uma Antónia para um qualquer António. A maravilha maior, meu caro, o espanto, a anormalidade, o pasmo é que a Joana deste João se chama António e a Antónia deste António é de sua graça João. Sim, casaram-se um com o outro. Como!?... De fraque e flor na lapela. Razão para muito folgar como nem sequer imaginas, porque uma primeira vez é sempre ocasião solene, tanto importando tratar-se de fruta temporã como de baile de debutantes. E este casório foi, no género, uma estreia em Portugal. Pouco me importa a moralidade, ou falta dela, por que se irão juntando eles com eles e elas com elas. Desdenho desses julgamentos alheios, e é para mim indiferente que tal nova forma de acasalamento tenha o “placet” do Estado ou a “excommunione” de Roma, a quem, neste ponto, me vejo tentado a dar razão. O que me fere o sentimento é o não cuidar, ou mal cuidar, da Língua Portuguesa, que sempre foi feita pelo povo e pelos escritores de livros e jornais. Mas, enquanto as suas mudanças foram demorando séculos a acontecer, agora, de um dia para o outro, as Cortes decretaram a extinção do significado de uma das nossas palavras mais respeitáveis. Porque suas excelências não inventaram um sacramento profano, apenas deram, por decreto, um significado novo ao substantivo casamento. Meu estimado amigo, não sou de rezas nem de beatices, bem sabes, mas julgo que um pouco de Deus não faria mal a esta gente, embora tenha a convicção de que um descrente, sendo culto e educado, pode ser um cidadão tão exemplar como o mais santo dos santos. O pior foi este governo ter-se tornado ateu antes de ser culto e educado. Se fosse culto, não julgaria que escrever leis é governar; se fosse educado, não se arrogaria o direito de fazer dos corredores do poder uma imensa e lamentável Travessa do Fala-Só. E já consta nos círculos de má-língua lisboeta – os do costume – que o presidente do ministério, que defendeu em pessoa a lei nas Cortes, prepara uma lei em que seja reconhecido o direito de quem quiser se casar consigo mesmo. A isso se há-de chamar casamento unipessoal. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Disse Michelet, referindo-se àquele vendaval ético que é o Antero: “Se em Portugal restam quatro ou cinco homens como o autor das Odes Modernas, Portugal continua a ser um grande país vivo.” A desgraça, Fradique, é que, tal como Abraão não encontrou em Sodoma dez justos que aplacassem a ira divina, nem com lanterna à luz do meio-dia o bom do Michelet contaria entre nós metade disso. A que se deve este despautério, esta tontice engalanada, este deserto de ideias num governo tão cheio de cabeças? Acusa-se Lisboa de ser a culpada dos males do país, mas que é Lisboa ou quem é Lisboa? Lisboa é a província à procura de um lugar ao sol. Não há contabilista de Trás-os-Montes que não sonhe com uma carreira na capital, se possível chegando a ministro e talvez bancário. Não há regedor do Algarve que não sofra o desvario de julgar que um dia pode ser presidente do ministério. Nem há poeta de aldeia que não teime em chegar a bardo, de bebedeira e rima, nas tabernas de bairro e nas redacções dos jornais de Lisboa. A única condição é haver quem os promova. O resto é o trivial nestes avatares da vida. Porque, em Lisboa, primeiro se faz o nome e depois a obra.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É certo que da maior parte desta gente se poderia dizer o que disseste do comendador Pinho em carta a Madame de Jouarre “É o comendador Pinho um cidadão inútil? Não, certamente. Dum Pinho nunca pode sair ideia ou acto, afirmação ou negação que desmanche a paz do Estado.” O pior, meu caro Fradique, é que há Pinhos desses que sobem à glória efémera de se julgarem o Estado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-1815939731131391741?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/1815939731131391741/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=1815939731131391741&amp;isPopup=true' title='44 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/1815939731131391741'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/1815939731131391741'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2010/02/carta-de-eca-fradique-mendes-acerca-das.html' title='Carta de Eça a Fradique Mendes acerca das reformas sociais em Portugal (ficção)'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/S27_l7zuorI/AAAAAAAAALE/WGsVGZI_Ii0/s72-c/eca1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>44</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-7375033946827061639</id><published>2010-02-03T20:22:00.004-01:00</published><updated>2010-02-03T20:27:50.609-01:00</updated><title type='text'>Casa do Pai</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/S2npR_C_auI/AAAAAAAAAK8/c1y44GKcpMU/s1600-h/Casa+do+Pai.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5434130920590240482" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 337px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/S2npR_C_auI/AAAAAAAAAK8/c1y44GKcpMU/s400/Casa+do+Pai.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;(Imagem encontrada &lt;a href="http://blog.cancaonova.com/padreanderson/category/frases-que-marcam/"&gt;aqui&lt;/a&gt;)&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Casa do Pai&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Seja a casa com portas só de abrir,&lt;br /&gt;Sem grades nas janelas e sem aço.&lt;br /&gt;E que nos aconchegue em cada abraço&lt;br /&gt;Sem nunca ser abraço de ter de ir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja a casa de estar, não de partir.&lt;br /&gt;Que nos aceite, mortos de cansaço,&lt;br /&gt;Com um beijo de amor por cada passo&lt;br /&gt;Dado em muitos regressos, sem sair.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma casa que nunca nos pergunte&lt;br /&gt;Que outras casas buscámos e que telhas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Que toda a gente à porta se nos junte&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Quando algum dia a vida nos demore)&lt;br /&gt;Com um ramo nas mãos – rosas vermelhas.&lt;br /&gt;Mate o bezerro gordo, mas não chore.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-7375033946827061639?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/7375033946827061639/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=7375033946827061639&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/7375033946827061639'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/7375033946827061639'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2010/02/casa-do-pai.html' title='Casa do Pai'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/S2npR_C_auI/AAAAAAAAAK8/c1y44GKcpMU/s72-c/Casa+do+Pai.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-4239355140763606314</id><published>2010-01-30T11:14:00.005-01:00</published><updated>2010-01-30T11:22:14.320-01:00</updated><title type='text'>Os cês</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/S2Qi5-vfCBI/AAAAAAAAAK0/-LcI3tTUu9A/s1600-h/estratos.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5432505430005712914" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/S2Qi5-vfCBI/AAAAAAAAAK0/-LcI3tTUu9A/s400/estratos.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Estratos geológicos (fotografia encontrada em &lt;a href="http://miguelcorreia25.terapad.com/index.cfm?fa=contentGeneric.zaiqzvdpdskryaxg&amp;amp;pageId=207958"&gt;Nuno Correia - Geologia&lt;/a&gt;) &lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;(Muitos dos nossos cês atingiram o prazo de validade. No entanto, ainda é permitido usá-los enquanto nos causar arrepios ver muitas palavras despidas deles. Por isso deixo aqui uma pequena lição que dediquei à minha amiga Lélia Nunes, que, como brasileira, nunca entendeu a trapalhada dos nossos cês.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós por cá, em Portugal,&lt;br /&gt;Temos cês muito discretos.&lt;br /&gt;E quem não quer amar mal&lt;br /&gt;Tem de pô-los nos afectos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que esta questão dos cês&lt;br /&gt;Não se faz assim à toa.&lt;br /&gt;Tem razões e tem porquês,&lt;br /&gt;Não é moda de Lisboa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não ato nem desato?&lt;br /&gt;Pois então vamos em frente,&lt;br /&gt;Que uma peça de um só acto&lt;br /&gt;Não cativa muita gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou dar exemplos seguidos,&lt;br /&gt;E bem deves ter notado,&lt;br /&gt;Nos muitos livros já lidos&lt;br /&gt;Como é o cê bem usado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu cato, ando a catar,&lt;br /&gt;Mas se planto, planto um cacto.&lt;br /&gt;E às vezes, para ir rezar,&lt;br /&gt;Não visto um terno, é um fato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pacto é um contrato.&lt;br /&gt;E em opíparo jantar,&lt;br /&gt;Pouco há melhor do que pato&lt;br /&gt;Com arroz, depois de assar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um estrato é Geologia&lt;br /&gt;Ou situação social.&lt;br /&gt;Mas com xis e cê daria&lt;br /&gt;Para saber se anda mal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha conta bancária.&lt;br /&gt;Estes nossos cês correctos,&lt;br /&gt;E de utilidade vária,&lt;br /&gt;São calados, circunspectos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como não se nota a ausência,&lt;br /&gt;Há quem se esqueça de usá-los,&lt;br /&gt;Mas com alguma experiência&lt;br /&gt;Sabe-se onde colocá-los.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cateto tem? Vês que não.&lt;br /&gt;Mas têm recto e compacto.&lt;br /&gt;Vais aprendendo a lição?&lt;br /&gt;Se não vais, já me retracto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nestas há quem os diga,&lt;br /&gt;Dou o dito por não dito.&lt;br /&gt;Que a nossa lição prossiga.&lt;br /&gt;Se aborreço, estou contrito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um bom corrector corrige,&lt;br /&gt;Um corretor faz dinheiro.&lt;br /&gt;E, quando o mau tempo aflige,&lt;br /&gt;Bom tecto é bom companheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E digo-te, a concluir,&lt;br /&gt;E como amigo dilecto,&lt;br /&gt;Que nunca deixes cair&lt;br /&gt;O cê que segura o tecto&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-4239355140763606314?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/4239355140763606314/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=4239355140763606314&amp;isPopup=true' title='24 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/4239355140763606314'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/4239355140763606314'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2010/01/fotografia-encontrada-em-nuno-correia.html' title='Os cês'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/S2Qi5-vfCBI/AAAAAAAAAK0/-LcI3tTUu9A/s72-c/estratos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>24</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-5122014840687673841</id><published>2010-01-24T22:08:00.004-01:00</published><updated>2010-01-24T22:13:19.927-01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Terra Permitida'/><title type='text'>Temores e Tremores</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5430447427230496338" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 302px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/S1zTKc-B9lI/AAAAAAAAAKs/Xat4XcFrceI/s400/Grito.jpg" border="0" /&gt; O Grito (Edvard Munch) &lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O tremor de terra que só se sentiu da casa do Manuel Pimentel para baixo fora bem diferente... Durante alguns dias, a terra tremera com frequência. Uns pequenos soluços, uns ligeiros solavancos, mas nisto o que se imagina assusta mais do que a realidade. Bastava um gato passear-se no telhado, uma porta mover-se com um sopro de vento, e logo se gritava “ai Jesus!”, como se já fosse tremor ou terramoto, fim do Mundo ou juízo final. António quase nunca dera por nada, ocupado no trabalho ou dormindo profundamente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Manuel Pimentel amarrara o cão, com uma espadana, ao pé do galinheiro, para vigiar os pintos de uma ninhada nova. Estava o dia já mais tornado em noite do que crepúsculo, e as galinhas deitadas, quando apareceu um gato mesmo na cara do zeloso vigilante, que não o fez por menos: com um grito de guerra atirou-se na direcção do inimigo rebentando a frágil amarra, saltou o curral do porco em sua perseguição, subiu para o forno, do forno para as telhas, e, como a rua era ligeiramente a descer e as casas desciam em altura numa proporção semelhante, a fuga e a perseguição aconteceram até à última, num remover e quebrar de telhas que, dentro, ecoavam como um desastre em acto. Estando os sentidos atentos a todo o aviso de tremor, as portas foram-se abrindo uma a uma, com famílias inteiras a virem para a rua aos gritos de “Louvado seja Deus!”, “Credo em cruz, Santo Nome de Jesus!” e outras jaculatórias de imprecação e temor. A Branca, mulher do Manuel Pimentel, percebendo o que se passava nos telhados de cada um, e já temendo que, sabida a verdade e denunciados os culpados humanos pelo seu silêncio comprometedor, lhes viessem cobrar a conta do prejuízo, mandou com sentido de obediência imediata: “Vai lá, Manuel, vai louvar também a Nosso Senhor, se não queres trabalhar toda a semana para pagar as telhas.”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;(Texto extraído do romance &lt;em&gt;A Terra Permitida&lt;/em&gt; – esgotado)&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-5122014840687673841?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/5122014840687673841/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=5122014840687673841&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/5122014840687673841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/5122014840687673841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2010/01/temores-e-tremores.html' title='Temores e Tremores'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/S1zTKc-B9lI/AAAAAAAAAKs/Xat4XcFrceI/s72-c/Grito.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-7753133760951306949</id><published>2010-01-16T20:17:00.003-01:00</published><updated>2010-01-16T20:26:34.658-01:00</updated><title type='text'>Um tremor de terra na Maia</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/S1It-57Y2CI/AAAAAAAAAKk/386ov-EGt_s/s1600-h/RUY_8445.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5427451059659921442" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 266px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/S1It-57Y2CI/AAAAAAAAAKk/386ov-EGt_s/s400/RUY_8445.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Craig Mello e família na igreja do Divino Espírito Santo, Maia &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;(fotografia gentilmente cedida por &lt;a href="http://www.veracor.pt/"&gt;Veraçor&lt;/a&gt;)&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ninguém tem memória de mortos ou feridos na freguesia por causa de terramotos, e há muros velhos com décadas ou séculos, casas feitas de pedras pequenas, muitas trazidas do calhau da Gorreana ou de outros lugares da costa, e coladas umas às outras com barro, que se mantêm de pé apesar dos tremeliques do chão. Mas um tremor de terra apavora. Se é mais forte do que o costume, uns momentos antes de acontecer os cães põem-se a ganir e a correr desorientados, ou as vacas procuram fugir, sem saberem de quê e para um lugar que não sabem onde. Os ultra-sons que precedem a agitação sensível da terra ferem os seus ouvidos, de modo semelhante a como são feridos os nossos por unhas a raspar numa parede de cal ou uma navalha a alisar um folhelho, e esse arrepio provoca-lhes uma sensação de mal-estar inquietante ou um medo irracional. Um tremor mais forte podia fazer também com que se abrissem as portas das tabernas, fosse a que horas fosse da noite adormecida violentamente desperta, para que os homens, com a desculpa de matar o bicho do medo, acorressem a matar o outro, o da sede sempre pronta a emborcar um calzinho de aguardente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Talvez nada como um tremor de terra devolva aos homens, se a têm esquecida, a consciência da sua fragilidade. O tremor de terra é breve enquanto acontece, mas tarda muito a passar depois de ter acontecido, e é a memória que o faz longo. Uns segundos apenas (dez... doze... catorze...), mas ficam as suas sensações recordadas, revividas: o chão que se sacode debaixo dos pés, as portas e as janelas que rangem, a armação da casa que ameaça desmoronar-se como ossos de um monstro gigantesco a estalarem, o tecto que se move em ondas invertidas, as chávenas que se balançam com o som de campainhas, uma leve vertigem, o urro final em que se julga que tudo vai desabar sobre a gente e que a gente se vai misturar aos escombros de um mundo desfeito. E, de repente, a quietude total, enquanto se vão calando as campainhas, como se um tropel de cavalos enlouquecidos se tivesse aproximado num galope subitamente interrompido. A memória revê cada vibração por sua vez, ouve de novo cada som em separado e não como uma sinfonia fantástica, de tubas e contrabaixos diabolicamente desafinados à mistura com pequenos címbalos que escarnecem num riso sincopado e sem ritmo, ao mesmo tempo que sabe-se lá quantas batutas de cristal se partem sucessivamente. E o temor verdadeiro, maior que o perigo quase sempre, é entre dois tremores, o que pode demorar muitos anos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vendo os picos altivos, os sólidos rochedos, a ilha que resiste a todas as fúrias marítimas, de ondas que mudam penedos do seu lugar, e de ventos que espatifam milharais, que queimam todas as culturas, que tornam castanhas as folhas das árvores; a ilha que não se esboroa com os dilúvios que fazem germinar os trigos antes da ceifa – ninguém entende como pode haver forças capazes de a sacudirem como se ela fosse uma peneira de coar o farelo para fazer pão da rala. Só Deus, acredita-se. E, por isso, um outro nome do tremor de terra é castigo, com a explicação popular de que nas profundezas da Terra há cavernas imensas onde se desprendem enormes rochas, fazendo estremecer tudo de tal maneira que o solo estremece também quando acontecem tão descomunais derrocadas. Embora modificada, dizendo rochas que se soltam em vez de espíritos de ventos que correm de um lado a outro em busca de uma saída, a lição de Aristóteles permanece de geração em geração há vinte e três séculos, e não será esquecida por muito tempo ainda.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Fez anos nessa mesma noite que António sentiu o maior tremor da sua vida, estava ele na igreja, uns minutos antes de começar o Te-Deum. Acabara de entrar com a mãe e as irmãs e ainda rezava saudando o Santíssimo exposto. Percebeu primeiro uma vibração das tábuas do estrado debaixo dos joelhos, como a de um sobrado quando alguém, sentado numa cadeira e com a ponta do pé assente no chão, agita a perna de cima para baixo em movimentos muito rápidos. Não entendeu de imediato do que se tratava e, olhando à volta, notou o mesmo ar de admiração em rostos que se viravam também para um lado e outro à procura de explicação. Então as grossas pilastras, que dois homens mal conseguem abraçar, foram sacudidas violentamente, com a nave da direita a parecer que tombava para sul e a da esquerda para norte. Os lustros, com as velas todas acesas, balançaram num chocalhar de pingentes, deixando rastos de fumo e fogo a riscar o ar. Um ronco tremendo subiu, como se o chão estivesse a abrir-se, as pilastras foram sacudidas com mais violência para fora e para dentro, o arco da capela-mor torceu-se como roupa molhada a ser batida pelas lavadeiras, os escarradores chocalharam nas lajes, o petróleo respingou dentro dos candeeiros, e um estrondo abalou a igreja desde os fundamentos, provocando um estoiro no tecto, ao mesmo tempo que uma nuvem de cal, que pareceu por momentos ser a abóbada a desabar, caía sobre o povo em pânico, que gritava aterrorizado, com algumas mulheres a saltarem para cima das grades do cruzeiro ou a subirem para as cadeiras ainda vazias que pertenciam às senhoras de estatuto e lhes marcavam e reservavam presença e comodidade junto ao altar do Senhor. Fugiam do medo que vinha do chão como se o perigo não estivesse no alto. António continuava de joelhos, sem tempo ainda para ter medo, e, quando viu cair a cal, julgando que era o tecto, apenas pensou: “agora é que eu vou saber como se morre num tremor de terra.” Dito isto para si mesmo, verificou que a nuvem branca fora apenas cal e que tudo permanecia tão seguro e quieto como se nada de anormal se tivesse passado. Mas as pessoas que vinham na rua a caminho da igreja mal se aperceberam do tremor. Houve quem se lembrasse de ter ouvido ranger uma cancela ou de um qualquer outro ruído estranho, mas sem ligar tais sons à sua causa. E não mais do que isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Texto extraído do romance &lt;em&gt;A Terra Permitida&lt;/em&gt;)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-7753133760951306949?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/7753133760951306949/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=7753133760951306949&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/7753133760951306949'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/7753133760951306949'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2010/01/um-tremor-de-terra-na-maia.html' title='Um tremor de terra na Maia'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/S1It-57Y2CI/AAAAAAAAAKk/386ov-EGt_s/s72-c/RUY_8445.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-7053679809999594337</id><published>2010-01-06T22:29:00.002-01:00</published><updated>2010-01-06T22:40:22.100-01:00</updated><title type='text'>A Janela</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/S0Ue17VRe0I/AAAAAAAAAKc/mop4bT4OB7M/s1600-h/candeeiro+por+dentro+da+janela.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5423775238046448450" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/S0Ue17VRe0I/AAAAAAAAAKc/mop4bT4OB7M/s400/candeeiro+por+dentro+da+janela.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Fotografia de Carlos Sousa&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(Texto extraído de uma novela que anda por aí.)&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Foi pela casa da Rita que Manuel Cordovão começou a tentar manter a aldeia com ar de estar ainda viva, ou pelo menos em condições de receber a vida, se a vida voltasse algum dia a precisar de abrigar-se nela.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Estava com um vidro partido, na janela onde Rita esperou muitas vezes o pôr do Sol e o namorado. E em algumas dessas muitas vezes Manuel vira-a à espera, e pensara em como seria bom se a janela fosse outra em outra casa, e essa outra casa fosse a da Graça e na janela fosse ele o esperado. Mas o tempo de isso ser possível passara havia anos, e, quando o tempo passa, o milésimo de segundo mais perto no passado está infinitamente mais longe que mil anos no futuro. Podiam ter-lhe acontecido alguns remendos na alma, mas nada mais. Com a Rita, por exemplo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na pressa com que tudo começou a acontecer em mudança na aldeia, chegou um dia em que se apercebeu de que a Rita era a única rapariga solteira e sem namoro. Mas talvez tivesse estragado tudo com aquele maldito feitio de ser impulsivo no pensar e ponderado em demasia no agir. Trocaram uns sorrisos de vez em quando. O velho Simeão, vizinho dela, sabedor dessas coisas de sentimentos retribuídos, disse-lhe que tinha a certeza de que ela gostava dele. Fariam um bom par, de que estava então à espera? De nada, um raio o partisse. Rigorosamente de nada, porque foi isso que lhe sobrou quando viu o Carlos, um rapaz da Aldeia Nova do Vale, pela primeira vez a conversar com a Rita em jeito de namoro. O mal fora ter pensado demasiado se gostava dela porque gostava mesmo ou se era por não haver outra por perto. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Estava na palheira, acabando a ordenha, quando a Rita aparecera, encostando-se primeiro ao umbral e mandando um pouco mais de sombra lá para dentro. Olhou-a, e viu o Sol, começando a avermelhar, que lhe desaparecia como uma auréola por detrás do laço da cintura. Ela disse: “Venho convidar-te para o meu casamento.” Depois deu um passo para dentro e meio para o lado, apoiando as costas na parede. Manuel levantou-se e disse, quer dizer não disse nada, porque aquilo era o mesmo que nada ter dito: “Então já vais casar!...” Foi andando devagar em direcção à rapariga, e sentiu de repente um enorme desejo de a beijar. Teve um pressentimento, uma quase certeza, de que ela percebeu isso e o desejou também. Chegou a centímetros dela, que não mexeu o corpo nem desviou o olhar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Parou assim, fixando-a, como que fascinado. E a Rita igual. Então pensou que ela iria casar por aqueles dias. Que, quando lhe acontecesse zangar-se com o marido, ou por qualquer razão tivesse razões de se arrepender do casamento feito, imaginaria que talvez tivesse sido mais feliz com ele mesmo. A fruta que não se prova é sempre a melhor, quando a que saboreamos tem bicho. Pôs-lhe a mão no ombro. Mas estava era como que a defender-se a si mesmo de encostar o seu corpo ao dela. “Desculpa ter-te sujado. Foi sem querer.” Não fazia mal, estivesse descansado. “Que sejas muito feliz.” Havia de fazer o possível. E foi-se embora com os primeiros sinais do crepúsculo. Ia a meio caminho entre a palheira e a casa quando Manuel disse: “Eu não vou, Rita. Não posso.” Ela parou, voltou-se para ele e perguntou: “Não podes ou não queres?” Confirmou “não posso”, e a rapariga retomou o ir-se embora sem protestar mais do que num fingido “está bem”.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-7053679809999594337?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/7053679809999594337/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=7053679809999594337&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/7053679809999594337'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/7053679809999594337'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2010/01/janela.html' title='A Janela'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/S0Ue17VRe0I/AAAAAAAAAKc/mop4bT4OB7M/s72-c/candeeiro+por+dentro+da+janela.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-2008238111304992086</id><published>2010-01-03T23:17:00.005-01:00</published><updated>2010-01-03T23:24:58.497-01:00</updated><title type='text'>Magos, inocentes e fuga para o Egipto</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/S0E0OE6fAbI/AAAAAAAAAKU/2srw_haRhRI/s1600-h/Adora%C3%A7%C3%A3o.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5422672842772644274" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 244px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/S0E0OE6fAbI/AAAAAAAAAKU/2srw_haRhRI/s400/Adora%C3%A7%C3%A3o.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;Adoração dos Magos&lt;/em&gt; (Grão Vasco)&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;(Publico este texto especialmente dedicado à Mariana)&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os evangelhos não foram uma espécie de biografias de Jesus, escritas à maneira moderna. Talvez resultem de pequenas pregações avulsas que circularam entre os primeiros cristãos. Passando de mão em mão, copiados e recopiados para chegarem ao maior número possível de crentes, facilmente terão sido como que “contaminados” pela piedade dos copistas. Estes poderiam, por exemplo, ter recorrido a passagens do Antigo Testamento para completar a narração de São Mateus. O método estaria de acordo com o que os exegetas judeus faziam desde o último século a. C., uma certa forma de analisar os Livros Sagrados e sua interpretação total ou parcelar. A cada interpretação dá-se o nome de “midrash” (“midrashim”, no plural hebraico).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Para perceber melhor este método e sua intenção, veja-se o que acontece no início do evangelho de São Mateus. Em Oseias começa assim o capítulo 11: “Quando Israel era ainda menino, Eu amei-o, e chamei do Egipto o meu filho.” No próprio evangelho vem esta referência explícita: “Assim se cumpriu o que o Senhor anunciou pelo profeta: Do Egipto chamei o meu filho.” A partir desta ideia, seria necessário criar o cenário que teria obrigado a que a Sagrada Família, à semelhança de várias personagens do Antigo Testamento, se refugiasse naquele país. Aparece então a muito conhecida história da perseguição de Herodes a Jesus. Os magos vindos do Oriente representariam a universalidade do reino messiânico, e o choro das mães dos meninos assassinados seria como que um eco do que disse o profeta Jeremias, pensando no sofrimento dos habitantes do Reino do Norte, massacrados ou exilados pelos assírios: “Ouvem-se, em Ramá, lamentações e amargos gemidos. É Raquel que chora, inconsolável, os seus filhos que já não existem.”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Diz S. Mateus, com alguns erros na citação: “Cumpriu-se então o que o profeta Jeremias dissera: Ouviu-se uma voz em Ramá, uma lamentação e um grande pranto: É Raquel que chora os seus filhos e não quer ser consolada, porque já não existem.”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Este tipo de recursos de que os evangelistas se serviram para preencher lacunas, ou para reforçar o sentido da mensagem que pretendiam transmitir, não apaga de modo nenhum o fundo histórico dos evangelhos. O essencial dos factos narrados ou dos ensinamentos de Cristo permanece inalterado. É pouco relevante, por exemplo, que Jesus tenha nascido em Belém ou em Nazaré. Ou que tenha voltado a esta depois da apresentação no Templo, como diz São Lucas, ou fugido para o Egipto, segundo São Mateus. O importante é Ele ter vivido entre nós. Como é igualmente pouco relevante se o Sermão da Montanha foi dito numa só pregação ou se é o resumo da doutrina de Cristo feito por S. Mateus.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-2008238111304992086?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/2008238111304992086/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=2008238111304992086&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/2008238111304992086'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/2008238111304992086'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2010/01/magos-inocente-e-fuga-para-o-egipto.html' title='Magos, inocentes e fuga para o Egipto'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/S0E0OE6fAbI/AAAAAAAAAKU/2srw_haRhRI/s72-c/Adora%C3%A7%C3%A3o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-2297206443441015100</id><published>2009-12-29T22:15:00.002-01:00</published><updated>2009-12-29T22:23:08.272-01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Longa Espera'/><title type='text'>A Lenda dos Reis</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SzqORQiEixI/AAAAAAAAAKE/kx8lrTIWifY/s1600-h/reis+Magos.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5420801528640604946" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 276px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SzqORQiEixI/AAAAAAAAAKE/kx8lrTIWifY/s400/reis+Magos.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;A viagem dos Magos&lt;/em&gt;, de James Jacques Joseph Tissot&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em Sippar, na Babilónia, fora primeiro Baltasar quem percebera o sinal. Entre as estrelas da constelação dos Peixes, signo das terras do Mediterrâneo, uma luz mais forte predizia grandes coisas para o Ocidente. Júpiter, anunciador de fortuna e protector de reis, juntava o seu clarão ao de Saturno, a estrela de Israel. Baltasar descera, sem demora, do terraço onde estivera vigiando o céu, para despertar Gaspar e Belchior e lhes ouvir o conselho. Surpreendidos pelo vigor da mão e pela voz tremente do companheiro que assim lhes suspendia o sono, levaram tempo a compreender ao que vinha.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Baltasar explicou-lhes, perturbado, o que pensara do sinal celeste. Que talvez o Messias tivesse, enfim, nascido, nas terras da Palestina. Gaspar e Belchior subiram, com Baltasar, a perscrutar o céu. Brilhando claramente na imensidão da abóbada, a constelação dos Peixes tinha por companhia uma luz muito forte. Júpiter e Saturno, ali onde o Sol acaba um ciclo e começa outro, pareciam anunciar que um poderoso rei nascera para trazer aos homens a salvação de Deus. E assim Javé daria ao Povo Eleito, disperso pelos confins de além-Jordão, a notícia de que chegara o Messias de Israel. Os três magos contemplaram o sinal do Senhor até que o Sol, subindo para lá dos Montes Zagros, o apagou na luz. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tinham viajado já por longes terras. Sabiam as estradas da Média e da Susiana, conheciam as ruas e os palácios de Artemita, Apolónia, Chala e Ecbátana, de Seleucia e Alexandria da Susiana. E descansando, num entardecer, à sombra dos muros orientais de Methone, sonharam com Persépolis e Passárgada. Tinham subido o Tigre e o Eufrates até Singara e Dura-Europus. Mas a viagem que agora imaginavam, em busca do Messias prometido, de Sippar à Palestina, seria mais longa e mais custosa do que todas, sobre o deserto da Síria. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando lhes foi propício o tempo, deixaram a Babilónia por Neopólis, a caminho do Jordão. Quase dois meses mais tarde, à vista do Monte Nebo se lhes toldou o olhar. O país dos Moabitas era vizinho já do seu destino, e ali morrera Moisés contemplando Canaã. Ao outro dia, a caravana espantou o sossego de Jericó, Betânia e Betfagé, e, depois de descer o Monte das Oliveiras e passar pelo vale do Cedron, os peregrinos entraram em Jerusalém, com os olhos sempre postos no pináculo do Templo, para louvar Javé no Átrio dos Gentios. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O brilho da estrela que os guiava perdeu-se por entre as luzes do palácio de Herodes, no outro lado da Cidade Santa. Se procuravam um rei, decerto no palácio de outro rei fora nascido. E os magos acreditaram que era ali o seu destino. Mas ainda não. Mais para o Sul, pois de Belém de Judá anunciara o Profeta que um Príncipe sairia a apascentar Israel. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os magos, pela estrada de Belém, viram, uma vez mais à sua frente, a estrela que seguiam. E, aos pastores que pernoitavam nos prados em redor da Cidade de David, fizeram a mesma pergunta com que haviam inquirido um rei no seu palácio. Ouvindo-os dizer “Messias”, a única palavra que entendeu do culto linguajar dos estrangeiros, os olhos de um velho brilharam num lampejo de felicidade. E, correndo à frente deles como criança que fosse, morriam as estrelas já no firmamento quando parou, numa casa de pobres em Belém, e os fez compreender que era nela que vivia o Messias prometido.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E foi ali que entregaram os seus presentes de oiro, incenso e mirra. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;(Em &lt;em&gt;A Longa Espera&lt;/em&gt;, Signo, 1987)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-2297206443441015100?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/2297206443441015100/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=2297206443441015100&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/2297206443441015100'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/2297206443441015100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2009/12/lenda-dos-reis.html' title='A Lenda dos Reis'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SzqORQiEixI/AAAAAAAAAKE/kx8lrTIWifY/s72-c/reis+Magos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-5579261029702813832</id><published>2009-12-23T17:18:00.002-01:00</published><updated>2009-12-23T17:25:39.936-01:00</updated><title type='text'>Fala dos Magos no presépio</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SzJfejmBk7I/AAAAAAAAAJ8/6ofFKmc-644/s1600-h/f7NDIOS_medium.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SzJfejmBk7I/AAAAAAAAAJ8/6ofFKmc-644/s400/f7NDIOS_medium.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5418498280235570098" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;(fotografia retirada &lt;a href="http://protopia.wikispaces.com/referenciando"&gt;daqui&lt;/a&gt;)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:'trebuchet ms', tahoma, arial, helvetica, sans-serif;font-size:100%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px; -webkit-border-horizontal-spacing: 3px; -webkit-border-vertical-spacing: 3px;"&gt;Belchior:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:'trebuchet ms', tahoma, arial, helvetica, sans-serif;font-size:100%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px; -webkit-border-horizontal-spacing: 3px; -webkit-border-vertical-spacing: 3px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'trebuchet ms', tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 13px; -webkit-border-horizontal-spacing: 3px; -webkit-border-vertical-spacing: 3px; "&gt;Anunciada está para estes dias&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:'trebuchet ms', tahoma, arial, helvetica, sans-serif;font-size:100%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px; -webkit-border-horizontal-spacing: 3px; -webkit-border-vertical-spacing: 3px;"&gt;A vinda desejada do Messias.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:'trebuchet ms', tahoma, arial, helvetica, sans-serif;font-size:100%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px; -webkit-border-horizontal-spacing: 3px; -webkit-border-vertical-spacing: 3px;"&gt;Será este menino? Não o creio.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:'trebuchet ms', tahoma, arial, helvetica, sans-serif;font-size:100%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px; -webkit-border-horizontal-spacing: 3px; -webkit-border-vertical-spacing: 3px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'trebuchet ms', tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 13px; -webkit-border-horizontal-spacing: 3px; -webkit-border-vertical-spacing: 3px; "&gt;Gaspar:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:'trebuchet ms', tahoma, arial, helvetica, sans-serif;font-size:100%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px; -webkit-border-horizontal-spacing: 3px; -webkit-border-vertical-spacing: 3px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'trebuchet ms', tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 13px; -webkit-border-horizontal-spacing: 3px; -webkit-border-vertical-spacing: 3px; "&gt;O pai um galileu? A mãe aquela&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'trebuchet ms', tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 13px; -webkit-border-horizontal-spacing: 3px; -webkit-border-vertical-spacing: 3px; "&gt;Que tem tanto de pobre quanto bela?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'trebuchet ms', tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 13px; -webkit-border-horizontal-spacing: 3px; -webkit-border-vertical-spacing: 3px; "&gt;Viemos de tão longe, e ele não veio...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:'trebuchet ms', tahoma, arial, helvetica, sans-serif;font-size:100%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px; -webkit-border-horizontal-spacing: 3px; -webkit-border-vertical-spacing: 3px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'trebuchet ms', tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 13px; -webkit-border-horizontal-spacing: 3px; -webkit-border-vertical-spacing: 3px; "&gt;Baltazar:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:'trebuchet ms', tahoma, arial, helvetica, sans-serif;font-size:100%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px; -webkit-border-horizontal-spacing: 3px; -webkit-border-vertical-spacing: 3px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'trebuchet ms', tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 13px; -webkit-border-horizontal-spacing: 3px; -webkit-border-vertical-spacing: 3px; "&gt;Um rei forte não faz um mundo novo,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'trebuchet ms', tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 13px; -webkit-border-horizontal-spacing: 3px; -webkit-border-vertical-spacing: 3px; "&gt;Constrói o trono sobre a morte - o povo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'trebuchet ms', tahoma, arial, helvetica, sans-serif; font-size: 13px; -webkit-border-horizontal-spacing: 3px; -webkit-border-vertical-spacing: 3px; "&gt;Num rei igual a nós, assim, eu creio.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-5579261029702813832?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/5579261029702813832/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=5579261029702813832&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/5579261029702813832'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/5579261029702813832'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2009/12/fala-dos-magos-no-presepio.html' title='Fala dos Magos no presépio'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SzJfejmBk7I/AAAAAAAAAJ8/6ofFKmc-644/s72-c/f7NDIOS_medium.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-8198001345720008538</id><published>2009-12-18T00:08:00.004-01:00</published><updated>2009-12-18T00:20:04.978-01:00</updated><title type='text'>Pai Natal sem reforma</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SyrW_BHPk6I/AAAAAAAAAJ0/GfbaQMUZ5JI/s1600-h/pai_natal3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5416377879985361826" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 319px; CURSOR: hand; HEIGHT: 344px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SyrW_BHPk6I/AAAAAAAAAJ0/GfbaQMUZ5JI/s400/pai_natal3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Fotografia encontrada no blog &lt;a href="http://porentremontesevales.blogspot.com/"&gt;Por Entre Montes e Vales&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os anjos estavam muito admirados com a excitação nervosa do Pai Natal. Nunca o tinham visto assim. O velho chamou por um deles: “Lucílio!” O anjinho veio prontamente: “Estou aqui, senhor Pai Natal. Que deseja?” “O Mercurino já chegou?” “Está chegando agora mesmo.” E, vendo aparecer o querubim de quem falara, perguntou: “Qual foi a resposta de Deus ao meu pedido de aposentação?” “Nosso Senhor disse – respondeu Mercurino – que nem pensar.” “Nem pensar?... – Resmungou o Pai Natal – Isso é que penso. Não tenho outro remédio senão aceitar, mas pensar é cá comigo.” Mercurino tentou acalmá-lo: “O senhor Pai Natal fala sempre em aposentar-se quando chega a vez de despachar os presentes para as crianças portuguesas. Mas depois isso passa-lhe.” “Passa-me? Desta vez não passa. Isto é demais. Tudo torto. A começar por vocês. Eu pedi cento e quarenta e quatro mil anjos para me ajudarem, e que é que Nosso Senhor me mandou? Vocês, querubins, que não querem senão brincadeira.” “Somos anjos da primeira jerarquia, não somos?” “Vocês são da primeira jerarquia, mas não é para trabalhar.” “A gente faz o que pode, o senhor não tem razão de queixa, senhor Pai Natal, julgo eu.” Disse Lucílio. “Ai não, que não tenho. E nem sequer vieram todos. Além do pouco que vocês fazem, ainda faltaram à chamada sete mil setecentos e setenta e sete.” “Devem andar por aí perdidos no meio da algazarra da festa.” Era Mercurino a tentar desculpar os amigos. Mas o Pai Natal não estava com paciência para ter paciência. “Festa, festa, mas é para os outros. Já estou nisto há mais de cem anos, e Deus não me dá a reforma.” Depois quase gritou: “Mercurino!” O anjinho assustou-se: “Senhor? Que foi que eu fiz agora?” “Não fizeste, mas vais fazer.” O querubim respondeu: “Estou às suas ordens.” O Pai Natal disse: “Antes, o Menino Jesus dava uma ajuda bem grande em Portugal. Era ele que fazia quase tudo. Agora passa toda a santa noite refastelado no calor da manjedoura.” “E quem é que tem culpa disso? Não é nada connosco, as crianças é que lhe escrevem a si, não há nada a fazer.” “Há. Vai ter com José e pede-lhe que pelo menos empreste o burrinho para ajudar a transportar algumas coisas. Mas depressa! Vai numa asa e vem na outra, percebeste” “Sim, senhor, senhor Pai Natal.” E desapareceu voando à velocidade da luz.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;“Querubins, querubins e mais querubins. Para onde quer que me volte só vejo querubins e querubins e querubins.” “Tenha paciência, senhor”, disse Lucílio. “A gente há-de fazer tudo como sempre tem feito.” “Paciência?” O Pai Natal voltava a falar alto. “Para suportar vocês era preciso ter paciência de santo, e eu não sou santo. Santo é o Nicolau. E nem sei se ele aguentava esta barafunda toda.” “Vai dar tudo certo, há-de ver.” &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;“Hei-de ver, hei-de ver… Querubins, é o que eu vejo. Que só querem é brincadeira. E onde estão os anjos a sério? Onde estão os serafins, as potestades, os principados, as dominações, as virtudes e os outros todos? Estão na gruta, cantando «Gló…ó…ó…ó… lá-lá-lará-lá-lá…» É o que fazem.” “Mas eu já disse que a gente faz o trabalho. Tenha calma.” “Lá estás com a calma…” “Não estou lá, estou aqui, senhor Pai Natal.” “Deixa de desconversar. A calma… sempre a calma. E os arcanjos?... Que é que eles fazem? Miguel deu uma sova em Satanás, e pronto. Ficou com fama e descanso para o resto da eternidade. E Gabriel?.. Levou um recado à Terra, uma vez, e reformou-se. Do Rafael nunca percebi sequer qual é o seu trabalho.” “Olhe, o Mercurino já chegou.” Informou Lucílio. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;“Mercurino!” Gritou o Pai Natal. “Onde é que está o burrinho?” “São José não quis emprestá-lo.”“Também ele?... E eu é que tenho de resolver tudo, não é?” Mercurino explicou: “São José diz que o burrinho estás muito cansado da viagem.” “Ai está, coitado?... Ainda se eu pudesse contar com os camelos dos Magos… Mas estes ao menos tiram-me o trabalho de Espanha, o que é uma boa ajuda, valha-me Deus.” &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Chegou outro anjinho, Almito, com os pedidos de última hora. “Estão aqui os atrasados, como de costume”, disse. “E donde vem isso?” Perguntou o Pai Natal. “Um é da Turquia.” “Da Turquia?!” O Pai Natal gritou outra vez. “Isso aí é da responsabilidade de Nicolau. Não tenho nada que ver com essa zona.” “Mas a menina é portuguesa. E é a si que faz o pedido.” “A mim? A Turquia fica em Cascos de Rolha. Indeferido.” &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;“Mas está em caminho para Samarcanda.” “Samarcanda?... Onde é isso?” “No Uzbequistão.” “No Uz quê cristão?” “Não, não é assim. É Uzbequistão. Quase não há cristãos lá.” “Quase não há, não é? E logo haveria de calhar um que fosse português… Essa gente anda por toda a parte.” “Pois é, senhor… Os portugueses são assim. Morrem de saudades mas vivem anos sem fim longe de casa. E há aqui outra carta que veio de Portugal.” &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;“E que é que me pedem nessa?” “É para pagar o IVA dos presentes.” “IVA, que é isso agora?” “É o imposto de valor acrescentado.” O Pai Natal deu o maior grito do dia. “Imposto? A essa gente já não bastam os impostos na Terra, querem vir buscá-los ao Céu também? MERCURINO! MERCURINO! Vem cá, Mercurino.” “Estou aqui, senhor Pai Natal. Que deseja?” “Vai depressa procurar Francisco.” “Que Francisco?... Não faltam Franciscos no Céu.” “Aquele meio louco, de Assis.” “Ah, o que está sempre a brincar com lobos e passarinhos.” “Esse mesmo. Ele que vá lá a Portugal tratar do assunto. Mas diga que eu não pago, não pago, não pago. Então temos aí milhões de euros de presentes para levar para eles, e ainda vamos pagar imposto? Isto aqui não é a União Europeia. Francisco que diga isso, e não se ponha com cara de santo. Pode ir de sandálias.” Mercurino partiu em mais esta missão. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;“Que pedidos fazem essas crianças da Turquia e do Uzbomcristão?” “Uzbequistão, Uzbequistão.” “Como queiras. E eles que querem?” “A menina que vive na Turquia quer uma boneca que chore.” “Uma boneca que chore?... Já não basta o choro de verdade, ainda hei-de dar uma boneca que chore? Nem pensar! Vai dar-se uma boneca, mas calada como uma pedra. Ainda mando alguma coisa, ou não?” “Como queira, senhor.” “E o menino do Uz… Uz… pronto, essa terra que fica em Cascos de Rolha de Cascos de Rolha?” “Pede uma metralhadora.” O pai Natal deu uns gritos ainda maiores que o grito de antes. “Uma metralhadora?... Não dou metralhadoras, não dou metralhadoras, não dou metralhadoras. E não se fala mais nisso.” “Mas é uma metralhadora de brincar.” “Não dou, não dou e não dou.” “E fica sem oferta, o pequeno?” “Vai ter uma lira.” “Uma lira? Onde é que vamos comprar uma lira a esta hora? “Desenrasca-te. Se não encontrares nenhuma damos a tua.” “Isso é uma oferta muito cara, não lhe parece?” “Não íamos tão longe, até esse Uz… Uz… para dar um traste qualquer, não é?” &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;O Pai Natal acalmou, e deu ordens em tom meigo, como era normal. “E agora nada de conversas. Vamos ao trabalho.”&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;A publicar na imprensa regional e a emitir como teatro radiofónico na Antena 1 Açores.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-8198001345720008538?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/8198001345720008538/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=8198001345720008538&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/8198001345720008538'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/8198001345720008538'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2009/12/pai-natal-sem-reforma.html' title='Pai Natal sem reforma'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SyrW_BHPk6I/AAAAAAAAAJ0/GfbaQMUZ5JI/s72-c/pai_natal3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-465676825195916978</id><published>2009-12-11T19:46:00.004-01:00</published><updated>2009-12-11T19:55:10.175-01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Terra Permitida'/><title type='text'>Suor Alheio</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SyKv0J6sVBI/AAAAAAAAAJs/sLPLHtFPAnA/s1600-h/caminho.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5414083012602909714" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 267px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SyKv0J6sVBI/AAAAAAAAAJs/sLPLHtFPAnA/s400/caminho.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;Paisagem com canas (fotografia retirada do blog &lt;a href="http://bisbis.blogspot.com/2009/07/visita-de-estudo-sao-miguel-acores_07.html"&gt;Bis Bis&lt;/a&gt;)&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ficaram os dois no canto sem que ninguém os contratasse. António, porque era muito novo, o José “Pinta a Pulga”, porque já era velho.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Aquela era a primeira vez que António oferecera o corpo para ser avaliado músculo a músculo, tinha muito tempo ainda para esperar que as coisas mudassem. Mas ao outro já iam recusando a oferta de vez quando, dias de ganho a menos a somar aos de chuva e de nada haver nas terras para ser feito. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;– Um velho também come... – Foi o lamento do “Pinta a Pulga”. E meteu pela rua abaixo enquanto António ficava no canto a olhar os últimos homens que partiam para mais um dia de pão garantido. Vinte passos dados, se tanto, o “Pinta a Pulga” voltou para trás.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;– Vou falar com o senhor Vicente. Pode ser que ele tenha a caridade de me dar trabalho hoje.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;António debatia-se com a velha raiva que sentia contra o senhor Vicente. Via o pai trazido numa padiola, mal limpo o sangue da cabeça, e, uns dias mais tarde, a mãe, que não parara de o chorar ainda, toda vestida da cor da casa, a agradecer como grande esmola as últimas três maquias de milho que ele ganhara antes de cair pela Rocha do Tamujo. Mas o orgulho é um luxo para os pobres. A mãe e as irmãs tinham bocas para alimentar e corpos para cobrir, e António não era menos apressado na hora de ter fome, embora menos exigente no ano de vestir. Cuspiu o orgulho com a saliva e disse que sim.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;– Não tenhas vergonha, rapaz, nem esmoreças. Tens a vida toda pela frente, ainda vais ser dos primeiros a serem escolhidos, não tarda nada. Eu é que vou cada vez para pior.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Fora isso que pensara, mas, quanto à vergonha, não era por ela que ia acabrunhado. Era por aquele orgulho sempre cuspido ou engolido, no silêncio dos pobres, sabendo que o senhor Vicente lhe contaria as horas uma a uma, os quartos de hora, até a noite preparar a cama onde havia de deitar-se o Sol. Tentou por isso uma desculpa para evitar a humilhação a que estava quase resignado a submeter-se.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Mas o tio João já não pegou nos homens de que o senhor Vicente precisa?...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Referia-se ao capataz do senhor Vicente, que era sempre o primeiro a escolher os trabalhadores.&lt;br /&gt;– Pois pegou. Mas o senhor Vicente é capaz de nos dar um jeito.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;... E disposto a dar um jeito estava, mas só a um, ao rapaz, impondo a sentença de mandar o velho embora. António pensou que talvez o fizesse por remorso antigo, e lutou na indecisão de acompanhar o “Pinta a Pulga” no regresso triste, enfrentando o orgulho da sua raiva arrimado ao pensamento da necessidade da mãe, das irmãs e dele mesmo, e à vergonha de voltar para casa sem ter sujado o sacho nem derramado uma pinga de suor. O senhor Vicente tinha o cerrado das Canas Vieiras para cavar, mas tinha de ser bem cavado, fundo, e sentenciou que o “Pinta a Pulga” não podia fazer o serviço como ele queria. E, apesar de saber que António estava muito acostumado a trabalhar com o padrinho desde que o pai morrera, mostrou-se um pouco desconfiado também a seu respeito. António disse:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;– Se o senhor Vicente quiser, cavo-lhe esta terra a trato.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;– Olha que cinco homens cavam esta terra num dia. Podes levar sete ou oito que só te pago cinco, entendeste? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Entendeu e aceitou. E esfalfou-se de crepúsculo a crepúsculo, com a velha raiva sempre no fio do sacho, como se a cada cavadela pudesse atingir a alma do senhor Vicente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quatro dias bastaram para fazer o serviço que era feito por cinco homens num dia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na hora de pagar, o senhor Vicente mediu alqueire e meio de milho.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;– E as outras seis maquias? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O senhor Vicente, em tom de justiça definitiva, bem lembrado de que aquele era serviço de cinco homens num dia, respondeu: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;– Pensas que eu sou tolo ou quê? Não foi só quatro dias que trabalhaste? Aí tens. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;António não encontrou modo de dizer a sua revolta, o seu desprezo. E foi o senhor Vicente que lhe despejou em cima:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;– O que essa canalha me tem roubado! Um fedelho como tu cava-me a terra em quatro dias, e andavam para aí sempre cinco malandros a fazer ronha para aguentarem até às trindades! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;António sentiu vontade de o esganar. Ainda disse, a medo: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;– Mas o trato não era de me pagar como se fosse cinco dias?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;– Isso era se levasses mais tempo a cavar. Ou querias ganhar cinco dias em quatro? Ou amanhã ganhavas o dia sem trabalhar porque eu já tinha pago adiantado?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;António foi-se embora sem ter dito mais nada porque tinha as esponjas das lágrimas quase a rebentar-lhe nos olhos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;(Adaptado do capítulo VII de &lt;em&gt;A Terra Permitida&lt;/em&gt;)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-465676825195916978?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/465676825195916978/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=465676825195916978&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/465676825195916978'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/465676825195916978'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2009/12/suor-alheio.html' title='Suor Alheio'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SyKv0J6sVBI/AAAAAAAAAJs/sLPLHtFPAnA/s72-c/caminho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-2911944275747251689</id><published>2009-12-06T21:34:00.003-01:00</published><updated>2009-12-06T21:47:59.238-01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A Terra Permitida'/><title type='text'>Pedido de Casamento</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SxwypeDZeTI/AAAAAAAAAJk/7_EE8LEbf4I/s1600-h/Vincent_Van_Gogh_-_The_Potato_Eaters.png"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5412256540215834930" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 282px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SxwypeDZeTI/AAAAAAAAAJk/7_EE8LEbf4I/s400/Vincent_Van_Gogh_-_The_Potato_Eaters.png" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;Os Comedores de Batatas&lt;/em&gt;, Vincent Van Gogh&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Bateu à porta com a inquietação como fronteira entre o receio e a esperança. Não se importou que os últimos olhares curiosos à luz dos restos do crepúsculo se dirigissem para si, estranhando a visita, ou talvez não, porque muita gente já teria com certeza ouvido e contado tão improvável amor. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Foi recebido com pouca surpresa, bem menos do que imaginara. Helena mexeu-se na cadeira, inquieta, enquanto ele caminhava em direcção à cozinha, mal iluminada pela luz minúscula da lamparina, que tinha a torcida, acabada de acender, reduzida ao mínimo. Para a cega eram iguais os dias e as noites, e a mãe sabia também os cantos da casa palmo a palmo sem precisar de luz ou de olhos abertos, pelo que poupava no petróleo o mais que podia. Distraíra-se, no entanto, ao recebê-lo com tão vaga claridade e, por isso, pediu desculpa e deu um pouco mais na torcida. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;– Ainda está praticamente de dia. – Disse António, apenas para mostrar que nada havia a ser desculpado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Estava resolvida a dificuldade de começar a conversa. Cumprimentou Helena com um simples “olá”, a que ela correspondeu, envergonhada, dizendo “olá, António”. No prato de Helena havia duas batatas cortadas ao meio, no de Elvira nenhuma. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;– Quando dei por mim, só tinha quatro batatinhas em casa. A gente amanha-se assim mesmo. – Deu sinal a António para que não fizesse comentários, e convidou por delicadeza: – És servido? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aquela mulher era muito diferente do seu retrato falado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;– Interessa é encher a barriga. – Disse António com um nó na garganta. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Elvira pareceu querer sossegar nele a compaixão pressentida. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;– Daqui a dias, não me há-de faltar trabalho a ceifar, se Deus quiser, e a respigar, que sempre trago uns braçadinhos de trigo para casa. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Depois de os ceifeiros porem em descanso as foices e o corpo, às vezes já noite alta se era de lua cheia, ela ficaria ainda colhendo as espigas esquecidas, mais abundantes nas searas segadas por mãos habituadas à caridade, no cumprimento de uma recomendação bíblica que talvez ninguém conhecesse mas que era cumprida como um mandamento divino. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Elas iam comendo em silêncio, devagar, naquele silêncio e naquele vagar habituais de quando a refeição é de iguarias raras ou de sustento insípido. António, que continuava sem saber o que dizer, e nem sequer sabia se convinha dizer alguma coisa, decidiu falar de outro modo. Pegou na guitarra e tocou o “Fado da meia-noite”. Quando acabou, as duas mulheres disseram que tinham gostado muito. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;– É muito bonito. – Disse Helena. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;– Tu és tão bonita como ele. A tua cara é tão bonita como ele. – Atreveu-se António. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;– E é triste, também, não é? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ter-se-ia referido à música ou à sua cara?... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Passados uns instantes, Elvira disse: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;– Talvez te admires de eu não ter perguntado o que vieste aqui fazer. Acho que deves mudar de ideias. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;António percebeu quanto lhe custou dizer aquilo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;– Mudar de ideias, não mudo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Elvira enrolou na boca as couves e engoliu-as com dificuldade. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;– Pois então ela que diga. Pergunta-lhe. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ele pensava que era inútil perguntar. Mas fez a cena como pôde. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;– Helena, tu queres casar comigo? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Helena baixou a cabeça, como se os seus olhos pudessem ver e ela não quisesse que eles vissem. E disse duas vezes “não”, com o nome de António pelo meio. Estranhou não se sentir atingido na alma ou no coração, ou lá onde é que essas coisas doem. O certo é que não o surpreendera aquela resposta, sem dúvida ensaiada pela mãe. Helena levantou-se logo a seguir, para se refugiar no quarto onde a sua noite era a mesma mas não podia ser vista por ninguém. Sem tempo para pensar no que fazia, António segurou-a pela mão direita. Ela não se esforçou muito para se libertar, e Elvira, apanhada de surpresa, ficou calada a olhar para os dois. Quando ela ia falar, António disse muito calmamente: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;– Ó senhora Elvira, pela alma dos seus e pelo amor de Deus, mande-a sentar-se e acabar de comer. Não se fala mais nisso agora. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Condescenderam ambas, e acabaram a ceia em silêncio. Estavam os dois frente a frente. Dois pares de olhos que se viam muito bem. E foi nos dela que leu o tamanho da mentira que Helena dissera sem querer. Mas não estava disposto a negociar Helena. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;– A senhora Elvira pensa que eu sou capaz de fazer algum mal a Helena!?... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ela levantou os olhos. Eram tão bonitos como os de Helena e, se as suas lágrimas não causassem pena, seriam mais bonitos assim. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;– Eu acredito em ti, não desconfio das tuas boas intenções, mas sei que vocês iam ser dois desgraçados. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Protestou com convicção mas serenamente. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;– A desgraça fica por minha conta. E com a ajuda de Deus há-de ser a desgraça mais feliz do Mundo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Elvira sorriu. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;– Bem dizem que palavreado não te falta... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Elvira falou em tom de elogio. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;– Eu sei que Helena gosta de mim. Então por que teima contra a gente? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Elvira olhou-o com a sua tristeza resignada. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;– Não teimo contra vocês. Não teimo contra ti, porque és bom rapaz, e oxalá que Nosso Senhor te faça muito feliz como mereces. E não teimo contra a minha rica filha que, se pudesse, até lhe dava os meus olhos para ela deixar de ser uma infeliz. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;António percebeu que era essa a oportunidade para um novo argumento. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;– É disso mesmo que Helena precisa. A senhora não vai ficar a viver sozinha, há-de viver com a gente, não é? Há-de ajudar a tomar conta da casa e dos filhos que Nosso Senhor nos quiser dar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;– Se isso desse para fazer vocês felizes, eu fazia isso e muito mais. Mas olha, António, eu digo-te para teu bem... Pensa no que fazes. Mereces melhor do que Helena. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;– Quanto tempo pensa que é preciso para poder acreditar em mim? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;– Muito!... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;– De vez em quando hei-de vir perguntar se já passou muito tempo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Teriam uma maneira diferente de medir esse tempo, mas Elvira acedeu.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;(Adaptado do capítulo V de &lt;em&gt;A Terra Permitida&lt;/em&gt;)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-2911944275747251689?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/2911944275747251689/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=2911944275747251689&amp;isPopup=true' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/2911944275747251689'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/2911944275747251689'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2009/12/pedido-de-casamento.html' title='Pedido de Casamento'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SxwypeDZeTI/AAAAAAAAAJk/7_EE8LEbf4I/s72-c/Vincent_Van_Gogh_-_The_Potato_Eaters.png' height='72' width='72'/><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-8497609245744385290</id><published>2009-12-01T15:47:00.004-01:00</published><updated>2009-12-01T16:14:49.919-01:00</updated><title type='text'>O Pão Permitido</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SxVMulZ7uPI/AAAAAAAAAJc/QkJYA97eQM0/s1600/Rembrant-O_moinho.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5410314890554095858" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 336px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SxVMulZ7uPI/AAAAAAAAAJc/QkJYA97eQM0/s400/Rembrant-O_moinho.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;O Moinho&lt;/em&gt;, Rembrandt&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Elvira voltou do mato sempre igual a como ia, mas na solidão do moinho teve o seu amor de perdição. Porque o moleiro lhe moía o alqueire de milho sem descontar a maquia devida pelo trabalho. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Habituada a muitas fornadas, a mãe logo notara, na primeira vez, farinha a mais. Admirada, perguntou a Elvira: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;– O moleiro esqueceu-se de maquiar o nosso milho? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;– Não senhora, como a gente são pobres, ele teve pena e não maquiou. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tendendo o pão da maquia a mais, sem mal cuidar no que ouvira, levantou os olhos para o tecto negro do fumo de muitas cozeduras e da lareira acesa quase todo o dia. E exclamou, como que numa jaculatória de acção de graças: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;– Ainda há gente boa neste mundo!... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Por ser a mais velha, cabiam a Elvira os trabalhos a fazer longe, porque abaixo vinham duas irmãs e só depois, com sete anos apenas, o único macho da família. Por isso ia ao mato por lenha, ou à ribeira do Calhau lavar a roupa como as mulheres casadas, ou ao moinho, para poupar a meia maquia devida pelo transporte do grão no lombo das bestas do moleiro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O pai morrera de fome, ou dos maus tratos dela, porque muitos anos a pouco mais do que pão de milho e pimenta, com algum chicharro de vez em quando, não aguentaram com força e com vida os braços do cavador que fora, até lhe dar em tossir e escarrar sangue. De nada lhe valeu comer muito agrião cru e beber espuma de sopa de caracóis acabados de apanhar, porque alimentar-lhe o corpo a carne de vaca, ovos e leite era coisa que nem pensar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A mãe já lhe chorava a morte mais que certa, quando teve de fazer pela vida e ganhar como podia ou como queriam pagar-lhe. E louvava a Deus e aos homens por esse pouco, embora não ficasse atrás de nenhum a amarrar vinha, a semear, a sachar e em tantos outros serviços em que importava mais o jeito do que a força. Secou as lágrimas pelo defunto, ao sol de Julho, ceifando. Fosse Deus louvado e feita sempre a Sua vontade. Ainda que não percebesse como poderia louvar-se Deus por tão grande e outras penas, às vezes choradas com lágrimas também de raiva.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando Elvira percebeu que ia ter um filho numa idade de ter irmãos somente, não pensou que o Mundo se acabasse por causa disso, mas que se acabaria o seu mundo. Iria morrer de vergonha, matava-a a mãe, matavam-na as más línguas – e todas tinham razão nessa morte, que deveria ser quase como morrer deveras. Só podia salvá-la o amigo, ou amante, ou namorado, fosse lá o que fosse que era para ela o moleiro. Com muita ansiedade e muito medo esperou o dia de levar a saca com o grão para moer, três noites seguidas em que mal pregou olho, três dias em que mal provou bocado de pão. E a mãe aflita, a julgá-la doente – “não me morras, como teu pai, que fico sem ninguém que me valha” -, e ela feita vítima e carrasco de si mesma, sem entender sequer se tudo acontecera por desejo seu também, se apenas pela miséria de poupar uma maquia. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Batia-lhe o coração numa galopada louca, nem que tivesse vindo a correr com a carga às costas saltando pedregulhos e valados. O rapaz mostrou-se logo disposto ao que já se ia tornando um costume, mas, vendo-a naquela tristeza assustada, perguntou-lhe a causa dela. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;– Vou ter um filho, José!... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;– E que tenho eu a ver com isso?.. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Que havia de dizer? Como havia de dizer o que tinha de dizer? Onde lhe estava a saliva que lhe soltasse a língua e os lábios, secos, secos, como pedaços de barro em Agosto? E o coração pedra viva... Disse: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;– José, tens de casar comigo!..&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;À espera, outra vez. Ele agora com um ar de ódio, que a assustou ainda mais. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;– Casar contigo?!... Sei lá quem te fez isso! Andas por todo o lado, como uma cabra!..&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De repente, o medo fez-se raiva. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;– Não sabes?!... Sou uma cabra, seu estupor?... Não sabes que fizeste de mim o que quiseste? Eu mato-te, excomungado! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Atirou-se a ele com a fúria de uma alcateia que defendesse as ninhadas. Tentou bater-lhe na cara, arranhá-lo, mordê-lo, enquanto o rapaz, com a cobardia da culpa, se defendia com pouco êxito. Quando, por fim, conseguiu pegar-lhe nos pulsos e dominá-la, disse: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;– Não grites, que ainda te ouvem! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ela mordeu-lhe a mão direita com tanta força que sentiu o sangue nos dentes. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;– Maldita! – Foi o grito de dor e, logo em seguida, uma bofetada. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Elvira abaixou-se, pegou numa pedra e atirou-lha. Falhou o alvo por pouco, e a pedra foi cair longe, rolando pela encosta. Tentou pegar noutra, mas ele saltou-lhe para cima e imobilizou-a no chão. E falou-lhe ao ouvido: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;– Não chores. Desculpa. Fiquei fora de mim. Não esperava uma coisa dessas. Eu gosto muito de ti. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Elvira percebeu como o contacto do seu corpo excitava o rapaz. E não sabia se a verdade era a de antes se a de agora. Perguntou: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;– Casas comigo, José? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ele respondeu que sim. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;– Olha que o senhor padre diz que está na Bíblia que um homem tem de casar com a mulher com quem fez o que fizeste comigo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;– Deus me mate, se eu não casar contigo! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pela primeira vez, Elvira sentiu também desejo verdadeiro. Ficara mais calma com a promessa do rapaz. E não podia acontecer mal que não estivesse feito já. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;– Vamos para o moinho, que alguém pode ver-nos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Passou a semana ainda em sobressaltos nocturnos e ansiedade constante durante a vigília, mas agora com alguma esperança. O pior seria quando tivesse de contar tudo à mãe. Sabia Deus com que fúria ela iria reagir, mas pior, muito pior, seria se José não quisesse casar, se a tivesse enganado. Não podia fazê-lo, não lhe faria nunca uma desfeita dessas, que a desgraçaria para o resto da vida. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Desgraçou-a... Devia casamento a uma prima, tanto como a ela e havia mais tempo ainda. Quando Elvira soube disso, pela boca da própria mãe, que lhe deu a novidade e jurou ser capaz de a matar, ou a qualquer das irmãs, se lhe acontecesse uma desgraça semelhante, fugiu para casa da tia Ascensão, a única que poderia valer-lhe e talvez compreendê-la. Era a tia mais velha da mãe, e vivia sozinha, abandonada desde os vinte anos pelo marido, que a deixara com um filho de meses e fora procurar fortuna no Brasil. A tia não soube sequer se ele chegara vivo ao destino, porque nunca teve notícias suas. Viveu necessitada de pão e de afecto, o que lhe custou a vergonha de mais um filho. Acabaram ambos por emigrar para a América, terra também de esquecimento, mas que só o foi para o filho legítimo, talvez envergonhado dos passos mal dados da mãe. O outro escrevia regularmente e mandava algum dinheiro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Elvira só havia de voltar a ver a mãe, que nunca lhe perdoou, no dia da sua morte. Quanto à filha, que no baptismo recebeu o nome de Helena, não chegaria a ver nem mãe nem avó, nem cor ou coisa nenhuma, porque nasceu cega, o que ninguém percebeu nos primeiros tempos, porque não se notava defeito nos seus olhos escuros, quase negros. Castigo de Deus, acusava-se, que assim mostrava o Seu poder na inocente criatura, como escarmento para todas as possíveis pecadoras desta vida de enganos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Acabando-se dez anos de casamento, morreu a mulher do pai da sua filha. Elvira ficara a viver em casa da tia, de quem cuidou até à hora da morte, e que lhe deixou aquele tecto para ter onde abrigar-se. Uns meses depois do início da sua viuvez, com cinco filhos divididos por este mundo e o outro – três cá e dois lá –, José foi rogar-lhe, pelo amor de Deus, que casasse com ele. Negou-se-lhe com desprezo, senhora do seu triunfo ao fim de tanto tempo. “Aqueles pequenos não têm quem cuide deles...” Finalmente, a pedrada atingira o alvo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adaptado do romance &lt;em&gt;A Terra Permitida&lt;/em&gt; (esgotado)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-8497609245744385290?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/8497609245744385290/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=8497609245744385290&amp;isPopup=true' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/8497609245744385290'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/8497609245744385290'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2009/12/o-pao-permitido.html' title='O Pão Permitido'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SxVMulZ7uPI/AAAAAAAAAJc/QkJYA97eQM0/s72-c/Rembrant-O_moinho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-1310233237078038103</id><published>2009-11-22T00:41:00.002-01:00</published><updated>2009-11-22T00:49:02.867-01:00</updated><title type='text'>Erros de Português</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SwiYGWbNq7I/AAAAAAAAAJU/9JUwdL-G5Qs/s1600/lingua-portuguesa.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5406738587524639666" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 258px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SwiYGWbNq7I/AAAAAAAAAJU/9JUwdL-G5Qs/s400/lingua-portuguesa.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Trocas o “xis” com o “ésse”?&lt;br /&gt;Procura igual em Inglês.&lt;br /&gt;Splendid não te parece&lt;br /&gt;Esplêndido em Português?&lt;br /&gt;“Dispendere” é bom latim.&lt;br /&gt;Gastar dinheiro compensa,&lt;br /&gt;Se o despendes com o fim&lt;br /&gt;De encher, e bem, a despensa.&lt;br /&gt;Podes ter uma obsessão,&lt;br /&gt;E podes ser obcecado.&lt;br /&gt;Faz acto de contrição&lt;br /&gt;Se acaso já tens errado.&lt;br /&gt;Obcecar é ficar cego,&lt;br /&gt;Mesmo se é paixão simpática.&lt;br /&gt;Como homem, faz-te estratego&lt;br /&gt;Para escolher bem a táctica.&lt;br /&gt;Confundes o indirecto&lt;br /&gt;E o complemento directo?&lt;br /&gt;Pois pensa no Brasileiro&lt;br /&gt;Que é Português verdadeiro,&lt;br /&gt;Um pouco mais a cantar.&lt;br /&gt;Se ouves dizer “dei a ele”,&lt;br /&gt;Para o mesmo afirmar&lt;br /&gt;Diz “dei-lhe”, que é o legal.&lt;br /&gt;Ou, se ouvires “eu vi ele”,&lt;br /&gt;Não hesites, diz “eu vi-o”,&lt;br /&gt;À moda de Portugal.&lt;br /&gt;Confundes com os pronomes&lt;br /&gt;A desinência verbal?&lt;br /&gt;Pois aceita o desafio:&lt;br /&gt;O “mos” em lugar dos nomes&lt;br /&gt;É caso raro, tão raro,&lt;br /&gt;Que convém é não dizê-lo,&lt;br /&gt;E melhor não escrevê-lo,&lt;br /&gt;Porque te fica mais caro.&lt;br /&gt;Se “mos” puderes trocar&lt;br /&gt;Pela forma feminina,&lt;br /&gt;Então podes separar.&lt;br /&gt;Como tens cabeça fina,&lt;br /&gt;Vou já exemplificar&lt;br /&gt;Com damas e seus bordados,&lt;br /&gt;Ou com damas e com rendas.&lt;br /&gt;Oh! que lindos! Dá-mos, sim?&lt;br /&gt;(E só te pedi as prendas&lt;br /&gt;Dos seus dedos tão prendados.)&lt;br /&gt;Mas se eu te dissesse assim:&lt;br /&gt;Oh! que lindas! Dá-mas, sim?&lt;br /&gt;(Bem podiam ser as rendas...&lt;br /&gt;Ou as damas. É o fim.)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-1310233237078038103?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/1310233237078038103/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=1310233237078038103&amp;isPopup=true' title='26 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/1310233237078038103'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/1310233237078038103'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2009/11/erros-de-portugues.html' title='Erros de Português'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SwiYGWbNq7I/AAAAAAAAAJU/9JUwdL-G5Qs/s72-c/lingua-portuguesa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>26</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-5131916320653618382</id><published>2009-11-08T00:06:00.003-01:00</published><updated>2009-11-08T00:13:20.505-01:00</updated><title type='text'>Isaac, a vítima perfeita</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SvYaP95NbrI/AAAAAAAAAJM/kl80MtYJ6Cs/s1600-h/Abraham_and_Isaac_-_esitbs87c%5B1%5D.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5401533664692367026" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 362px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SvYaP95NbrI/AAAAAAAAAJM/kl80MtYJ6Cs/s400/Abraham_and_Isaac_-_esitbs87c%5B1%5D.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; (Não pretendo transformar este espaço numa catequese bíblica ou algo que se lhe pareça. Deixo, no entanto, mais esta breve reflexão que pode ajudar a compreender a diferença entre o real e o narrado na Bíblia. E isto sem prejuízo de a história de Abraão e Isaac não ser mais do que uma mera parábola acerca da Fé, o que é a hipótese mais provável.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Muito crescia o respeito de Abraão pelo Deus que adorava. De Quem ele percebera um dia a declaração de que era o Deus supremo. E terá chegado um momento em que se convenceu de que eram muitos mais os favores que ele e o seu povo haviam recebido de Deus do que aquilo que faziam para Sua maior glória. Era certo que também Lhe prestavam culto e ofereciam sacrifícios. Seria isso suficiente? E se não fosse?... E se Deus julgasse que não recebia de Abraão e da sua casa e do seu povo a veneração que merecia? Que não Lhe eram gratos como deviam por tantos benefícios – pelo sol e pela chuva, pelos pastos e pela saúde, pelos filhos e pelos netos?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os outros povos sacrificavam aos seus deuses de maneiras variadas. Mas havia um sacrifício acima de todos os sacrifícios. Aquele que decerto amoleceria até o coração mais duro do mais inflexível de todos os deuses. Era o sacrifício de um próprio filho. Abraão pensou que Deus lhe exigia esse limite imenso do sofrimento. Como prova de amor, como pedido de auxílio e de clemência para si e para os pecados do seu povo. Daria desta forma testemunho máximo não apenas desse seu amor, mas também da sua fé. E que seria da sua descendência, que Deus prometera mais difícil de contar do que a areia do mar?... Talvez lhe viesse por Ismael, que Sara quisera ver expulso, com Agar, sua mãe, para que ele não herdasse um quinhão igual ao do filho das suas entranhas.  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Abraão chamou Isaac para o acompanhar até aos montes de Moriá. Iria ali oferecer um sacrifício ao Senhor. O menino estranha que levem fogo e lenha mas nenhuma vítima para ser sacrificada. Abraão disfarça como pode a falta da vítima e a dor infinita que lhe esmaga o coração. Decerto que durante toda a caminhada se debate a respeito de aquela ser a vontade de Deus. Se fosse possível, seria ele mesmo que se ofereceria em sacrifício. Pelo bem do seu povo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Já está pronto o altar para o holocausto. Depois disso, só restarão as cinzas de Isaac. Abraão contempla o filho vivo pela última vez. Dói-lhe mais a visão do cutelo do que se este lhe trespassasse a própria garganta. Então percebe uma voz interior que o manda suster o gesto que seria o último que Isaac veria na sua curta vida. E dá pela presença de um carneiro ali perto, que ficara preso num silvado. Esta vítima bastará ao Senhor. Que não quer nunca sacrifícios humanos. Num momento em que a fé de alguns israelitas se deixará cair na tentação da idolatria, Deus o dirá assim pela boca do profeta Jeremias: “Encheram este lugar com sangue de inocentes, e levantaram o lugar alto a Baal, para, em honra dele, queimarem os seus filhos em holocaustos, coisa que jamais prescrevi, nem falei, nem me veio ao pensamento.” &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-5131916320653618382?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/5131916320653618382/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=5131916320653618382&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/5131916320653618382'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/5131916320653618382'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2009/11/isaac-vitima-perfeita.html' title='Isaac, a vítima perfeita'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SvYaP95NbrI/AAAAAAAAAJM/kl80MtYJ6Cs/s72-c/Abraham_and_Isaac_-_esitbs87c%5B1%5D.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-6455375252891997534</id><published>2009-11-01T23:01:00.008-01:00</published><updated>2009-11-01T23:12:53.367-01:00</updated><title type='text'>Abraão</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/Su4ig1a6qhI/AAAAAAAAAJE/k3IUrqkFess/s1600-h/wadirum_mountains.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5399290950754937362" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 264px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/Su4ig1a6qhI/AAAAAAAAAJE/k3IUrqkFess/s400/wadirum_mountains.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Deserto de Wadi Rum (fotografia retirada de &lt;a href="http://www.atlastours.net/jordan/wadirum_history.html"&gt;AtlasTours.Net&lt;/a&gt;) &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os Hebreus. “Homens poeirentos”, o que talvez seja o significado irónico da palavra com que eram conhecidos. Caminhavam no pó, surgiam do meio dele, desapareciam entre nuvens de poeira. Nómadas, não tinham morada certa. A sua casa era uma tenda, a sua pátria era o deserto. Como outros povos que ainda não tinham encontrado um pedaço de terra que pudesse ser seu. Onde crescesse erva em abundância e a água jorrasse em permanência. Onde pudessem semear umas lentilhas ou uns grãos de trigo. Homens sem pátria, sem casa e sem Deus. Talvez prestassem culto aos deuses dos altares que encontravam no seu caminho de vagabundos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Um povo sem deuses seus, sem um ao menos, era um povo incompleto. Como uma família sem pai ou sem mãe. Poderiam fazer um ídolo. Mas com que nome? Com que poderes? Para os proteger de quê e em quê, se de tanto eram necessitados? E seria mais um empecilho a transportar nas longas jornadas. De qualquer modo, saberiam sempre que ele teria sido fabricado pelas suas próprias mãos, que teria sido uma invenção sua. E compreendiam que a imaginação não faz a realidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas um dia, ou ao longo de vários dias, ou até durante anos sucessivos, por palavras ouvidas ou apenas no íntimo da sua mente, Abraão percebeu que alguém se lhe revelava. Alguém que se dizia o seu Deus e o Deus do seu povo. Um Deus sem imagem física, que nem sequer tinha um nome nem um rosto. Que caminharia com ele e com o seu povo, que estaria sempre com eles.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os Hebreus foram-se afeiçoando a esse Deus desconhecido. Dele só sabiam que era o seu, e isso lhes bastava. Já eram, agora, uma família completa. Os outros povos talvez continuassem a escarnecer deles, mais ainda do que antes, por estarem convencidos de que tinham um Deus que não precisava de corpo nem de feições.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Deus tivera o cuidado de não dizer muito de Si mesmo. Nem sequer que era o único. Porque Abraão, e sobretudo a sua gente, dificilmente acreditariam nisso. Vivendo entre povos que prestavam culto a muitos deuses, ninguém poderia imaginar que afinal nenhum deles fosse verdadeiro, e que o único era aquele que Abraão dizia ter-lhe falado. Um Deus menor, sem dúvida, como menor era o povo que o proclamava seu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A fé de Abraão foi aumentando. E a sua confiança tornou-se ilimitada quando Deus cumpriu a promessa de Sara, sua mulher, lhe dar um filho apesar da idade já muito avançada. Ela chegara a compadecer-se tanto do marido que até lhe oferecera Agar, sua escrava egípcia, para nela gerar descendência. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, Abraão já percorrera um longo caminho. Partindo de Ur, sua terra natal, e tendo passado por Babilónia e Mari, chegara a Haran. E fora aqui, onde, tal como em Ur, se adorava a mesma deusa que habitava a Lua, que começara a receber a revelação divina. Depois seguira para sul, porque Canaã era o seu destino. Terá passado por Karkemish, Alepo e Damasco, fixando-se em Siquém. Mais tarde, em tempo de uma grande fome, procurou refúgio no Egipto, que era o sonho de todos os famintos por causa da abundância de colheitas que cresciam nos aluviões do Nilo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando regressou do Egipto, montou as suas tendas perto dos carvalhos de Mambré, junto ao Hebron. E aí ergueu um altar ao Senhor, como antes fizera num monte a oriente de Betel. Um altar vazio. E já então Melquisedec, sacerdote e rei de Salém, celebrara com pão e vinho uma vitória de Abraão contra os inimigos que tinham feito prisioneiro seu sobrinho Lot. E saudara o patriarca dizendo: “Bendito seja Abraão pelo Deus Altíssimo que criou os Céus e a Terra.”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Abraão terá percebido que o seu Deus de algum modo também se ia revelando à inteligência de outros homens de boa vontade. O Deus que lhe manifestara a existência e prometera a protecção do seu povo era, afinal, Senhor de toda a humanidade. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-6455375252891997534?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/6455375252891997534/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=6455375252891997534&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/6455375252891997534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/6455375252891997534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2009/11/abraao.html' title='Abraão'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/Su4ig1a6qhI/AAAAAAAAAJE/k3IUrqkFess/s72-c/wadirum_mountains.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-7134318014081357216</id><published>2009-10-29T17:47:00.002-01:00</published><updated>2009-10-29T17:51:09.123-01:00</updated><title type='text'>Caim e Abel, uma história universal</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SunjRBwAqEI/AAAAAAAAAIM/p5aVHWFT9-Q/s1600-h/cainabel_1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 299px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SunjRBwAqEI/AAAAAAAAAIM/p5aVHWFT9-Q/s400/cainabel_1.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5398095510047336514" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;p style="text-align: center;margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; font: normal normal normal 12px/normal 'Times New Roman'; "&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Caim e Abel&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt; (Simon Vouet e Pietro Novelli, 1620)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; text-align: justify; font: 12.0px Times New Roman"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; text-align: justify; font: 12.0px Times New Roman"&gt;&lt;span style="letter-spacing: 0.0px"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Os rios Tigre e Eufrates haviam formado a ubérrima planície da Mesopotâmia. E aí se fez Babilónia, uma das primeiras e mais importantes cidades da história humana. No início do século VI a. C., Nabucodonosor atacara Jerusalém, destruíra o Templo e levara prisioneiros muitos milhares de judeus. E foi durante esse doloroso cativeiro, que só haveria de terminar com a libertação de Ciro, em 538 a. C., que grande parte da Bíblia foi composta. O &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Génesis&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;, que recolhe muitas histórias e mitos do Médio Oriente, foi um dos livros que se escreveram na cidade opressora.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; text-align: justify; font: 12.0px Times New Roman"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; text-align: justify; font: 12.0px Times New Roman"&gt;&lt;span style="letter-spacing: 0.0px"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Babilónia representava para os judeus a incarnação do mal. E fora a agricultura a tornar possível a vida sedentária e a criação de cidades. Estas aparecerão em vários momentos do Antigo Testamento como lugares de perdição. Sodoma, Gomorra e Nínive são dos exemplos mais conhecidos. E a própria Jerusalém será com frequência amaldiçoada por profetas que desse modo a acusavam dos pecados que o povo de Deus tantas vezes cometeu. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; text-align: justify; font: 12.0px Times New Roman"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; text-align: justify; font: 12.0px Times New Roman"&gt;&lt;span style="letter-spacing: 0.0px"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Em oposição ao mal urbano, estava a vida livre, isolada e vagabunda dos pastores. E os Hebreus haviam sido um povo essencialmente dedicado à pastorícia. É deste contraste que nasce a história de Caim e Abel. O agricultor Caim mata o irmão, pastor, levado em parte pelos ciúmes que sentiu por causa de Deus não ter aceitado o sacrifício que Lhe oferecera. Mas, segundo o autor bíblico, Deus não recebeu a oferenda com agrado porque conhecia o íntimo de Caim, propenso ao pecado. De tal maneira que, depois de fugir da sua terra e dos remorsos do seu crime, ele haveria de fundar uma cidade, precursora de todas as Babilónias do Mundo. Caim é, de certo modo, a incarnação dos babilónios criminosos, e Abel a vítima inocente em quem o autor retrata o seu próprio povo. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; text-align: justify; font: 12.0px Times New Roman"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; text-align: justify; font: 12.0px Times New Roman"&gt;&lt;span style="letter-spacing: 0.0px"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Este é o fundamento moral da história de Caim e Abel. Um mito que dura há milhares de anos, e que, embora de um modo inconsciente, Hollywood contou inúmeras vezes nos seus filmes do género “western”. A diferença é que o herói que vem de longe, das imensas pradarias, para fazer justiça na cidade dominada pelo mal, triunfa quase invariavelmente. Ao contrário de Abel. Que fica também como símbolo de que todos os assassínios e todas guerras são fratricidas, porque todos os homens são irmãos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; text-align: justify; font: 12.0px Times New Roman"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; text-align: justify; font: 12.0px Times New Roman"&gt;&lt;span style="letter-spacing: 0.0px"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;É curioso o aparente paradoxo de Caim ter fundado uma cidade, apesar de viver nesse mundo bíblico em que só existiriam Adão, Eva e ele mesmo. Os autores do Antigo Testamento mostram-se, com frequência, pouco preocupados com questões lógicas, o que é a melhor indicação do carácter simbólico dos seus escritos. Pouco depois deste episódio de crime fratricida, é-nos apresentada uma fantasiosa genealogia de Adão até Abraão. O que é uma forma de afirmar o povo hebreu como descendente do primeiro casal humano, que, tal como consta em outros mitos do Médio Oriente, fora formado do barro pelas mãos do próprio Deus. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-7134318014081357216?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/7134318014081357216/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=7134318014081357216&amp;isPopup=true' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/7134318014081357216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/7134318014081357216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2009/10/caim-e-abel-uma-historia-universal.html' title='Caim e Abel, uma história universal'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SunjRBwAqEI/AAAAAAAAAIM/p5aVHWFT9-Q/s72-c/cainabel_1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-2022831979823835576</id><published>2009-10-22T22:20:00.003Z</published><updated>2009-10-22T22:27:52.120Z</updated><title type='text'>Saramago, a Bíbilia e a minha opinião</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SuDbBya9UfI/AAAAAAAAAIE/1S9l1np-3eI/s1600-h/cristo-dali.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 222px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SuDbBya9UfI/AAAAAAAAAIE/1S9l1np-3eI/s400/cristo-dali.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5395553177351049714" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Cristo de São João da Cruz, 1951 (Salvador Dalí)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;p style="text-align: left; text-indent: 0px;margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; font: normal normal normal 12px/normal 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:Georgia, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: left; text-indent: 0px;margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; font: normal normal normal 12px/normal 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:Georgia, serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:Georgia, serif;"&gt;&lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; text-align: justify; font: 12.0px Times New Roman"&gt;&lt;span style="letter-spacing: 0.0px"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;A primeira vez que li Saramago foi no &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Levantado do Chão&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;. Desde &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Quando os Lobos Uivam&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt; que não tinha havido outro romance português que me fascinasse tanto. Depois, veio o &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Memorial do Convento&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;, e aí encontrei algumas das mais belas páginas de sempre da literatura portuguesa. Foram-se seguindo outros livros, mas nenhum voltou a entusiasmar-me tanto como aqueles.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; text-align: justify; text-indent: 35.4px; font: 12.0px Times New Roman; min-height: 15.0px"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span style="letter-spacing: 0.0px"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; text-align: justify; font: 12.0px Times New Roman"&gt;&lt;span style="letter-spacing: 0.0px"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Só arranjei tempo para &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;O Evangelho Segundo Jesus Cristo&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt; muito depois da polémica gerada à sua volta. Não me impressionou em termos religiosos, sendo quase nulo como investigação histórica. E levei todo o livro até encontrar uma frase literariamente genial: “Homens, perdoai-lhe, porque ele não sabe o que fez.” Pouco, para um autor de quem tinha passado a esperar sempre do melhor que pudesse ser escrito em Português ou em qualquer outra língua, e cujo estilo já me parecera um tanto ou quanto cansado em &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;O Ano da Morte de Ricardo Reis&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;. Há anos que não o leio. Não duvido de que tenha perdido alguma boa obra, mas o tempo não dá para tudo e o mundo está cheio de boa literatura.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; text-align: justify; font: 12.0px Times New Roman"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; text-align: justify; font: 12.0px Times New Roman"&gt;&lt;span style="letter-spacing: 0.0px"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;A propósito de &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Caim&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;, Pilar, sua mulher, disse que o leitor, no final, sentir-se-á como se tivesse sido apunhalado no estômago. Ora não me apetece ser apunhalado. Nem mesmo literariamente. Para histórias negras, que nos amarfanham a alma, basta a realidade. Não é necessário reinventá-la em coisas como o &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Ensaio Sobre a Cegueira&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;, por exemplo. Do qual poderia dizer-se, também, que é um manual de maus costumes. Nunca recuei na leitura de livros tétricos, pungentes, mas reais. Ainda que me tenha ficado para toda a vida o sabor amaríssimo do &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Diário&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;, de Anne Frank, ou da &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Esperança&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;, de Malraux.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; text-align: justify; font: 12.0px Times New Roman"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; text-align: justify; font: 12.0px Times New Roman"&gt;&lt;span style="letter-spacing: 0.0px"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Quanto às declarações de Saramago a respeito da Bíblia, ele pode dizer o que quiser. Mas tem de aceitar que quem julga que ele está errado o diga frontalmente. A liberdade de expressão não é só para dizer, é também para contradizer.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; text-align: justify; font: 12.0px Times New Roman"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; text-align: justify; font: 12.0px Times New Roman"&gt;&lt;span style="letter-spacing: 0.0px"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;A Bíblia não é um livro, é um conjunto deles. É a literatura e a história de um povo. E também a história da sua fé. Escritos sem preconceitos nem vontade de agradar a ninguém. Há, nos autores bíblicos, uma liberdade de expressão que qualquer amante da liberdade deveria admirar. Porque eles se revoltam contra o poder real abusivo ou contra os ricos à volta dos quais nada medra. Chegam a revoltar-se, até, contra o próprio Deus. E apenas contam a verdade ou aquilo que entendiam como tal. Cheios de imprecisões históricas, geográficas e teológicas. Nenhum deles é um livro de ciência, embora a visão do Mundo segundo a ciência daquele tempo também lá caiba. Quando se acreditava, por exemplo, que havia um oceano superior, inesgotável, de onde vinha toda a água da chuva, e por isso capaz de provocar uma inundação que chegasse a cobrir as mais altas montanhas. Ou que o Sol andava à volta da Terra, ideia que permaneceu durante mais dois milénios. Contra o próprio Galileu poderia ter sido usado um dos seus livros, o &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Tratado da Esfera&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;, em que ele ainda seguia Ptolomeu.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; text-align: justify; font: 12.0px Times New Roman"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; text-align: justify; font: 12.0px Times New Roman"&gt;&lt;span style="letter-spacing: 0.0px"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Na Bíblia, que não é um tratado de Teologia, a imagem de Deus reflecte a necessidade de um povo. Por isso umas vezes Ele é visto como a infinita misericórdia, e outras como um vingador absoluto. Porque os filhos de Israel precisavam de sentir a esperança para o perdão dos seus pecados ou a crença num libertador. E, para os costumes de então, tal como para a realidade de hoje, só um exército mais forte podia vencer a força de um opressor. Ao longo dos séculos em que a Bíblia foi escrita, os Hebreus nunca fizeram uma guerra de conquista. Foram apenas vítimas das maiores sevícias, cativeiros e destruições que nesses tempos aconteceram. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-2022831979823835576?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/2022831979823835576/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=2022831979823835576&amp;isPopup=true' title='25 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/2022831979823835576'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/2022831979823835576'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2009/10/saramago-bibilia-e-minha-opiniao.html' title='Saramago, a Bíbilia e a minha opinião'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SuDbBya9UfI/AAAAAAAAAIE/1S9l1np-3eI/s72-c/cristo-dali.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>25</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-7308228282194230691</id><published>2009-10-16T20:08:00.005Z</published><updated>2009-10-16T20:23:33.899Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sobre a Verdade das Coisas'/><title type='text'>Umas eleições de há mais de um século</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/StjU89DchwI/AAAAAAAAAH8/TeyUo-3Zjw8/s1600-h/Melo+Nunes.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5393294697422423810" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/StjU89DchwI/AAAAAAAAAH8/TeyUo-3Zjw8/s400/Melo+Nunes.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Relógio da Igreja do Divino Espírito Santo, Maia (fotografia de Sérgio Lourenço)&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O senhor Melo Nunes deixou nome numa rua e memória de ser rico e sabido. Não foi avaro de nada do que teve, fez bem, como entendeu e pôde, a pobres e ignorantes. Como o tempo lhe sobrava e saber tinha o bastante para isso, andou toda a vida metido em política, progressista estreme, único guardião influente do seu partido na zona inteira dos Fenais ao Porto. Foi presidente vitalício da assembleia de voto que funcionava na Maia, aonde vinham votar também os eleitores dos Fenais da Ajuda, Lomba da Maia e Porto Formoso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Por umas eleições, disse-lhe o governador civil, progressista como ele, que era preciso ganhar na Maia. “Mas como?!...” lamentava Melo Nunes. O padre do Porto Formoso era regenerador; os Câmaras, da Lomba da Maia, igual; os Bettencourt, dos Fenais da Ajuda, iam, interessadamente, pelos mesmos caminhos. Que fazer?... Nem que tenha de anular as eleições…” alvitrou, como recomendação, o governador. Havia de ver-se…&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No dia das eleições, oito horas certas, Melo Nunes abriu a assembleia e preparou-se para nomear os restantes membros da mesa. Chamou parece que o regedor dos Fenais da Ajuda para um dos cargos, e ele logo disse que não podia, era incompatível. Melo Nunes sabia-o bem, mas folheou demoradamente o livro dos regulamentos, até que lhe pareceu que era de mais, “encontrou” a lei. “Tem razão, sim senhor.” Entretanto, combinação feita com o padre e o sacristão, dera de olhos a este que disfarçadamente foi adiantar uns minutos ao relógio da igreja. Fez nomeações de incompatibilidades sucessivas, procurou sempre do mesmo modo o artigo de lei respectivo, o sacristão foi sempre, igualmente, viciando as horas do relógio da igreja, o único que marcava o tempo para todos os presentes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Última nomeação feita, o incompatível a protestar: “O senhor sabe que não posso fazer parte da mesa!” E Melo Nunes, avisado de que o relógio chegara às nove: “E os senhores sabem que, passada uma hora, se não está composta a mesa não há eleições.”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E não houve. Mas, quando os rivais perceberam o logro, quase o matavam, com o padre do Porto Formoso a esgrimir a bengala no comando dos descontentes. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A Melo Nunes tiveram os amigos leais de guardar-lhe a casa durante três dias.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(Do livro &lt;em&gt;Sobre a Verdade das Coisas&lt;/em&gt;, esgotado)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-7308228282194230691?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/7308228282194230691/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=7308228282194230691&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/7308228282194230691'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/7308228282194230691'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2009/10/umas-eleicoes-de-ha-mais-de-um-seculo.html' title='Umas eleições de há mais de um século'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/StjU89DchwI/AAAAAAAAAH8/TeyUo-3Zjw8/s72-c/Melo+Nunes.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-340778330861645286</id><published>2009-10-07T21:32:00.010Z</published><updated>2009-10-08T21:54:32.289Z</updated><title type='text'>O teu nome Calie</title><content type='html'>&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);"&gt;Sabes daquele teu retrato que eu costumo dizer que é o dos olhos grandes? O poema para ele, que me daria direito pleno de figurar numa galeria de poetas, tentei-o começando assim:&lt;/span&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);"&gt;“A perfeição, quase:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);"&gt;A beleza exausta de tanto o ser.” &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);"&gt;Numa tarde de muito sol, em Santa Maria, para as bandas da Flor&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);"&gt; da Rosa, avistei de longe um homem a trabalhar, do outro lado de um daqueles insólitos e fundos barrancos com que a ilha tantas vezes nos surpreende, numa quinta onde eu sabia que havia dióspiros. Olhei com a força de um desejo infantil que nunca passou fome mas raramente tinha dessas carícias no paladar. E aconteceu o que eu não imaginara que pudesse suceder: o homem chamou-me com um gesto como quem ordena, corri até à beira do muro, e ele deu-me uns dois ou três frutos maduros, deliciosos, um milagre de doce frescura na aridez da paisagem e da minha gulodice.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/Ss0PUaw9LWI/AAAAAAAAAH0/vTCA5-QUACA/s1600-h/P1018926.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5389981172488809826" style="margin: 0px auto 10px; display: block; width: 400px; cursor: pointer; height: 300px; text-align: center;" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/Ss0PUaw9LWI/AAAAAAAAAH0/vTCA5-QUACA/s400/P1018926.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Santana vista das proximidades do Clube Asas do Atlântico (Fotografia de Ana Loura)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que tem isto que ver contigo?... Tem que eras, no tempo em que te chamei Calie pela primeira vez, um fruto ainda por amadurecer. Eu teria de enfrentar muitos barrancos antes de te me ofereceres, numa longa jornada que me parece um destino traçado por Alguém que sabe mais do que nós. Fui um Pêro de Alenquer que desconhecia por que rotas se ia à Índia mas lá chegou porque os ventos de uma monção favorável e de favor o conduziram, de cabo a cabo e de porto em porto, até às margens seguras de Calie.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na primeira ocasião em que reparei em ti eras uma criança ainda. Sabia lá os rumos que as nossas vidas haveriam de percorrer! Eras linda e prometias sê-lo cada vez mais. Além disso, sabia-te inteligente, aluna com média de dezasseis no Liceu. E eu lembrava-me do que sempre me custara passar a barreira dos doze em todas as disciplinas, para ter direito a quadro de honra no Externato de Santa Maria. Nos quatro anos que por lá andei, consegui-o em seis períodos, algumas vezes com uma bênção condescendente na Matemática e no Desenho. Nem imaginas a alegria que isso me dava e o desalento em que os outros seis me deixaram. Daí para cima, quero dizer trepar pela pauta até um catorze ou um quinze, era coisa rara e só podia acontecer em História ou Geografia, em Português ou mesmo Física.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/Ss0M_iScrrI/AAAAAAAAAHk/ACNS4DU9BfA/s1600-h/Alice+e+Daniel.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5389978614707826354" style="margin: 0px auto 10px; display: block; width: 400px; cursor: pointer; height: 250px; text-align: center;" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/Ss0M_iScrrI/AAAAAAAAAHk/ACNS4DU9BfA/s400/Alice+e+Daniel.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Procurai descobrir a personagem (fotografia de Laudalino Pacheco, Julho de 1974)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pensarás então, talvez, que gostei de ti porque tinhas uma cara bonita e um corpo airoso... Não, meu Amor, não foi só por isso. Mas, como disse um poeta popular que eu inventei – e toma-o como se fosse eu a dizê-lo de ti –: “Os olhos amam primeiro,/ O coração vê depois.” E o meu, quando pôde ver, gostou do que viu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Do tal livro em longa preparação &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A Longa Jornada Até Calie&lt;/span&gt;)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;style type="text/css"&gt;  &lt;!--   @page { margin: 2cm }   P { margin-bottom: 0.21cm }  --&gt;  &lt;/style&gt;&lt;br /&gt;&lt;style type="text/css"&gt;  &lt;!--   @page { margin: 2cm }   P { margin-bottom: 0.21cm }  --&gt;  &lt;/style&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-340778330861645286?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/340778330861645286/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=340778330861645286&amp;isPopup=true' title='25 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/340778330861645286'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/340778330861645286'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2009/10/o-teu-nome-calie.html' title='O teu nome Calie'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/Ss0PUaw9LWI/AAAAAAAAAH0/vTCA5-QUACA/s72-c/P1018926.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>25</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-5453967988956118683</id><published>2009-09-24T21:41:00.009Z</published><updated>2009-09-25T13:12:55.428Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Longa Jornada Até Calie'/><title type='text'>Os junquilhos de Monserrate</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/Srv01dTi1MI/AAAAAAAAAHM/inN81kSLXHM/s1600-h/Ermida-restaurada.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/Srv0AqibHhI/AAAAAAAAAHE/pN3w07-GVAc/s1600-h/Ermida-Monserrat2-Foto-Pepe.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 265px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/Srv0AqibHhI/AAAAAAAAAHE/pN3w07-GVAc/s400/Ermida-Monserrat2-Foto-Pepe.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5385166071707409938" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="  ;font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Meio século depois, a árvore crescera muito, mas ainda havia junquilhos no mesmo lugar. Foto Pepe)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; text-align: justify; font: 12.0px Times New Roman"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:16px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; text-align: justify; font: 12.0px Times New Roman"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style=" "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Não me confundo na ilusão de claramente ter visto num Natal o que vi  porque muito desejava ver. Sei como o sonho entra livremente pela verdade dentro, naquela idade em que a fronteira entre a imaginação e os olhos não tem fiscais. Mas nesse Natal eu vi. Terá sido o dos meus quatro &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style=" "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;anos, e o Menino acabara de deixar junto à lareira um pequeno Dakota de plástico, em cujas asas haveria de voar todas as distâncias. Olhei pela chaminé ainda a tempo de um vislumbre de maravilha: a sua perninha esquerda, rechonchuda como a de um ingénuo Murillo, escapava-se rapidamente, na pressa de atender outras crianças. Ninguém foi capaz de me dizer que era mentira. E ainda hoje, apesar de saber que não podia ter visto nada mais do que as paredes negras da chaminé, tenho na memória, nítida como a das coisas mais reais, a forma e a cor exactas dessa imagem fugaz.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style=" "&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; text-align: justify; font: 12.0px Times New Roman"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; text-align: justify; font: 12.0px Times New Roman"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style=" "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style=" "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style=" "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Mas, quando comprei um pião ao Leonardo por cinquenta centavos – valor que ele me fiou, fiando-me eu em que meu Pai mo daria –, aconteceram coincidências que ainda me parecem demasiadas para não terem resultado daquele acaso de que alguém disse ser o nome que às vezes damos a Deus. Tão outros tempos eram esses que meio escudo, para uma criança, era uma pequena fortuna. E mesmo para os adultos, que nem sempre o tinham. Por isso não te admires de eu ter receado não arranjar com que pagasse ao Leonardo. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; text-align: justify; font: 12.0px Times New Roman"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:16px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; text-align: justify; font: 12.0px Times New Roman"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style=" "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style=" "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style=" "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Quando meu Pai me deu o dinheiro, guardei-o na algibeira, sabendo que podiam passar-se vários dias, mesmo semanas, sem que encontrasse o meu credor, um amigo que eu raramente via. Fui à cantina do Aeroporto fazer compras e, já perto da capela de Nossa Senhora do Ar, dei com um mendigo da Vila sentado no murinho de protecção do aqueduto que atravessava a estrada vindo da mata da Secretaria. Não hesitei um segundo na intenção de lhe fazer esmola com a tal minha pequena fortuna que, na verdade, nem sequer me pertencia. E o curioso é que eu tive a certeza de que o problema criado por tão espontânea boa vontade se haveria de resolver... Não sei porquê, nem sei esperando o quê, mas tive-a. Se fosse meu feitio jurar, jurava isto por ti, Calie.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; text-align: justify; font: 12.0px Times New Roman"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:16px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; text-align: justify; font: 12.0px Times New Roman"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Ao passar na casa desse santo que foi o padre Artur, a irmã, que estava em roupa imprópria para sair à rua, pediu-me para lhe comprar uma caixa de fósforos, que custava quarenta centavos, na cantina, que era do outro lado do caminho. Trinta, trinta e cinco passos não apressados, talvez, de porta a porta. E deu-me, como recompensa pelo insignificante favor, exactamente cinquenta centavos, que era o dinheiro branco mais pequenino e que sempre gostávamos de ter, pelo menos esse, para deitar na bandeja quando se beijava o Menino no fim da Missa do Galo. Em outras circunstâncias provavelmente teria recusado, e não me lembro de ninguém me ter dado nunca uns dez &lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-size:12px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-size:16px;"&gt;centavos sequer por um recado, durante os treze anos que vivi na Ilha-Mãe. Regressei a casa pelo caminho menos habitual, que era o mais longo antes da sucessão de atalhos que levavam a Santana, e que normalmente só escolhia quando ia pedir o &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-size:16px;"&gt;Cavaleiro Andante&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-size:16px;"&gt; ao José Guilherme. Contra as minhas expectativas, porque não era habitual vê-lo por essas bandas, encontrei o Leonardo e paguei a dívida.&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-size:12px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-size:16px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; text-align: justify; font: 12.0px Times New Roman"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:16px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; text-align: justify; font: 12.0px Times New Roman"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-size:12px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-size:16px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-size:12px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-size:16px;"&gt;Menor importância terá tido para mim um outro caso, mas que pode até ser de mais poética ingenuidade. Numa tarde de vinte e quatro de Dezembro, entrei na capela e vi que ainda ninguém tinha trazido flores para enfeitar o altar. Disse à irmã do padre Artur que sabia onde encontrar daqueles junquilhos a&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style=" "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-size:16px;"&gt;marelos que cheiram mesmo a Natal, e fui a correr para a mata de Monserrate, porque tinha visto uma moitazinha deles em frente da ermida. Que desilusão, meu Amor... Não havia nem um. E sabes o que fiz? Ajoelhei-me a rezar à porta de Nossa Senhora para que alguém encontrasse flores e as fosse levar para a festa do nascimento do Seu Filho. Quando voltei, havia já, ao lado do altar, um braçado de junquilhos mais ou menos como o que eu pensara poder trazer de Monserrate.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; text-align: justify; font: 12.0px Times New Roman"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:16px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/Srvw3Ye7n8I/AAAAAAAAAG8/BYlN6dcnXUM/s400/Altar+Nossa+Senhora+do+Ar.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5385162613707218882" /&gt; &lt;p style="text-align: center;margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; font: normal normal normal 12px/normal 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style=" "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Os junquilhos de Monserrate seriam para o altar que havia no lugar deste, antes do incêndio que destruiu a capela de Nossa Senhora do Ar. Fotografia de Ana Loura)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; text-align: justify; font: 12.0px Times New Roman"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; text-align: justify; font: 12.0px Times New Roman"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style=" "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Não penses que recordo estas coisas como actos de bondade ou de uma fé admirável e si&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style=" "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;mples, a fé dos pequeninos, que eu mesmo tenha praticado. Foi há tanto tempo, que essa criança inspira-me mais ternura que saudade. Vejo-a como se não fosse eu, acompanho-a nestas recordações como se a seguisse de perto ou estivesse parado atrás dela. Neste preciso momento acabo de voltar da mata de Monserrate sem lhe ter visto a cara. Mas reconheço, Calie, que se alguma coisa boa ficou em mim foi porque dela aprendi. E se é certo, meu Amor, que terei o cuidado de dizer-te o mais possível coisas boas, não é para que pareça a teus olhos que fui sempre um puro, mas para que o penses do mundo onde vivi, porque a literatura já tem demasiadas páginas cheias com o mais feio que há em nós. Mas, se em algum momento imaginares que andei triste – e talvez seja verdade – lembra-te de que esta história tem um final feliz.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; text-align: justify; font: 12.0px Times New Roman"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:16px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; text-align: justify; font: 12.0px Times New Roman"&gt;&lt;img src="http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/Srv01dTi1MI/AAAAAAAAAHM/inN81kSLXHM/s400/Ermida-restaurada.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5385166978688406722" style="display: block; margin-top: 0px; margin-right: auto; margin-bottom: 10px; margin-left: auto; text-align: center; cursor: pointer; width: 300px; height: 400px; " /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: center;margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; font: normal normal normal 12px/normal 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;(Ficou linda, a ermida, mas os meus junquilhos não voltarão a florir. Fotografia de Ana Loura)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: center;margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; font: normal normal normal 12px/normal 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:16px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; font: normal normal normal 12px/normal 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:16px;"&gt;(De &lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;A Longa Jornada Até Calie, &lt;/span&gt;em preparação)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-5453967988956118683?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/5453967988956118683/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=5453967988956118683&amp;isPopup=true' title='20 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/5453967988956118683'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/5453967988956118683'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2009/09/os-junquilhos-de-monserrate.html' title='Os junquilhos de Monserrate'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/Srv0AqibHhI/AAAAAAAAAHE/pN3w07-GVAc/s72-c/Ermida-Monserrat2-Foto-Pepe.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>20</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-4489935491840416935</id><published>2009-09-17T21:42:00.008Z</published><updated>2009-09-18T00:07:35.248Z</updated><title type='text'>A vizinha Maria José, o pão</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SrKt9ggH_oI/AAAAAAAAAGs/2volO6IgWEc/s1600-h/Vizinha+Maria+JosÃ©.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5382555776869465730" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SrKt9ggH_oI/AAAAAAAAAGs/2volO6IgWEc/s400/Vizinha+Maria+Jos%C3%A9.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;O abraço comovido com o vizinho Manuel Figueiredo, filho da vizinha Maria José, em cuja casa a minha mãe também cozeu o pão. Está paralítico há oito anos, e não nos víamos há vinte e um.&lt;/em&gt; (fotografia de Ana Loura)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A primeira vez que vi a vizinha Maria José foi lá pelas bandas de Monserrate, acima de Santana, perto das terras que João Tomé comprou a João da Maia por escritura de 1492, a Roça das Canas, memória que se guarda num dos documentos mais antigos destas ilhas. Só muito mais tarde soube quem foi esse homem, que eu então talvez pensasse que era alguém vivo ou defunto ainda recente, e que dera nome também a uma chã perto da Ribeira do Engenho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se minha irmã fazia parte do grupo, mas lembro-me muito bem de estar ao pé de minha Mãe a assistir à conversa com aquela senhora que logo ofereceu o seu forno quando soube para onde íamos morar. Não recordo nenhum outro momento desse dia: nem o nosso espanto, que decerto o tivemos, e grande, ao ver a nossa nova “casa”, nem nada da viagem, antes ou depois. (Nesta espécie de pintura mental observo o cenário aí uma meia dúzia de passos atrás da vizinha Maria José, e vejo-me com a direita agarrada à mão esquerda de minha Mãe.) Do mesmo modo, esqueci a mudança e como foi feita, tal como os primeiros dias de Santana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez convenha explicar o que era um “vizinho” em Santana. Se a palavra fosse usada com rigor, haveria lá muito poucos porque, além de pequenos grupos de duas ou três casas aqui ou além, eram todas longe umas das outras. Da nossa, que passou a ser a primeira habitada em relação a quem vinha do Aeroporto, até à última havia, para as minhas pernas de criança, coisa de duas léguas, o que, no entanto, deve ser dividido pelo menos por cinco, se se quiser estar perto da verdade. Ainda assim, e alargando-se o povoado por quase outro tanto, umas quatro dezenas de famílias não davam para garantir proximidade que justificasse tratarmo-nos por vizinhos. Mas a amizade justificava. A casa da vizinha Maria José, apesar de ser, num dos tais grupos de três, a mais próxima, tinha a separar-nos um dos nossos pastos e um pedaço de canada. Pelo meio, era preciso passar uma torrente que enchia com as chuvadas fortes, o que, se era o caso quando voltávamos da cozedura, obrigava meu Pai a ter de pegar em minha Mãe ao colo para a atravessar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesses, como nos outros dias, quase sempre nessas noites, vinha connosco o cheiro do pão fresco. E é tão reconfortante recordar este cheiro como o dos nossos filhos acabados de lavar... Mas havia semanas em que, por uma ou outra razão, minha Mãe não chegava a cozer, e então comíamos pão da padaria, o que era para nós, habituados ao outro, o verdadeiro, uma insuperável gulodice. Um luxo maior, no entanto, pois custava por dia pelo menos metade do que meu Pai ganhava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Creio que até as codornizes se admirariam se por acaso me viam atravessar os pastos sem ser na correria do costume, e os gafanhotos ficariam espantados de não me baterem na testa com a violência habitual. Ou porque ia atrasado para o Externato – o “colégio”, pois era assim que o chamávamos – ou para outro qualquer destino, como o Clube Asas do Atlântico, para ouvir o relato. Mas a cena que vou recordar não foi em tempo de codornizes a fazer ninho nem de gafanhotos a encher o ar de asas e ruídos leves.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era Inverno no calendário e no tempo que fazia. Eu fora comprar pão à cantina, e trazia-o protegido num saco de lona e, a mim, dentro de uma casaco grosso. Calçava botas de cano, de borracha, para enfrentar os lamaçais de palmo. Vinha a correr, claro, porque ainda tinha o primeiro almoço para tomar, e era preciso mudar de roupa e voltar a tempo da aula mais matinal. Chegando perto do bairro de S. Lourenço, quase a voltar na rua que dava para o primeiro atalho de Santana, encontrei uma jovem para quem se aproximava o dia de ser mãe. Andava a muito custo, com dois sacos nas mãos que pareciam pesar-lhe como uma cruz. Os olhos anunciavam lágrimas prontas a nascer, e ela pediu-me, numa súplica angustiada, que a ajudasse a levar as compras a casa... que depois me dava a esmola, acrescentou, como quem joga a última esperança num grito de socorro. Sem tempo sequer para reduzir muito a corrida, disse-lhe que não podia, que tinha de ir para o colégio. Só instantes depois percebi que ela, pelo traje e pelo saco do pão, me confundira com um pedinte. E, embora aquele pão tivesse sido comprado com o suor de meu Pai, o cansaço de minha Mãe e a ajuda de minha irmã e um pouco a minha também, não fiquei ofendido com a confusão, nem me importou que ela tivesse ou não entendido, pela minha resposta, que eu não andava a pedir esmola. Apenas me pesou imenso que não pudesse valer-lhe, que tivesse tão contados os minutos que um só seria suficiente para me fazer chegar atrasado ao meu encontro com outros caminhos da civilização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa imagem ainda hoje é uma obsessão para mim. Sei que se a jovem senhora tivesse sabido que se enganara decerto ficaria envergonhada e me pediria desculpa. Mas depressa haveria de esquecer o equívoco, ao contrário de mim, que nunca mais deixei de pensar nela. Assim, um sofrimento físico que foi só seu, de que ela com certeza nem se lembra já, passou a fazer parte das minhas memórias, com um sentimento de culpa como se o meu atraso desse dia tivesse sido consciente e um dos piores da minha vida. E nem me conforta pensar que, se fosse mais cedo, eu nem sequer teria visto aqueles passos doridos e ouvido aquela súplica angustiada. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5382590864546655666" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SrLN34SQ7bI/AAAAAAAAAG0/54Rn8R82XzA/s400/P1019253.JPG" border="0" /&gt; &lt;div align="center"&gt;Em dias de grandes chuvadas, meu pai pegava em minha mãe ao colo para passar por aqui.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;(fotografia de Ana Loura)&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;(De &lt;em&gt;A Longa Jornada Até Calie&lt;/em&gt;, em preparação)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-4489935491840416935?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/4489935491840416935/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=4489935491840416935&amp;isPopup=true' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/4489935491840416935'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/4489935491840416935'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2009/09/vizinha-maria-jose-o-pao.html' title='A vizinha Maria José, o pão'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SrKt9ggH_oI/AAAAAAAAAGs/2volO6IgWEc/s72-c/Vizinha+Maria+Jos%C3%A9.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-6209385512514243417</id><published>2009-09-08T22:25:00.004Z</published><updated>2009-09-08T22:31:33.790Z</updated><title type='text'>Vento</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SqbaeypmoyI/AAAAAAAAAGk/io_hjc_UojQ/s1600-h/para+Vento.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5379227027467838242" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SqbaeypmoyI/AAAAAAAAAGk/io_hjc_UojQ/s400/para+Vento.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;Esta viagem fisicamente custou menos, porque não havia baldes de água a transportar...&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;(fotografia de Ana Loura)&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como eram pobres os pobres naquele tempo! Havia os que nunca se deitavam com fome nem dormiam com frio, e os que muitas vezes não tinham pão para a ceia e vestiam chita e caqui mesmo no Inverno. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em Santana existiam três fontes: uma perto do poço da ribeira onde as mulheres lavavam a roupa, outra no meio do povoado e uma terceira lá mais para baixo, onde a ribeira começava a despedir-se da gente para completar a viagem até aos Cabrestantes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Íamos buscar água a qualquer das duas primeiras fontes, porque a distância era a mesma, embora para a que ficava no meio de Santana não fosse preciso saltar quatro ou cinco muros. E era nela que havia o bebedoiro para o gado. A nossa mula era teimosa como sói dizer-se da espécie, dava sempre dois pares de coices no ar quando a montávamos, mas depois obedecia mansamente. E não precisava de ser conduzida até à água, porque ia beber por sua própria conta sem demorar mais que o necessário nalgum tufo de erva inesperado e raro. Mas, se a distância não era muita, o peso da água a chocalhar nos baldes parecia torná-la longa, longa, porque as forças estavam ainda longe de ser de braços adultos e fortes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ricardo de Mesquita, brasileiro da ilha de Santa Catarina, imaginou o vento sul, visitante habitual de Florianópolis, a falar assim: “Acho que vou ficar mais um pouco aqui. Talvez arme um redemoinho para encontrar, na esquina do Trajano, as meninas do colégio Coração de Jesus. Saias plissadas, rodadas, que sempre levanto ao passar. Algumas gostam. Disfarçam, mas gostam... // Os garotos que ficam encostados na outra esquina, a de Jerónimo Coelho, // aplaudem minha passagem. Enfim, alguém gosta de mim!” Vem num livro que reúne as crónicas premiadas no concurso Franklin Cascaes, e ofereceu-mo a Lélia Nunes, também ela vagamente insular, porque descende de açorianos de há dois séculos e meio e Santa Catarina está à distância de uma ponte do continente. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O padre Artur queria fazer de cada um de nós um santo à sua imagem e semelhança. Certa vez pregou muito magoado contra as fotografias de bailarinas quase nuas no Carnaval do Rio, mostradas na revista “O Cruzeiro” a páginas meias com imagens de Cristo derramando sangue por causa dos nossos pecados. E, quando havia documentários, ou mesmo algum filme de longa metragem no Atlântida Cine, para os alunos da catequese, ele ficava na cabina de projecção pronto a fazer censura “ad hoc”, tapando com a mão a lente logo que aparecessem umas pernas femininas com vista acima do joelho. Mas nada podia contra o vento...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É juntando tudo isto que fui dizendo, como conversa da tua avó Maria do Carmo, sem fio aparente mas a fazer sentido lá mais para o final, que chego aonde queria chegar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas espera... ouve, meu Amor... Este vento hoje está frio. E eu na fonte, atrás dela, à espera de que acabe de encher a lata. Não lhe sei o nome nem lhe lembro a cara. Mas veste roupa leve, saia talvez de chita, que usou no Verão e há-de usar no Inverno entre uma barrela e outra. Mora mesmo ali ao lado, não tem de ir longe por água. O vento é frio mas bonançoso. E, de repente, dá-lhe na gana um sopro mais forte. Levanta a saia dela até à cintura. As suas mãos, em aflição, não acodem a tempo de impedir que fique à mostra, por instantes, a nudez absoluta por debaixo da saia. Dá meia volta, envergonhada, e foge a correr para casa, deixando a lata na fonte. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não era uma bailarina daquelas que o padre Artur transformava em sombra. Não era uma sambista carioca que quase se despia por vontade própria no calor tropical. Era uma rapariguinha a quem a roupa escondia mal a sua intimidade, e quase nada protegia do frio que vinha no vento. Se fosse pintor, faria dessa imagem fugaz um quadro sobre a pobreza. Sinto-me triste, neste hoje de há muitos anos e neste hoje de quando escrevo. Estou tão triste na fonte, a encher o meu balde, como ela na sua vergonha.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;(Do possível livro de memórias contadas a minha mulher, Maria Alice: A Longa Jornada Até Calie)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-6209385512514243417?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/6209385512514243417/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=6209385512514243417&amp;isPopup=true' title='23 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/6209385512514243417'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/6209385512514243417'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2009/09/vento.html' title='Vento'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SqbaeypmoyI/AAAAAAAAAGk/io_hjc_UojQ/s72-c/para+Vento.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>23</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-2260430482817528745</id><published>2009-09-02T23:26:00.010Z</published><updated>2009-09-03T00:12:11.451Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sobre a Verdade das Coisas'/><title type='text'>Manuel Vavô</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Manuel “Vavô” não casara, era pouca cabeça para chefe de família, não tinha aqueles carinhos de mulher que ajudam um homem a viver com mais decência: comida a tempo e horas, o calor de uma caminha aquecida por outro corpo também, uns cuidados de águas quentinhas, para lavar as pernas doridas de trabalhar, e álcool aquentado numa lata de lustro posta sobre o candeeiro, como a mãe fazia ao pai em dias de mais estafa; umas sêmeas de emplastro ou pão em vinagre quente, para mazelas de estômago; roupa lavada e corrida para vestir ao Domingo. Nada, andava aos tombos da fortuna e da aguardente, que lhe era sustento e remédio mais que tudo, que lhe enganava tristezas e sossegava desejos. Por isso trabalhava conforme o apetite, mas, se estava em maré de o fazer, era homem de se contar com ele todo. Só não era de fiar para tarefas aprazadas com rigor. Se lhe dava a moleza da solidão, ficava-se por ruas e tabernas enquanto houvesse uns vinténs para aquecer o estômago, que só quando a fome era de mais ele entendia que lhe doía de fome. Numa noite em que ficara sem ceia, Manuel “Vavô” sentiu cheiro de petisco no “café”do José Virgínio, que tresandava a temperos de violentar paladares, apesar de a porta estar fechada por recato dos convivas. Lá dentro só homens de respeito, ainda que capazes de perder tanto o tino na pinga quanto o Manuel que os ouvia nas risadas da festança. Bateu à porta com algum receio e certa expectativa. Veio abrir o guarda Silva, que espalhava bazófias em disfarce de sabido e voz de vogais abertas e sílabas inteiras. Era uma figura que se pretendia imponente, incapaz de um desalinho, rigoroso no cumprir das leis. Viu quem era e mandou que desaparecesse. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/Sp8CjQt7AlI/AAAAAAAAAGE/CTh5-cHnrD8/s1600-h/DSCF0995.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5377019284909916754" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/Sp8CjQt7AlI/AAAAAAAAAGE/CTh5-cHnrD8/s400/DSCF0995.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;(O café do José Virgínio era na primeira casa à direita)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Manuel “Vavô” insistiu. Teimou uma segunda e uma terceira vez, ao menos uma isca e um copinho de vinho. O guarda cansou-se da teima, e para que o outro não porfiasse agarrou num cabo de vassoura e foi-se contra ele. Era mesmo para bater! Manuel “Vavô” fugiu com todas as forças, e o guarda abalou no seu encalço. Subiram a rua da Igreja em correria de fúria e de medo, voltaram à esquerda no Caminho do Concelho, arfaram pelo Penedo fora até à Fonte Velha. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5377021638936320114" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/Sp8EsSJjWHI/AAAAAAAAAGM/yZuFTKi8CT8/s400/DSCF1000.JPG" border="0" /&gt; &lt;p align="center"&gt; (Troço do Caminho do Concelho referido na história)&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Aí, ao entrar a canada, o carro de bois do Guilherme avivou a coragem do perseguido e deu-lhe uma razão mais forte: um fueiro! Pegou nele e voltou-se contra o guarda que não desistia de querer zurzi-lo. O perseguidor deu meia volta, mais veloz que Veloso a fugir do bando negro. Desceram o Penedo num ai, o Caminho do Concelho como dois foguetes, a rua da Igreja como se tivessem lume no rabo. E foi nesse imprevisto de se ter voltado o feitiço contra o feiticeiro que os amigos dessa noite de farra, que esperavam à porta a solução do combate, receberam a salvo, e com chacota dissimulada de um espanto divertido, o soldado vencido pelo argumento da força.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5377026284163562578" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/Sp8I6q-B_FI/AAAAAAAAAGc/Jmrrrvg56EM/s400/DSCF1005.JPG" border="0" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;(Penedo)&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5377022891112967810" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/Sp8F1K3uroI/AAAAAAAAAGU/J8pDxEUJswk/s400/DSCF1007.JPG" border="0" /&gt;(Fonte Velha ao fundo no centro)&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;Do livro &lt;em&gt;Sobre a Verdade das Coisas &lt;/em&gt;(esgotado)&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Fotografias de Sérgio Lourenço (Setembro de 2009) &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-2260430482817528745?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/2260430482817528745/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=2260430482817528745&amp;isPopup=true' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/2260430482817528745'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/2260430482817528745'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2009/09/manuel-vavo.html' title='Manuel Vavô'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/Sp8CjQt7AlI/AAAAAAAAAGE/CTh5-cHnrD8/s72-c/DSCF0995.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-243855771967485492</id><published>2009-08-22T01:30:00.002Z</published><updated>2009-08-22T01:33:47.892Z</updated><title type='text'>Evocação</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/So9KUZ34nUI/AAAAAAAAAFk/2DXPTPQdj0g/s1600-h/399394.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5372594594879413570" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/So9KUZ34nUI/AAAAAAAAAFk/2DXPTPQdj0g/s400/399394.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Conteiras (fotografia de Rui Almeida, publicada em &lt;a href="http://olhares.aeiou.pt/conteiras_foto399394.html"&gt;http://olhares.aeiou.pt/conteiras_foto399394.html&lt;/a&gt;)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De outros tempos, temos a poesia que ficou das coisas que passaram. O que foi mau esquece-se por já não ser, o que foi bom transfigura-se por já não poder ser. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A mãe que fechava, bem fechadas, as janelas do quarto térreo para que o Sol não denunciasse um novo dia e os filhos continuassem deitados, assim lhes enganando com o sono a fome, porque em casa não havia o que comer; a tísica que se mirrava, hálito com hálito da irmã, que lhe despia a camisa suada por agonia e fraqueza, trocando-a pela sua, enxuta, e colando sobre o seu corpo são o suor de enferma da quase moribunda; o “canto” dos homens a preço de desbarato, a dor, a fome, a miséria, toda a desumana condição humana… &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas a alegria também! Talvez como rito de afugentar fantasmas, talvez como um esforço para despertar de um sonho dormido entre maus sonhos. Ou talvez que a alegria existisse por si mesma, como acto necessário, como razão suficiente. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A luz, como era diferente a luz! Doía, de bela, a cor dos cravos, das sécias, das despedidas-de-verão; era uma orgia saudável o cheiro da malva-rosa, da erva-luísa, da hortelã do quintal-jardim da minha tia Ermelinda. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Sol a queimar, a queimar sempre, avolumando os frutos, anunciando a ceifa, num prenúncio de fartura que se cumpria em vinhas e pomares, hortas e searas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A alegria simples de viver. O prazer de estar vivo. Um “haja saúde” que bastava como desejo e cumprimento. “Saúde e a graça de Deus.” Tudo o mais tinha o sabor inesperado das coisas supérfluas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E as crianças, brilhando ao Sol (ah! Se Renoir as pintara!...), vigiavam nas longas tardes grandes capachos de trigo, para que as outras o não mascassem como “gama”, para que as galinhas o não comessem. Ou vendiam, por esquinas e travessas, a troco de botões – as “marcas” – os “chupos”, flores da conteira (Hedichium gardnerianum), enquanto a vida vivia. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-243855771967485492?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/243855771967485492/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=243855771967485492&amp;isPopup=true' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/243855771967485492'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/243855771967485492'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2009/08/evocacao.html' title='Evocação'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/So9KUZ34nUI/AAAAAAAAAFk/2DXPTPQdj0g/s72-c/399394.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-4119904449464471465</id><published>2009-08-13T12:30:00.011Z</published><updated>2009-08-13T12:55:25.807Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Santa Maria'/><title type='text'>Santa Maria, Uma Declaração de Amor</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SoQH2Sg95II/AAAAAAAAAFc/Q9oehN4brA0/s1600-h/P1019284.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5369425284996916354" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SoQH2Sg95II/AAAAAAAAAFc/Q9oehN4brA0/s400/P1019284.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; São Lourenço, ilha de Santa Maria (fotografia de Ana Loura)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Considero-me um privilegiado quando me chamam mariense. Porque, como filho destas ilhas, tenho a sorte de ter pai e mãe. Foi meu pai São Miguel, minha mãe, Santa Maria. E, se pode ter-se dupla nacionalidade, por certo que poderá ter-se dupla “insularidade”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou mariense, sim, e julgo que de pleno direito. Cagarro e santaneiro. O que foi outro privilégio, ter vivido em Santana. Mais de oito anos, depois de quatro por São Pedro, na casa do Sr. Armando Monteiro, e seis meses na Ribeira do Engenho, numa casinha que era toda ao pé da porta e tinha o telhado à altura do caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De São Miguel saí ainda de cabelos compridos, de que guardo uma vaga memória mas somente do dia em que mos cortaram, já em São Pedro. Antes disso, e da ilha onde fui gerado e onde nasci, só sei o que me contava minha mãe. Tempo esse em que uma criança de dois anos podia andar pelas ruas e ir até longe, no longe relativo do tamanho do corpo, sem deixar preocupado quem quer que fosse. Palmo e meio de pernas bastava para fugir facilmente das rodas de uma carroça ou de um carro de bois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito cedo comecei a ser aluno da vida, em Santa Maria. Que belas lições recebi! Recordo a sabedoria de um povo a quem vi cavar um poço antes do tempo da sede. Aprendi a sua bondade em coisas tão simples como aquelas grandes pedras, postas ao alto à semelhança de pequenos menires, onde o gado ia roçar-se placidamente. A minha definição como pessoa começou a fazer-se com estes e com outros ensinamentos casuais ou espontâneos, sem pedagogia diplomada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode parecer um contra-senso considerar um privilégio ter vivido em Santana, porque aquela era uma das aldeias mais rurais de Portugal. Nem havia sequer uma canada razoável que lhe fosse caminho. A que existia servia, em parte, como leito de uma ribeira, onde aflorava a rocha irregular posta a descoberto pela erosão. Durante séculos, foi a única via que levava a Vila do Porto. Maior isolamento do que aquele é difícil de imaginar. Ainda assim, em Santana nasceram e viveram pessoas de grande valor humano e social. Prodígios da superação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De súbito, tudo mudou em 1945. Em Santana propriamente não, porque ela ficou imutável na sua rústica ancestralidade. Mas, mesmo ali ao lado, fora feito um aeroporto para ser um dos melhores e mais concorridos do Mundo. A Vila deixou de ser a principal referência, porque até na religião os de Santana se tornaram como que paroquianos da capela de Nossa Senhora do Ar, que antes fora lugar de culto de protestantes, católicos e judeus. Ia-se e vinha-se usando atalhos desenhados por milhões de passadas, cortados aqui e ali por muros que era preciso saltar. A aldeia isolada ficara a poucos minutos de um mundo novo e impensável. Mas aquela gente recebeu-o quase com a mesma naturalidade com que via nascer o Sol todos os dias, o Sol que gretava o solo árido no Verão, depois de secos os lameiros do Inverno. Aquela gente, que resistira à angústia da fome, numa penúria humilhante e indigna da condição humana. Como um pouco por toda a ilha, aliás. Mas que manteve uma dignidade bíblica, porque a dignidade é um estado de espírito mais do que uma afirmação social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nossa casa nunca fora chamada casa antes de lá morarmos. E, nesse tempo, era um absurdo pensar que quem tivesse menos de dezasseis anos não podia trabalhar. Não o proibia a lei, e a isso obrigava a necessidade de as mães não terem falta do que pôr na mesa à hora de comer. Apesar disso, não lamento nada da minha infância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui pastor de cabras, de ovelhas e de vacas. Cavalguei em pêlo e sem esporas nem freio, como os índios. Nunca ninguém me ensinou a ter medo do dia nem da noite. Fui cowboy ou índio na mata de Monserrate e nas do Aeroporto. Mas não estraguei nenhuma árvore, nem os meus companheiros de aventuras. Contei histórias ao meu amigo Elias, e contava-me ele outra por cada uma das minhas. Matávamos o menor número possível de personagens, quer fossem índios ou bandidos. Apenas o essencial para haver vencedores e vencidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, ia aprendendo em livros ou num quadro preto. Primeiro na escola de Santana. Com a D. Eduarda na 1ª classe, a D. Doroteia, na 2.ª, a D. Úrsula, na 3.ª, a D. Francisca, na 4.ª. Continuam a ser das minhas heroínas preferidas. Fizeram o milagre de me ensinar a ler, de explicar que povo somos e a que terra pertencemos. Depois veio o Externato. Juntei à minha lista de heróis e de heroínas mais uns quantos predestinados para o bem e a sabedoria. Passei a pertencer também à geração do Cavaleiro Andante, sem dúvida a mais prodigiosa publicação juvenil que houve em Portugal. Não tínhamos dinheiro para livros nem revistas, por isso era o José Guilherme Correia que mo emprestava sempre. E alguns livros também, como o José Vieira Souto Martins, um amigo de que nada sei há meio século. Foi assim que pude ler Emílio Salgari, Mark Twain ou Enid Blyton.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E havia o Clube Asas do Atlântico. O Asas! Nunca ninguém me pôs na rua nem mostrou desagrado pela minha presença. Nem imaginavam o bem que me estavam fazendo. Ali ouvíamos os relatos do futebol e do hóquei das nossas alegrias patrióticas. E era onde eu tinha à disposição os principais jornais que se publicavam em Portugal. Um dos mais bem escritos era A Bola, e por isso, ao mesmo tempo que a rivalidade entre o Sporting e o Benfica era um dos principais factores de unidade dos Portugueses, o desporto, contado naquele jornal que mudou tanto que se pode considerar extinto, era também uma lição de cultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não longe, o campo dos jogos épicos do futebol romântico de dois defesas, três médios e cinco avançados. Com o mítico Badjana a dar os últimos pontapés na bola, jogando pela equipa da Direcção do Serviço de Obras, onde meu pai trabalhava. Depois veio outro clube, o de Gonçalo Velho, para o qual minha mãe e minha irmã bordaram os primeiros emblemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, a alegria suprema tinha lugar reservado no Atlântida Cine. O seu porteiro deixava muitas vezes as crianças entrarem sem pagar bilhete. Por isso o Sr. Cardoso faz parte da minha lista de heróis particulares. E o grito “ó Cardoso, apaga a luz” ainda ecoa nas minhas recordações como o anúncio de todas as claridades. Outro benfeitor de homens a haver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na capela de Nossa Senhora do Ar aprendi o lado mais humano da vida. Aquele que pensa acima de tudo no que nos distingue dos irracionais. E, se é certo que sem uma fé sobrenatural se pode ser boa pessoa, o cristianismo à maneira do Padre Artur é o testemunho do bem na Terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas qualquer pedaço de mundo vale pelo que vale a sua gente. A do meu tempo era feita destas e de outras figuras que marcaram o modo de ser de um tempo e de uma geração em que havia na ilha mais forasteiros do que naturais dela. Sorte nossa que a maior parte dos que em Santa Maria buscaram um pouco mais de fortuna ou um pouco menos de infortúnio eram pessoas de deixar saudades. Por isso o reencontro com velhos pioneiros dos tempos modernos da Ilha de Gonçalo Velho é sempre um momento de festa que dificilmente tem semelhança quando as amizades foram feitas por outras bandas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O próprio aeroporto, começado a construir durante a guerra, acabou por ser um lugar de passagem para a paz. Se, em 1918, Franklin Delano Roosevelt escolheu Ponta Delgada para apoio ao transporte de tropas a caminho da Europa, por aquelas pistas passaram sobretudo soldados de regresso a casa. O nome de código da operação, “Green Project”, era ele mesmo uma declaração de esperança numa nova era.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi neste ambiente, um dos espaços nacionais onde mais se concentravam pessoas com ensino superior ou com uma cultura acima da média, que começou a germinar a minha vontade de fazer das palavras escritas um uso para além da obrigação de alguma carta familiar. Sem Santa Maria, sobretudo sem o seu Externato, eu teria ficado pela 4.ª classe, tal como todos os rapazes que nasceram na Maia, em São Miguel, no mesmo ano que eu. Por um desses acasos que são difíceis de explicar, cresci logo nos primeiros anos de vida com uma curiosidade sem limites. Um dia, ainda antes de completar seis anos, perguntei a meu pai como é que se faziam versos. Ele era um improvisador de quadras e de histórias como poucos conheci na vida. Chegou a fazer o negócio de uma burra cantando ao desafio. E, nos intervalos do almoço, contava casos a homens da sua idade, mas tão interessados como crianças. Vi muitos filmes pelos seus olhos, ou ouvi-os da sua boca. Ele levou a sério a minha pergunta sobre poesia, e respondeu como se deve sempre responder a uma criança: dizendo a verdade das coisas como se se falasse ao adulto que a criança será um dia. Logo a seguir exercitei o meu novo conhecimento cantando para uma vizinha da minha idade, de que só guardo a memória de uns longos caracóis loiros. Sei que começava assim, esse que foi em rigor o meu primeiro poema: “Sou Daniel/ da ilha de São Miguel”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era, sim, com a sorte de ser da Ilha-Mãe também. E nela vivia então um poeta que fez parte do meu imaginário, e de quem eu muito quis ser imitador: Lopes de Araújo. Não tive a sorte de ser seu aluno, mas a ânsia de alcançar um estatuto semelhante ao seu foi talvez o maior impulso que me levou a dedicar-me à escrita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Santa Maria veio a ser para mim cenário de drama também. Numa certa manhã, os responsáveis pela Direcção do Serviço de Obras estavam reunidos para despedir pessoal. O critério escolhido foi o de optar pelos trabalhadores com menos filhos. O nome do meu pai foi um dos primeiros a serem falados, porque éramos só minha irmã e eu. Minha irmã não estudara porque as propinas equivaliam a um terço do ordenado de meu pai. Que levou um ano a decidir se eu deveria frequentar ou não o Externato. Acabou por resolver-se pela positiva, e eu revi a gramática da 4.ª classe, feita um ano antes, estudando-a enquanto vigiava as vacas. Valeu-nos que nunca paguei propinas no colégio, como chamávamos ao Externato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Miguel Corte-Real, esse homem da linhagem dos primeiros povoadores e a quem Santa Maria muito deve, não concordou com a ideia, alegando que eu estudava, e que meu pai e minha mãe, costureira, se sacrificavam a trabalhar mais do que podiam para eu ter aquele privilégio. Estava a questão por decidir quando chegou um funcionário com uma notícia dramaticamente irónica. Meu pai acabara de deixar vago definitivamente o seu lugar na vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Texto lido no colóquio &lt;em&gt;Santa Maria nas rotas do Atlântico&lt;/em&gt;, promovido no dia 9 de Agosto pela Fundação Luso-Americana, sob a responsabilidade de Mário Mesquita) &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-4119904449464471465?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/4119904449464471465/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=4119904449464471465&amp;isPopup=true' title='19 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/4119904449464471465'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/4119904449464471465'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2009/08/santa-maria-uma-declaracao-de-amor.html' title='Santa Maria, Uma Declaração de Amor'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SoQH2Sg95II/AAAAAAAAAFc/Q9oehN4brA0/s72-c/P1019284.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>19</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-5945240037699250909</id><published>2009-08-01T02:46:00.003Z</published><updated>2009-08-01T02:51:34.057Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Maia'/><title type='text'>A Ribeira do Calhau</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SnOs4438ruI/AAAAAAAAAFU/ndqD4BnDlrA/s1600-h/Em+primeiro+plano,+Ã +esquerda,+o+inÃ&amp;shy;cio+do+atalho+da+Ribeira+do+Calhau+Foto+de+SÃ©rgio+LourenÃ§o.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5364821674468093666" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SnOs4438ruI/AAAAAAAAAFU/ndqD4BnDlrA/s400/Em+primeiro+plano,+%C3%A0+esquerda,+o+in%C3%ADcio+do+atalho+da+Ribeira+do+Calhau+Foto+de+S%C3%A9rgio+Louren%C3%A7o.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Em primeiro plano, à esquerda, o início do atalho da Ribeira do Calhau (fotografia de Sérgio Lourenço)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A paz da tarde, o mar apaziguado a trepar as pedras com indolência e sem convicção. As algas num vaivém de cabeleiras verdes e castanhas. Mais adiante, a Ribeira do Calhau, corrente fresca, saborosa, com o sabor das entranhas do basalto, do musgo e das labaças, nascendo aos pés do rochedo, de curso breve como um voo de borboleta. Começa e acaba em trinta metros de vida. Ainda lá estão as pedras que foram lavadouro de muitas gerações, abandonadas, sem préstimo, fora do lugar algumas, recordação todas elas. Onde a que minha mãe preferia?...&lt;br /&gt;Longo era o caminho para ali chegar. Mais longo ainda por ser difícil do que pelo longo tamanho dele. Um atalho apertado entre canas e ervas altas que, depois da chuva, se trocava frequentemente pela insegurança das pedras do Calhau. (Ter água em casa era um luxo. E, no Verão, para o necessário à família, formavam-se grupos à espera, de madrugada, em cada fonte que havia, de onde um fio delido enchia lentamente os potes de barro. Uma lentidão enervante, mas ninguém pensava que a vida, por vezes, quer ser vivida mais depressa. Ou talvez nós é que a estraguemos por não tomar, calmamente, o gosto ao tempo.)&lt;br /&gt;A Ribeira do Calhau, quase sem tamanho, quase já mar quando nasce, vivia o suficiente para ser útil e acabava-se logo entre as pedras, sem uma grandeza aparente. Nunca uma cheia, nunca uma seca. A água a jorrar, paciente, numa monotonia embaladora, por um buraco que lhe media o caudal, como que um milagre no paredão da rocha. Ela soube de tudo, ela ouviu tudo sem indiscrições, as grandes dores e as grandes alegrias, as banalidades de conversas sem motivo. Ela soube de amores e desavenças, ela soube da vida e da morte.&lt;br /&gt;Hoje, só o musgo e as labaças lhe falam de si, mais alguma cana que desça os rizomas na aventura de experimentar o prazer de mais água. Ou alguém que, andando às lapas ou à pesca, se curve, entre uma poalha de luz, a beber sem cobrança. Ou alguma alma, extraviada das convenções do viver, que ainda acredite que a solidão só dói quando há mais gente em redor.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SnOs4tsOzrI/AAAAAAAAAFM/CwkC6FWRL-4/s1600-h/Atalho+da+Ribeira+do+Calhau+Foto+de+L+Filipe+Braga.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5364821671466159794" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 266px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SnOs4tsOzrI/AAAAAAAAAFM/CwkC6FWRL-4/s400/Atalho+da+Ribeira+do+Calhau+Foto+de+L+Filipe+Braga.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Atalho da Ribeira do Calhau (fotografia de L. Filipe Braga)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-5945240037699250909?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/5945240037699250909/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=5945240037699250909&amp;isPopup=true' title='20 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/5945240037699250909'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/5945240037699250909'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2009/08/ribeira-do-calhau.html' title='A Ribeira do Calhau'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SnOs4438ruI/AAAAAAAAAFU/ndqD4BnDlrA/s72-c/Em+primeiro+plano,+%C3%A0+esquerda,+o+in%C3%ADcio+do+atalho+da+Ribeira+do+Calhau+Foto+de+S%C3%A9rgio+Louren%C3%A7o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>20</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-7692539747649810329</id><published>2009-07-22T14:39:00.012Z</published><updated>2009-07-22T14:48:05.947Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Terra de Bravos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Terceira'/><title type='text'>As "Velhas"</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/Smck_K7xUGI/AAAAAAAAAFE/N8E_PZphwu4/s1600-h/IMG_0131.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 267px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5361294549093273698" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/Smck_K7xUGI/AAAAAAAAAFE/N8E_PZphwu4/s400/IMG_0131.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;(João Ângelo - o mais alto - numa festa do Espírito Santo. Foto cedida pela &lt;a href="http://www.veracor.pt/"&gt;Ver Açor&lt;/a&gt;) &lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No dia dez de Junho deste ano da graça de 2009, João Ângelo Vieira, um agricultor de São Bartolomeu dos Regatos, foi condecorado com a Ordem de Mérito. Quase de certeza que não terá havido ninguém a não concordar com essa distinção. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;João Ângelo é um talentoso cantador popular, herdeiro de uma longa tradição de míticas figuras terceirenses. Álamo Oliveira, poeta de outras letras, disse que a sua fascinante personalidade se caracteriza pela “simplicidade sedutora, que o superioriza sem que ele disso se aperceba”. João Ângelo tem-se distinguido sobretudo a cantar as “velhas”, um costume exclusivo da Terceira que se assemelha às cantigas trovadorescas de escárnio e mal-dizer. As “velhas” são normalmente um desafio entre dois cantadores, e devem o nome à referência frequente a uma velha, quase sempre dita avó do adversário no despique. Compostas por estrofes de dez versos, com dois tercetos e uma quadra, a sua principal característica são os segundos sentidos e as alusões brejeiras. Isto mesmo está explicado na primeira das duas “velhas” de João Ângelo, a seguir reproduzidas, e exemplificado na segunda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos cantar umas velhinhas&lt;br /&gt;Um pouco atrevidinhas,&lt;br /&gt;Mas não fiquem ofendidos.&lt;br /&gt;Porque quando as velhas vêm&lt;br /&gt;Quase sempre elas têm,&lt;br /&gt;Meus senhores, dois sentidos.&lt;br /&gt;Saudar-vos é o meu desejo,&lt;br /&gt;Sem que haja excepção,&lt;br /&gt;A toda a gente que vejo&lt;br /&gt;Nas festas de São João.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às velhas deste lugar&lt;br /&gt;Eu as quero saudar&lt;br /&gt;E dar o meu cumprimento.&lt;br /&gt;Há solteiras e casadas&lt;br /&gt;E as que estão lembradas&lt;br /&gt;Do dia do casamento.&lt;br /&gt;E alguma sem marido&lt;br /&gt;Nunca faça má acção.&lt;br /&gt;Eu também tenho vivido&lt;br /&gt;Das esmolas que me dão.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-7692539747649810329?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/7692539747649810329/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=7692539747649810329&amp;isPopup=true' title='39 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/7692539747649810329'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/7692539747649810329'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2009/07/as-velhas.html' title='As &quot;Velhas&quot;'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/Smck_K7xUGI/AAAAAAAAAFE/N8E_PZphwu4/s72-c/IMG_0131.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>39</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-6596339301244926727</id><published>2009-07-14T16:32:00.007Z</published><updated>2009-07-14T16:46:26.551Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Terra de Bravos'/><title type='text'>Praia, a da Vitória</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SlyztGpRZpI/AAAAAAAAAE0/eRYaLzs_uEI/s1600-h/IMG_0118.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358355244123252370" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 267px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SlyztGpRZpI/AAAAAAAAAE0/eRYaLzs_uEI/s400/IMG_0118.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Praia da Vitória (fotografia gentilmente cedida pela editora &lt;a href="http://www.veracor.pt/"&gt;Ver Açor&lt;/a&gt;)&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Três vezes o mar desceu. Três vezes o mar subiu. Deixou primeiro à vista destroços de naufrágios, cargas perdidas, desperdícios deitados à água. E, arremessando-se pela terra acima, destruiu quinze casas, entupiu caminhos com os detritos que levava, deixou estéreis cerrados e quintais. Entre a Praia e Porto Martins matou seis pessoas, as únicas que se sabe terem morrido nos Açores por causa dessa pavorosa inquietação do mar. Uns vinte minutos antes, ele galgara a rocha nos Fenais da Luz e subira as ruas ribeirinhas de Ponta Delgada. Outros vinte depois, inundaria a Horta. De passagem por Angra quase fizera naufragar os navios ancorados, e chegara à Praça dos Cosmes, que ainda não tinha idade para ser Velha. Umas seis ou sete horas mais tarde a sua fúria inaudita extinguir-se-ia no Golfo do México e nos fiordes da Noruega. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Dizem as crónicas que à mesma hora Lisboa ruía até aos alicerces, por causa do maior terramoto de que havia memória, e que destruiu vidas e cidades no Algarve, no Norte de África, na Andaluzia, onde a enorme onda ou maré, a que mais tarde se chamaria tsunami, completou a obra devastadora. Nesse dia um de Novembro de 1755, também o fogo, ardendo a partir dos limites aonde o Tejo não chegara, se dispôs a queimar pessoas e bens durante cinco dias de horribilíssimo inferno. Se a hora foi a mesma, tê-lo-á sido tendo em conta a que o Sol marcava. Porque cada terra só sabia do tempo exacto pela viagem da sombra de Oeste para Leste. No Reino, do Minho ao Algarve, a hora de Lisboa era a referência a respeitar. Por cá, cada ilha e cada lugar não teriam outra que não fosse a sua própria.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas esta Praia não é apenas a da Vitória guerreira, nome que receberia mais tarde por ali os absolutistas terem sofrido uma derrota vergonhosa. É também a vencedora deste e de outros desastres, o mais tristemente notável dos quais foi o terramoto de 1841, que a destruiu na sua maior parte, e que por isso ficou conhecido como a “caída da Praia”. Dois anos depois, estava “reedificada, com mais elegância que dantes tinha”. Disse-o a própria Câmara, em carta para a Rainha, D. Maria II. Nessa carta, de 16 de Agosto de 1843, era pedido à soberana que concedesse o título de “Barão da muito notável Vila da Praia da Vitória” ao governador civil, ou administrador-geral, José Silvestre Ribeiro, natural de Idanha-a-Nova, onde talvez já nesse tempo as touradas de rua fossem também a principal festa popular. Foi ele que teve a vontade e o talento de em tão pouco tempo fazer levantar do chão a vila e os povoados do concelho que como ela haviam caído. José Silvestre, que na Praia da Vitória tem um belo e merecido monumento com estátua desde o século XIX, foi um político brilhante. Ele mesmo, como soldado do Batalhão de Voluntários Académicos, tomara parte na batalha que valeu à vila os títulos que a disseram muito notável e vitoriosa. Deputado pela Terceira e por outras terras do Reino, além de muitos mais talentos teve também o de escritor.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Apesar de a Praia ser povoação muito antiga, pensa-se que o traçado das suas ruas é no essencial o primitivo. O que, pelo seu equilíbrio e funcional aspecto, prova que, como em Angra, aqui houve clarividente visão urbanística dos que a fundaram e nos primeiros tempos a desenvolveram. E este desenvolvimento foi tão rápido que já em 1498 tinha a sua Misericórdia, uma das primeiras que houve em Portugal.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A Praia da Vitória é bem o exemplo do que disse um dos seus filhos mais ilustres, Vitorino Nemésio: “A geografia, para nós, vale tanto como a história”. Muito do que ela sofreu e parte da sua glória devem-se às circunstâncias da sua geografia. E essa frase de Nemésio serviria muito melhor como divisa dos Açores do que aquela que consta no brasão de armas da Região Autónoma. Porque contém uma definição do que somos e do que podemos querer, muito mais do que a frase guerreira de Ciprião de Figueiredo, que nem sequer era natural destas ilhas e aqui esteve mais para defender os interesses do rei, primeiro, ou do pretendente a sê-lo, depois. E se lhe ficou bem, como fiel amigo de D. António, escrever a Filipe II que “Antes morrer livres que em paz sujeitos”, talvez tenha sido demasiada temeridade ou ligeira consciência sacrificar a leal gente da Terceira por uma causa perdida. Esta mesma ideia expressou J. G. Reis Leite quando escreveu, na Enciclopédia Açoriana: “Ficou no orgulho angrense esta primeira experiência de ser capital de Portugal, sede do portuguesismo e do nacionalismo exacerbado, esquecendo-se frequentemente do preço que pagou por esta ousadia.”&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-6596339301244926727?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/6596339301244926727/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=6596339301244926727&amp;isPopup=true' title='68 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/6596339301244926727'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/6596339301244926727'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2009/07/praia-da-vitoria.html' title='Praia, a da Vitória'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SlyztGpRZpI/AAAAAAAAAE0/eRYaLzs_uEI/s72-c/IMG_0118.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>68</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-2821205460258126689</id><published>2009-07-06T09:49:00.002Z</published><updated>2009-07-06T09:56:29.856Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Terra de Bravos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Terceira'/><title type='text'>Touradas à Corda na Terceira</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SlHJkt5UWOI/AAAAAAAAAEs/lwwzO7aDlKM/s1600-h/JoÃ£o+dos+Ovos.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5355283064552708322" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 237px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SlHJkt5UWOI/AAAAAAAAAEs/lwwzO7aDlKM/s400/Jo%C3%A3o+dos+Ovos.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;Se alguém tivesse ajudado o João dos Ovos a ter sorte, assim como Manuel Benítez foi conhecido por “El Cordobés”, talvez ele tivesse ficado na história como “O Angrense”. Durante décadas foi a figura mais popular das touradas à corda. A sua fama terá tanto de mítica quanto de controversa, porque o seu equilíbrio mental parecia precário e a sua figura era de saltimbanco de feira sem consciência de o ser. No entanto, milhares e milhares têm passado pela arte da vida ou dos toiros sem deixar uma frase ou um gesto que sejam recordados. João dos Ovos era capaz de encenar uma “chicuelina” no canto de uma rua com tanto cuidado a desviar o corpo do toiro imaginário como se estivesse mesmo a evitar-lhe a armação. Ou de enfrentar a fera a sério com passes de guarda-sol, num bailado que valia a “faena” de um “diestro” na praça de São João. E chegou a comungar duas vez no mesmo dia, justificando que, nas coisas de Nosso Senhor, quanto mais melhor. Anos mais tarde, esse acto, que então era considerado um sacrilégio, viria a ser autorizado pela Igreja… &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Apesar de temer mais o mar do que um toiro bravo, João dos Ovos acompanhou a São Miguel a primeira embaixada taurina que veio a esta ilha, em 1965, para várias touradas à corda e uma de praça. A sua simplicidade, o ser para os outros sem fingimentos aquilo que era no fundo de si mesmo, deixaram um rasto de simpatia e de ternura. Porque o João dos Ovos era uma espécie de criança grande, capaz de expor as pernas ao sol na Avenida Marginal de Ponta Delgada, explicando a todos os que passavam que o senhor doutor lho recomendara por causa das varizes; ou de fazer grandes reverências e uma elaborada oração em voz alta no altar da Virgem, na igreja de São Pedro, antes de deixar na caixa das esmolas os cinquenta escudos que quisera dar ao bondoso padre José Baptista Ferreira, que fora pároco da Conceição de Angra, e o acolheu em sua casa durante esses dias. Chamar “João dos Ovos” ao belo paquete “Angra do Heroísmo”, que a Insulana comprou a um armador israelita por oitenta mil contos em 1966, foi com mais frequência uma homenagem ao famoso capinha do que uma manifestação de desrespeito pelos terceirenses.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A essas touradas em terras de São Miguel, como em outras mais recentes, que atraíram muita gente, não faltou entusiasmo mas abundaram os actos inconscientes e temerários. Mas faltou-lhes o sabor que só a tradição consegue dar e a Terceira cumprir, faltaram os espontâneos que compreendessem os toiros. Por isso é célebre na minha Maia a história de um militar que foi artilheiro em Angra durante a Segunda Guerra Mundial. Estando ele de namoro à janela, numa rua onde havia tourada, a moça disse-lhe que entrasse para evitar algum desgosto com o toiro. Ora, se é verdade, como diz Camões, que, nos perigos grandes, o temor é muitas vezes maior que o próprio perigo, também há momentos em que o medo é bem menor do que requerem as circunstâncias. Foi este o caso. O heróico soldado permaneceu firme no seu posto. Mas o toiro não estava para romantismos, e fez o que lhe cumpria. Arremetendo contra o destemido marialva, mandou-o pelo ar, atirando-o para o quintal. A viagem demorou o suficiente para que o rapaz gritasse enquanto voava: “Adeus, São Miguel, que nunca mais te vejo!”&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Cada uma das cerca de duzentas e cinquenta touradas à corda que por ano há na Terceira é um espectáculo em que o toiro se diverte pelo menos tanto como as pessoas. Que muitas vezes passam o tempo tentando conquistar alguma moça namoradeira ou à volta de uma mesa farta, com bons petiscos e cerveja fresca, que destronou o tradicional vinho de cheiro. Por isso muitos voltam para casa sem terem visto a cor ao menos de um dos quatro toiros. E, se calha alguém de fora da ilha ser instado a entrar no convívio, o que com frequência acontece, também correrá o risco de, como qualquer terceirense em iguais circunstâncias, só ver “o quinto toiro”, como eles por graça dizem. O que, como se percebe, é o mesmo que dizer toiro nenhum. Mas uma tourada à corda é sempre uma festa de movimento, cor, convívio, alegria. O suficiente para valer a pena o risco de algum osso maltratado. Sobretudo se for em corpo alheio… &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;(Do livro em preparação &lt;em&gt;Terceira&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Terra&lt;/em&gt; &lt;em&gt;de&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Bravos&lt;/em&gt;, a publicar pela &lt;a href="http://www.veracor.pt/"&gt;Ver Açor&lt;/a&gt;)&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-2821205460258126689?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/2821205460258126689/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=2821205460258126689&amp;isPopup=true' title='44 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/2821205460258126689'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/2821205460258126689'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2009/07/touradas-corda-na-terceira.html' title='Touradas à Corda na Terceira'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SlHJkt5UWOI/AAAAAAAAAEs/lwwzO7aDlKM/s72-c/Jo%C3%A3o+dos+Ovos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>44</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-7970192566625573168</id><published>2009-06-29T09:16:00.003Z</published><updated>2009-06-29T09:27:40.922Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sobre a Verdade das Coisas'/><title type='text'>O Judeu Errante</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SkiIjVIaG8I/AAAAAAAAAEk/1lr4OU3xExA/s1600-h/vangogh36.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 319px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SkiIjVIaG8I/AAAAAAAAAEk/1lr4OU3xExA/s400/vangogh36.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5352678297679043522" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Semeador com Pôr-do-Sol (Vincent Van Gogh, 1888)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Vinha de tempo parado na sua cara só rugas, no seu cabelo só branco. Havia já longos anos que não mudava de aspecto pois que não tinha mais pele por onde entrar novo rego do velho arado do tempo, nem lhe podia ir mais neve por sob o sujo chapéu. Tinha um saco, um bordão, sapatos sujos, capote, e alguém chegou a dizer, com medo e algum desejo de a suspeita ser verdade, que aquele velho de esmola era Samuel Bolibete...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Batia a todas as portas e levava de muitas delas uma fatia de pão. E enchia o saco, com as consciências descarregadas nesse gesto obrigatório de cumprir a caridade. De vez em quando, a alguém dava para pensar que ao homem o pão não basta. E lá ia, em desagravo, um chicharrinho frito, uma unha de queijo branco, uns seis vinténs por alma de mil defuntos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O velho arcava com tudo, o dado e o negado, subia a Maia como quem poupa as passadas, como se soubesse que em cada uma delas se derramava mais uma gota de vida, e fazia o primeiro descanso parado na Fonte Velha. Escolhia uma fatia mais branda, ia ao chicharro ou ao queijo se por ventura os havia, e com profundos goles de água fresca ganhava alento para subir o caminho. Pesava-lhe a carga e os anos – muito mais estes que aquela – e ia deixando, pelas ladeiras de vinha, o pão esfarelado entre os seus dedos trementes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se o soube, começou a soar como blasfémia a repetida e cansada “Uma esmolinha, pelo amor de Deus.” As consciências, tranquilas por tanto pão esperdiçado, puderam recusar sem remorsos “Perdoe, pelo amor de Deus.” E assim, com Deus à mistura do que se dá e se nega, lá ia o pobre vivendo debaixo do mesmo Sol, molhado pela mesma chuva, que a todos dão o sustento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do livro &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sobre a Verdade das Coisas&lt;/span&gt; (esgotado)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-7970192566625573168?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/7970192566625573168/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=7970192566625573168&amp;isPopup=true' title='23 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/7970192566625573168'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/7970192566625573168'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2009/06/o-judeu-errante.html' title='O Judeu Errante'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SkiIjVIaG8I/AAAAAAAAAEk/1lr4OU3xExA/s72-c/vangogh36.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>23</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-6257194140853281876</id><published>2009-06-23T23:53:00.003Z</published><updated>2009-06-24T00:02:34.366Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sobre a Verdade das Coisas'/><title type='text'>Um Relógio com “Pandulho”</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SkFrzsfiOiI/AAAAAAAAAEc/Cw7tRZxQL3M/s1600-h/Baixa.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5350676368153786914" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SkFrzsfiOiI/AAAAAAAAAEc/Cw7tRZxQL3M/s400/Baixa.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Porto da Maia, fotografia de Sérgio Lourenço&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um barco vem entrando a ponta da Baixa. Manobra com cautela, evitando ficar de través è mercê da rebentação, e fugindo de modo a que a quilha roce o fundo baixo. “É o José Raposo. – Garante Manuel de Sousa, apesar da distância. São muitos anos a ver sempre as mesmas coisas, de perto e de longe, que, por vezes, mais as pressente do que reconhece. – Quantas pragas terá dito hoje!...” &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É proverbial o desmando constante da língua do José Raposo. Termos chulos, invectivas, explosões de um génio que nunca chega a vias de facto. Satisfaz-se com estoirar de raiva, muito mais na aparência do que no fundo de si mesmo. Uma vez em que fora levantar os covos das lagostas topou, no mesmo lugar, com um barco “rabão” a recolher os seus. Dificilmente se entendiam os da Maia com os de Rabo de Peixe, pelo que não é de jurar por de que banda começaram as maldições. O caso cresceu e cresceu, e o Amaral – figura bem pintada de pirata: magro, moreno e com um olho vazado – preparava-se para a abordagem que alguém da companha exigia armado com o facão de picar engodo, enquanto o mestre defendia a sua razão no meio de um bombardear de imprecações em que sobressaíam todas as “lepras” e “pelacias” deste mundo. De ambos os lados havia, ao que parece, acusação de covos roubados. A certa altura, senhor de si e dos seus argumentos, o mestre “rabão” perorou: “Eh mardite, eu sou um home sério, excomungado. Comprei uma casa por cinquenta contos e tenho um reloge de purso.”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;José Raposo voltou-lhe as costas, descompôs-se e, baixando-se, gritou: “Ó… ó… e eu tenho um reloge com pandulho e tudo.”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Do livro &lt;em&gt;Sobre a Verdade das Coisas&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-6257194140853281876?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/6257194140853281876/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=6257194140853281876&amp;isPopup=true' title='49 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/6257194140853281876'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/6257194140853281876'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2009/06/um-relogio-com-pandulho.html' title='Um Relógio com “Pandulho”'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SkFrzsfiOiI/AAAAAAAAAEc/Cw7tRZxQL3M/s72-c/Baixa.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>49</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-2408923108835047939</id><published>2009-06-20T00:05:00.004Z</published><updated>2009-06-20T00:11:59.151Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sobre a Verdade das Coisas'/><title type='text'>O Senhor de Tudo</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SjwogChf70I/AAAAAAAAAEU/Iy8Dk0-G2A4/s1600-h/GolfinhoComum_12.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5349194988307607362" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 267px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SjwogChf70I/AAAAAAAAAEU/Iy8Dk0-G2A4/s400/GolfinhoComum_12.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Fotografia de Nuno Sá, gentilmente cedida pela editora &lt;a href="http://www.veracor.pt/"&gt;Ver Açor&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Um homem passou necessidade de tudo, até de verter águas.” Diz Manuel de Sousa, com um ar de lástima e ironia que não alcanço imediatamente. “Doença?”, pergunto. “Qual doença!...” Sorri. E não sei se é um escárnio ou um disfarce. Mas então, para isso, um homem arranja-se em qualquer parte, basta uma barreira, um muro, uma árvore que lhe encubra a frente... Manuel de Sousa faz uma espera, adensa o mistério, revolve as algibeiras à procura do tabaco, do folhelho e da navalha., e explica-se, por fim. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A bexiga inchava-lhe, inchava-lhe, como a querer rebentar, e o Sol a demorar a pôr-se... “Aquela vontade toda foi do chá sem açúcar do jantar. Pão de milho e uns chicharrinhos assados na brasa. Lembro-me como se fosse hoje. Ela tinha aquela paciência de me assar o peixinho, e trazia-o embrulhado numa folha de milho, ainda suando do calor das brasas.” Mal se podia dobrar, mas queria aproveitar um pouco mais a luz. E ia aguentando o trabalho. O roçar das mãos pelas tabuas e canas secas aumentava-lhe a dor da vontade de urinar contida. Depois, quase correu pelo atalho, pelas ruas, entrou em casa numa pressa... “...E foi de vez no talhão. Não tive tempo de esperar mais. Parece que estoirava.&lt;br /&gt;O senhor Júlio Francisco de Sales Pacheco do Couto era dono de meia freguesia. A casa de Manuel de Sousa era dele, que tinha lá, como em muitas outras, um talhão de Santa Maria onde lhe iam guardando a urina. Uma vez por semana, um trabalhador do senhor vinha numa carroça, com uns bidões, e recolhia o adubo humano para culturas das suas posses. Manuel de Sousa acabou por arranjar uma bilha, que levava consigo e trazia à noitinha, com a recolha do dia. Nunca mais se deixou passar por uma tal atrapalhação nem desperdiçou uma micçãozinha que fosse. Se alguma coisa se perdia era com o suor do trabalho. “Se fosse hoje...”&lt;br /&gt;E fica-lhe no rosto a expressão tristonha de quem percebe que a única vida que teve a não viveu como homem. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;(Do livro &lt;em&gt;Sobre a Verdade das Coisas&lt;/em&gt;)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-2408923108835047939?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/2408923108835047939/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=2408923108835047939&amp;isPopup=true' title='35 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/2408923108835047939'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/2408923108835047939'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2009/06/o-senhor-de-tudo.html' title='O Senhor de Tudo'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SjwogChf70I/AAAAAAAAAEU/Iy8Dk0-G2A4/s72-c/GolfinhoComum_12.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>35</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-1565062022869930780</id><published>2009-06-15T12:18:00.005Z</published><updated>2009-06-15T12:27:55.738Z</updated><title type='text'>Aldrabões</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SjY9ojszybI/AAAAAAAAAEM/9oI7-FDs4BQ/s1600-h/sapatos.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5347529374536288690" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SjY9ojszybI/AAAAAAAAAEM/9oI7-FDs4BQ/s400/sapatos.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://www.flickr.com/photos/lucasbraga/1342757711/"&gt;&lt;em&gt;Os Sapatos Velhos do Homem&lt;/em&gt; - fotografia de Lucas Braga, sob a licença Creative Commons&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os soldados continentais do destacamento militar iam partir. Tinham deixado bem marcada a sua presença na Maia, fogachos de amor postos em muitos corações a quem abalara o falar de gente fina, a quem persuadira a aparente convicção de promessas de que nenhuma se cumpriu. Raparigas houve que ficaram com mancha para toda a vida, mesmo algum filho nos braços, de riscos mais assumidos, mas outras desfizeram-se dos desgostos e das famas... porque, como dizia o “tio” João Carvalho em sentença brejeira sem certidão de origem, “Os abraços vão na roupa,/ os beijos a água lava,/ as falas o vento leva,/ fica a moça como era.”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Mestre” Luís “Perneta”, sapateiro habilidoso apesar de obrigado à profissão por defeito de que lhe veio a alcunha, e língua de trestampar com requinte, recebeu encomenda de um sargento para fazer-lhe uns sapatos do coiro mais vistoso e com a forma mais perfeita que possível lhe fosse. Queria-os para o dia do embarque e para exibir na viagem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A encomenda satisfez-se a tempo da partida e a gosto do solicitante. Os sapatos brilhavam, obra de aspecto bem acabado, dignos do brio de um militar de carreira. No velho cais de embarque, em Ponta Delgada, o destacamento esperou em vão a partida que não se fez nesse dia, porque veio temporal. A chuva desalinhava o aprumo das companhias, e não poupou os sapatos novos, e logo na estreia. Foi então que aconteceu o desastre… O negro da tinta foi-se diluindo, o coiro encolheu e dobrou-se todo, ganhando uma cor indefinida de tons de azul-escuro e de verde-azeitona, com uns laivos de amarelo duvidoso a insinuar-se também. Tinha sido enganado, o senhor sargento: aquela maciez flexível e aquele brilho lustroso eram aparência somente da qualidade requerida. Sentiu-se ridículo pela figura real e pelo abuso a que “mestre” Luís se atrevera.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No outro dia, entrou-lhe na tenda a espumar raivas de mil razões que resumiu neste berro: “Garoto! Aldrabão!” “Mestre” Luís empertigou-se na perna sã, apontou-lhe o dedo acusador com fúria igual à da afronta que lhe era feita, e defendeu-se de pronto no mesmo tom de falar: “Garoto e aldrabão é o senhor, que disse que se ia embora ontem e não foi!”&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-1565062022869930780?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/1565062022869930780/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=1565062022869930780&amp;isPopup=true' title='66 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/1565062022869930780'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/1565062022869930780'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2009/06/aldraboes.html' title='Aldrabões'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SjY9ojszybI/AAAAAAAAAEM/9oI7-FDs4BQ/s72-c/sapatos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>66</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-2220615835483020832</id><published>2009-06-11T14:45:00.003Z</published><updated>2009-06-11T14:48:36.288Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sobre a Verdade das Coisas'/><title type='text'>Há-de Chamar-se Manuel</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SjEYxphnLQI/AAAAAAAAAEE/qLuj58UZZQU/s1600-h/Maia+5.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5346081473904979202" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 267px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SjEYxphnLQI/AAAAAAAAAEE/qLuj58UZZQU/s400/Maia+5.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Maia (fotografia gentilmente cedida pela editora &lt;a href="http://www.veracor.pt/"&gt;Ver Açor&lt;/a&gt;)&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A mãe de Manuel de Sousa esperava o momento de ele nascer sentada num capacho, e foi ali que ele veio à luz com a ajuda de uma velha parteira que já vira chegar a este mundo quase tanta gente como a Maia tinha então. Frequentemente, das mãos dela aos gadanhos do coveiro, ia apenas um ai de vida.&lt;br /&gt;O que estava para vir seria o seu quarto filho. Antes dele, duas Marias e outro Manuel tinham chegado e partido com a pressa de quem não se sentira seduzido pela Terra. Apesar disso, o pai teimava em que, a ser rapaz, seria Manuel também. Mau agoiro, preveniam-no, que isso de baptizar um anjinho de carne e osso com nome de irmão morto era fazê-lo correr o risco de que, em breve, os outros anjos o levassem para o Céu.&lt;br /&gt;Quando, com o seu choro de saudar o mundo, anunciou que chegara, foram chamar o pai para lhe dar o primeiro beijo – ritual de boa sorte que ele, a custo, cumpriu mais essa vez – e para enterrar a placenta numa cova feita no chão térreo, aos pés da cama. E, enquanto o fazia, ia dizendo: “Mas há-de chamar-se Manuel.”&lt;br /&gt;Quando o cordão do umbigo secou e caiu, deitaram-no fora, como ao de todos os rapazes, porque de um homem se esperava que andasse aos sóis do trabalho e aos relentos da noite, sem medida no esforço nem limites apertados no lazeres. O das raparigas, para que fossem senhoras da sua casa, guardava-se bem guardado numa gaveta da cómoda.&lt;br /&gt;Depois, em tempos de mais trabalho, uma avó velha e cansada ficava vigiando, sem cuidados de maior, o neto empanturrado de manhãzinha com pão de milho amarelo, escaldado em água simples, e uma mamada por cima. (Leite forçado a couves e muito chá.) E, às vezes, se o pão obrigado a engolir – amiúde regurgitado e devolvido por um empurrão com a ponta dos dedos até meia garganta – não bastava para deixar a criança numa modorra de empacho durante quase o dia inteiro, havia o recurso adormentador de um vinho açucarado ou de um licor caseiro. Se o levavam para a terra, o pai fazia uma pequena cova no chão onde ele ficava o dia todo, à sombra de um guarda-sol. De vez em quando, a mãe acudia aos seus gritos, limpava-lhe um pouco a cara e a boca, dava-lhe o peito e voltava a deixá-lo sozinho. “Muitos foram tratados assim...”&lt;br /&gt;E os que não morriam agarravam-se à vida como os incensos ou as faias que, com raízes de sede, se apegam à pedra-queimada e vivem como um mistério.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Do livro &lt;em&gt;Sobre a Verdade das Coisas&lt;/em&gt; (esgotado)&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-2220615835483020832?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/2220615835483020832/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=2220615835483020832&amp;isPopup=true' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/2220615835483020832'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/2220615835483020832'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2009/06/ha-de-chamar-se-manuel.html' title='Há-de Chamar-se Manuel'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SjEYxphnLQI/AAAAAAAAAEE/qLuj58UZZQU/s72-c/Maia+5.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-6581662665059954129</id><published>2009-06-07T20:07:00.002Z</published><updated>2009-06-07T20:11:53.389Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sobre a Verdade das Coisas'/><title type='text'>"Já não há trigo, Manuel..."</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SiwezrKM1VI/AAAAAAAAAD8/TQ-xEDwIMEY/s1600-h/papoila+pequena.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5344680730889606482" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 350px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SiwezrKM1VI/AAAAAAAAAD8/TQ-xEDwIMEY/s400/papoila+pequena.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A paisagem, agora, é incompleta. Faltam-lhe as searas com o cheiro sensual do trigo, de papoilas a gritar em rubro a importância inteira das coisas inúteis. Há um amor que se agita na gente, ante as espigas maduras ondeantes a farfalhar ao Sol, que é mais verdadeiro na sua provocação de estímulos – como o de toda a natureza que sente sem ser humana. São os cheiros, as cores, o calor, as estações do ano, que lembram ao instinto dos outros seres que é tempo de amar ou de ter adormecidos os seus impulsos de vida. (O homem estraga o que faz quando não o faz somente por ser tempo de o fazer.) E, às papoilas, fica apenas o refúgio de algum muro velho, um recanto de barreira onde não molestem, ridículas como viúvas garridas e gaiteiras.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os bois, idos à canga sem recusa, já não puxam o arado naquela paz dolente, pé ante pé, como quem pisa a terra com carinho para não magoá-la, como quem ama com coração humano. Podia medir-se o tempo por cada rego aberto. Ápis castrados, com cuja dor imensa também se amassava o pão, companheiros, amigos, confidentes até de longos sóis e férvidos suores. Lavraram, gradaram, acarretaram o trigo num cantar de eixos a arder, e voltearam, por fim, nas eiras, com os velhos trilhos, já esquecidos entre o pó dos museus que os guardam na memória. Por isso o pão já não tem o sabor do trigo...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Passa, no atalho, o José “Dourado”. Aquele fez o primeiro filho com um amor sem sacramento ainda. E foi numa seara de trigo, seu tálamo e dossel, que profanou as núpcias. “Aonde foste, José?” Pergunta-lhe Manuel de Sousa. “Estive a abarbar uma nica de batatas.” Malicioso, entre uma fumaça e outra a cheirar a rústico e a folhelho, Manuel de Sousa diz-lhe: “Já não há trigo, José...” E o velho, olhando o corpo decrépito e a não prestar, agora, para nada, dá esta voz à alma: “Já não há trigo, Manuel...”&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E essa queixa é mais densa, mais sentida, do que quantas lamentam a morte das searas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(Do livro &lt;em&gt;Sobre a Verdade das Coisas&lt;/em&gt; – esgotado.)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-6581662665059954129?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/6581662665059954129/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=6581662665059954129&amp;isPopup=true' title='45 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/6581662665059954129'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/6581662665059954129'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2009/06/ja-nao-ha-trigo-manuel.html' title='&quot;Já não há trigo, Manuel...&quot;'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SiwezrKM1VI/AAAAAAAAAD8/TQ-xEDwIMEY/s72-c/papoila+pequena.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>45</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-7690664889425120534</id><published>2009-06-04T23:10:00.008Z</published><updated>2009-06-04T23:26:48.267Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ilha a Ilha'/><title type='text'>Ilha a Ilha: Flores e Corvo</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SihVIk9jw9I/AAAAAAAAAD0/L2_iMfxXqZE/s1600-h/FR+FAJAZINHA+054.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5343614563724280786" style="margin: 0px auto 10px; display: block; width: 400px; height: 267px; text-align: center;" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SihVIk9jw9I/AAAAAAAAAD0/L2_iMfxXqZE/s400/FR+FAJAZINHA+054.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;Fajãzinha, Flores (fotografia gentilmente cedida pela editora &lt;a href="http://www.veracor.pt/"&gt;Ver Açor&lt;/a&gt;)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;E agora as Flores?... É preciso dizer outra vez deslumbramento e fascínio, maravilha ou paixão... É preciso ter os sentidos preparados para o imprevisível, os sentimentos ainda capazes de esperar o inesperado... Esta ilha seria um dos piores lugares do Mundo para se perder a visão – ou um dos melhores, para quem pudesse viver de recordações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lagoas no fundo dos precipícios das crateras, reflectindo o verde das chaminés vulcânicas esculpidas a fogo. Montanhas que de repente tombam numa queda abrupta. Ribeiras que se atiram em vertiginosas cataratas. Cento e quarenta e três quilómetros quadrados onde se repete o que há de mais belo em cada uma das outras ilhas, como se elas fossem os esboços de um artista em busca da perfeição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aqui, acaba-se a Europa a Ocidente. A ilha das Flores é o seu último espaço habitado, o ilhéu de Monchique o seu último recife. Mas a regra foi a mesma: dos oito mil habitantes de meados do século XX, restava metade em 2001. Muitos não resistiram à sedução das “Califórnias perdidas de abundância” - como escreveu Pedro da Silveira num poema em que disse, quase definitivamente, o que é ser ilha e desejar o Mundo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5343614564142854498" style="margin: 0px auto 10px; display: block; width: 400px; height: 267px; text-align: center;" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SihVImhWsWI/AAAAAAAAADs/SSNZrBtA9cI/s400/FR+CORVO+JUL+07+114.jpg" border="0" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Vila do Corvo (fotografia gentilmente cedida pela editora &lt;a href="http://www.veracor.pt/"&gt;Ver Açor&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ter nascido no Corvo é um privilégio. Em cinco séculos de povoamento, não terão vivido nesta ilha mais do que umas três mil pessoas. Os seus nomes caberiam todos em meia dúzia de folhas de papel, e não seria difícil conhecê-los um a um. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;São pouco mais de dezassete quilómetros quadrados onde, no entanto, há espaço para terra de pão e de paisagem, e de dois cumes montanhosos que foram cone de vulcão, um de 550 metros de altitude, o outro de 729, com duas lagoas no fundo – o Caldeirão – que têm pelo meio umas pequenas ilhotas em que há quem consiga ver a representação das nove ilhas dos Açores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Talvez cause estranheza a linguagem serena com que os corvinos - que são pouco mais de quatrocentos residentes no único povoado da ilha – são capazes de falar da vida e do Mundo com admirável sabedoria. Mas um dos seus hábitos mais antigos é a leitura, pela qual venciam todas as distâncias e afastavam todos os fantasmas de um isolamento que, visto de fora, parece assustador. Mas não é. Apesar de o Corvo ser a ilha absoluta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(Do livro &lt;em&gt;Açores&lt;/em&gt;, editado pela &lt;a href="http://www.everest.pt/"&gt;Everest&lt;/a&gt;. A editora não autoriza a transcrição.)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-7690664889425120534?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/7690664889425120534/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=7690664889425120534&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/7690664889425120534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/7690664889425120534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2009/06/ilha-ilha-flores-e-corvo.html' title='Ilha a Ilha: Flores e Corvo'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SihVIk9jw9I/AAAAAAAAAD0/L2_iMfxXqZE/s72-c/FR+FAJAZINHA+054.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-5137938567999880033</id><published>2009-06-01T16:52:00.002Z</published><updated>2009-06-01T16:57:06.305Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ilha a Ilha'/><title type='text'>Ilha a Ilha: Faial</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SiQIK2LfhOI/AAAAAAAAADk/13ej3PRBZ5Y/s1600-h/NS+CAPELINHOS+2008+0005.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5342404040403682530" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 267px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SiQIK2LfhOI/AAAAAAAAADk/13ej3PRBZ5Y/s400/NS+CAPELINHOS+2008+0005.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;Vulcão dos Capelinhos (fotografia gentilmente cedida pela editora &lt;a href="http://www.veracor.pt/"&gt;Ver Açor&lt;/a&gt;)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Chamar-te adormecida? A bela?” &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“...as classes sociais diluídas no inglês polícromo dos iates, no generoso gin do Peter. O cosmopolitismo urdindo um certo rosto liberal, mas tão-só. Os turistas afogam-se no azul das hortênsias. E depois? Quem nos acode? A fruta do Pico tem já um internacional sabor a plástico.” &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É assim que a Horta é dita por Urbano Bettencourt, poeta da ilha em frente, a da “montanha emboscada na sua teia de nuvens”, a quatro milhas mal medidas de distância. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A Horta foi ela mesma e outros mundos. Nasceu portuguesa e flamenga, da imaginação e da vontade de Josse van Hurtere, senhor do Faial por mercê do infante D. Fernando, de quem a formosa vila do século XV também terá recebido o nome. Foi porto de paragem e aguada para os navios da América, descanso de marinheiros que andavam à ventura e desventura dos sete mares, repouso de missionários que iam para o Brasil ganhar o Céu para as suas e outras almas. Ligou pelo telégrafo as duas margens do Atlântico, abasteceu de carvão os barcos a vapor, estreou o correio aéreo trazido num avião da Pan American que amarou na sua baía. Acolhe a maior parte dos veleiros que percorrem estas velhas rotas e recebe no Café Sport – o “Peter” – os seus tripulantes, que fazem do paredão da doca um enorme painel onde deixam pintado o registo da sua passagem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É na cidade da Horta que está o parlamento açoriano e que vive quase metade dos quinze mil e quinhentos habitantes da ilha, que falam talvez o mais belo português de Portugal, apesar de terem sido flamengos muitos dos primeiros povoadores. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quem acredita que havia alguma exactidão nos portulanos do século XIV identifica o Faial como a ilha da Ventura. Provavelmente não o será de facto, mas poderia ter justificado o nome tanto quanto este que recebeu pala abundância de faias que havia nela. Também é conhecida por Ilha Azul, a cor das hortênsias que ornamentam caminhos e servem para dividir pastagens e terrenos agrícolas, como longas pinceladas na suave paisagem que sobe desde o mar até mais de mil metros de altitude, nos limites de uma impressionante cratera, a Caldeira. Os seus 172 Km2 de superfície foram ligeiramente acrescentados pelo vulcão dos Capelinhos, onde pode assistir-se à tenacidade com que a vegetação pioneira começa a conquista dos solos vulcânicos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Faial é o vértice de um triângulo que se completa com o Pico e São Jorge. Uma beleza alucinante a que ninguém fica insensível. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;(Do livro Açores, editado pela &lt;a href="http://www.everest.pt/"&gt;Everest&lt;/a&gt;. A editora não autoriza a transcrição.)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-5137938567999880033?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/5137938567999880033/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=5137938567999880033&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/5137938567999880033'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/5137938567999880033'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2009/06/ilha-ilha-faial.html' title='Ilha a Ilha: Faial'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/SiQIK2LfhOI/AAAAAAAAADk/13ej3PRBZ5Y/s72-c/NS+CAPELINHOS+2008+0005.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-381591809463017151</id><published>2009-05-28T00:09:00.005Z</published><updated>2009-05-28T00:16:13.310Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ilha a Ilha'/><title type='text'>Ilha a Ilha: Pico</title><content type='html'>&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5340661020733877938" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 299px; CURSOR: hand; HEIGHT: 305px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/Sh3W5v6eLrI/AAAAAAAAADc/axxzsKnB-fs/s400/Pico.jpg" border="0" /&gt;&lt;em&gt;A passagem, durante séculos, dos carros de bois que transportavam as uvas para os lagares deixou estas rilheiras no lajido&lt;/em&gt; (fotografia gentilmente cedida pela editora &lt;a href="http://www.veracor.pt/"&gt;Ver Açor&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Meu Deus, o Pico!... É uma paixão esta montanha que é uma ilha, esta ilha que é uma montanha.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os vulcões construíram uma larga plataforma de que restam pouco mais de 433 Km2, e empilharam no meio dela, a um ritmo de dez metros por milénio, rochas sobre rochas até atingirem uma altitude de 2351, a maior de Portugal.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A montanha é o cenário de um espectáculo quotidiano de vertiginosos jogos de luz e sombra, de nuvens que a rodeiam como auréolas, que se detêm sobre o seu cume ou que a escondem totalmente. No Inverno, essas sessões diárias são ainda mais requintadas, quando a neve assume o papel principal. E, muito antes dos boletins meteorológicos científicos, já as gentes do Pico liam na aparência da montanha a previsão do tempo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Povoar esta ilha, que é a mais recente do arquipélago, foi uma aventura e um risco como em nenhuma outra. O solo cultivável tem características mais de invenção que de descoberta. Os muros que dividem e protegem os terrenos agrícolas libertaram de incontáveis pedras o chão necessário. E, como não foi possível equilibrá-las todas em linhas ordenadas, muitas foram amontoadas, formando pequenas colinas, os “maroiços”, para ocuparem menos espaço. (Se fossem postas em linha recta no Equador, seriam suficientes para dar duas voltas à Terra.) O resultado é uma paisagem arrebatadora, tão selvagem quanto civilizada, mas capaz de produzir o melhor vinho destas ilhas, de vinhas plantadas em cada buraco entre as pedras onde caiba uma cepa, o que fizeram pela primeira vez os frades franciscanos em 1493. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A fruta e o queijo do Pico são também dos melhores, e a ilha, excepto em anos de calamidade, sempre deu para alimentar os seus habitantes, que já foram o dobro dos actuais menos de quinze mil, a quem ainda sobrava muito para vender no Faial.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Além disso, há o mar, aquele mar dos destemidos baleeiros e de inestimável abundância, que até fornece para vários usos a sua água, filtrada pelas rochas quando a maré sobe e ela enche os “poços de maré”. Aquele mar tão esplêndido quando é visto do miradoiro da Terra Alta, um despenhadeiro vertical de quatrocentos e quinze metros, a melhor varanda para ver São Jorge no outro lado do canal. Porque, como se não bastasse ao Pico ser o Pico, ele goza ainda da visão tão próxima daquela ilha e do Faial. Mas é também ele mesmo a mais grandiosa paisagem de que desfrutam ambas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;(Do livro &lt;em&gt;Açores&lt;/em&gt;, editado pela &lt;a href="http://www.everest.pt/"&gt;Everest&lt;/a&gt;. A editora não autoriza a transcrição.)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-381591809463017151?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/381591809463017151/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=381591809463017151&amp;isPopup=true' title='27 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/381591809463017151'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/381591809463017151'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2009/05/meu-deus-o-pico.html' title='Ilha a Ilha: Pico'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/Sh3W5v6eLrI/AAAAAAAAADc/axxzsKnB-fs/s72-c/Pico.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>27</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-670573691813489616</id><published>2009-05-23T21:02:00.002Z</published><updated>2009-05-25T00:21:22.231Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ilha a Ilha'/><title type='text'>Ilha a Ilha: São Jorge</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/Shhkyf8NHXI/AAAAAAAAADU/HxZiVub9yL0/s1600-h/NS+FAJÃƒS+2008+029.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5339128176977976690" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 267px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/Shhkyf8NHXI/AAAAAAAAADU/HxZiVub9yL0/s400/NS+FAJ%C3%83S+2008+029.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; (fotografia gentilmente cedida pela editora &lt;a href="http://www.veracor.pt/"&gt;Veraçor&lt;/a&gt;)&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se acontecer que se veja alguém apressado em São Jorge, quase de certeza que não é da ilha ou aprendeu longe dela o mau hábito de ter pressa. E pode ser que lhe digam: “Vai devagar, que isso acaba já aí.”&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Isso é a ilha, que até nem é das mais pequenas. Da ponta do Topo à dos Rosais, são mais de sessenta quilómetros, praticamente o mesmo que mede São Miguel de Este a Oeste, que é o sentido em que se alongaram estas ilhas, excepto as do Grupo Ocidental, Flores e Corvo. Mas se São Jorge é a ilha do “comprimento demorado” – na definição do poeta continental Carlos Faria, que se apaixonou por ela – é igualmente a da “largura breve”. Quatro quilómetros apenas separam as majestosas escarpas do Norte das enseadas do Sul. É quanto basta, no entanto, para os montes subirem até uma altitude que chega a ultrapassar mil metros. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Desta fantasia geológica – uns esguichos de magma apertados por entre os bordos de uma falha tectónica – resultou uma paisagem tão extraordinária que, quando se dá com ela, se esquece tudo o que se tenha visto antes para pensar que aquele é o mais belo pedaço do Mundo. Mas, se era pouca a terra (cerca de duzentos e quarenta quilómetros quadrados) havia que aproveitá-la o melhor possível. Até nos lugares mais remotos podem encontrar-se dóceis vacas, que produzem o leite de que se faz um dos melhores e mais famosos queijos portugueses, ou uma ermida secular.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;São Jorge é também a ilha das admiráveis fajãs, nesgas de espaço que lhe foi acrescentado pelo desprendimento de rochas das altíssimas arribas, criando como que uma nova espécie de ilhas – terra rodeada por mar e por montanhas quase intransponíveis. Nem o mais inspirado arquitecto paisagista seria capaz de inventar tal coisa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;É nesta ilha que os Açores são mais arquipélago. Rigorosamente posta no meio dele, de lá se avistam as outras quatro do Grupo Central: a Nordeste, a Graciosa e a Terceira; a Sudoeste, e a distância que um atleta excepcional pode fazer a nado, o Pico e o Faial. No entanto, os jorgenses viveram quase sempre isolados, bastando-se a si mesmos, com uma vida tão fortemente comunitária que bem se poderia dizer que era socialmente familiar. Os novos meios de comunicação romperam esse isolamento, que não impediu ter havido em São Jorge alguns dos mais antigos jornais do arquipélago e preservou uma espantosa cultura secular, sem lhe atrasar o conhecimento da modernidade, mas que manteve a ilha livre da maior parte das epidemias até à primeira gripe em 1891.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aqui Diógenes não precisaria de acender a sua lanterna para encontrar um homem, nem um apreciador de música de andar muito – em São Jorge há quinze filarmónicas, um sétimo do total do arquipélago, o que é deveras notável para uma população de apenas nove mil habitantes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(Do livro &lt;em&gt;Açores&lt;/em&gt;, editado pela &lt;a href="http://www.everest.pt/"&gt;Everest&lt;/a&gt;. A editora não autoriza a transcrição.)&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-670573691813489616?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/670573691813489616/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=670573691813489616&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/670573691813489616'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/670573691813489616'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2009/05/ilha-ilha-sao-jorge.html' title='Ilha a Ilha: São Jorge'/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03309448619010346654</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/Shhkyf8NHXI/AAAAAAAAADU/HxZiVub9yL0/s72-c/NS+FAJ%C3%83S+2008+029.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2359592506641990252.post-7344223318888262951</id><published>2009-05-16T12:44:00.005Z</published><updated>2009-05-18T00:23:49.572Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;A Festa do Senhor Santo Cristo&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/Sg61shIJozI/AAAAAAAAADM/D7rf_Cxako4/s1600-h/FR+SANTO+CRISTO+2007+0001+13-05-2007+18-44-04_51_1.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5336402384892044082" style="margin: 0px auto 10px; display: block; width: 266px; height: 400px; text-align: center;" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/Sg61shIJozI/AAAAAAAAADM/D7rf_Cxako4/s400/FR+SANTO+CRISTO+2007+0001+13-05-2007+18-44-04_51_1.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; A Fé e a Esperança. A Fé em Deus no culto do Senhor Santo Cristo no Santuário de Nossa Senhora da Esperança. Os olhos humanos precisam de reflexos divinos para se aproximarem do Infinito. Que podem ser as cores do ocaso ou as pétalas de uma flor. Ou uma bela imagem feita por mãos desconhecidas. Esta, por exemplo, que representa Jesus no momento em que Pilatos O apresentou à multidão. Por isso lhe chamam o “Ecce Homo”.&lt;br /&gt;A primeira procissão do senhor Santo Cristo dos Milagres aconteceu quase de certeza numa 6ª-feira, dia onze de Abril de 1698. A data com mais frequência repetida, onze de Abril de 1700, é absolutamente improvável, porque esse dia foi Domingo de Páscoa. Além de se haver tratado de uma procissão de penitência, o que anula a hipótese de ter sido realizada em data tão festiva, atente-se no que a certa altura diz o padre José Clemente ao descrever o cortejo: “Em último lugar ia o pálio com o Santo Lenho, a que acompanhava uma tão numerosa multidão de povo, que os oficiais deixaram o trabalho, os mercadores as lojas e os forasteiros as vilas e lugares circunvizinhos.” Era impensável que houvesse alguém que se atrevesse a trabalhar em dia santificado. A obrigação do descanso dominical era absoluta, havendo até a imposição de ao menos uma pessoa em cada família assistir à missa do dia, sob pena de pagamento de 50 réis, como deixou expresso o Bispo D. Frei João dos Prazeres na sua visita à paróquia de Pedro Miguel, no Faial, em 1690.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/Sg61sujeWqI/AAAAAAAAADE/MmTcXYF9UNM/s1600-h/FR+SANTO+CRISTO+2007+0001+12-05-2007+9-13-09_25_1.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5336402388496308898" style="margin: 0px auto 10px; display: block; width: 266px; height: 400px; text-align: center;" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_NioAhxs1c4k/Sg61sujeWqI/AAAAAAAAADE/MmTcXYF9UNM/s400/FR+SANTO+CRISTO+2007+0001+12-05-2007+9-13-09_25_1.JPG" border="0" /&gt; &lt;/a&gt;&lt;p align="center"&gt; Lamentação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Os nossos pecados atraíram&lt;br /&gt;o desprezo do Senhor sobre nós,&lt;br /&gt;como um pastor que esquece os nomes das suas ovelhas&lt;br /&gt;e não reconhece os balidos dos seus cordeiros.&lt;br /&gt;A desolação esteve durante o dia nas nossas casas&lt;br /&gt;e deitou-se, à noite, nas nossas camas.&lt;br /&gt;O calor do fogo era como gelo para os nossos corpos,&lt;br /&gt;e o mel mais amargo do que o fel nas nossas bocas.&lt;br /&gt;Não desejávamos o dia, durante a noite,&lt;br /&gt;porque todos os dias eram dias de sofrimento.&lt;br /&gt;Temíamos o entardecer&lt;br /&gt;porque cada noite era a noite do nosso pavor.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto disseste do teu Deus&lt;br /&gt;como se Ele tivesse empunhado a espada contra ti,&lt;br /&gt;como se Ele te houvesse alvejado com as setas do ódio.&lt;br /&gt;Mas, quando vires o Filho do Homem&lt;br /&gt;erguido sobre a terra da desolação,&lt;br /&gt;contarás um a um os seus gemidos&lt;br /&gt;e uma a uma as gotas do seu sangue.&lt;br /&gt;Saberás então que o Senhor habita contigo para sempre,&lt;br /&gt;que aquele é o preço por que serás libertado.&lt;br /&gt;Eu tomarei sobre Mim as tuas culpas&lt;br /&gt;para que, por todo o sempre,&lt;br /&gt;Deus não reclame nenhum dízimo de sangue.&lt;br /&gt;O Senhor veio a ti de mãos vazias,&lt;br /&gt;e lavará os pés, antes de serem trespassados,&lt;br /&gt;para que nem sequer o pó dos teus caminhos&lt;br /&gt;receba a afronta dos cravos do sacrifício.&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;(fotografias gentilmente cedidas pela editora &lt;a href="http://www.veracor.pt/"&gt;Ver Açor&lt;/a&gt;)&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2359592506641990252-7344223318888262951?l=oespolio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oespolio.blogspot.com/feeds/7344223318888262951/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2359592506641990252&amp;postID=7344223318888262951&amp;isPopup=true' title='26 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/7344223318888262951'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2359592506641990252/posts/default/7344223318888262951'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oespolio.blogspot.com/2009/05/blog-post.html' title=''/><author><name>Daniel de Sá</name><uri>http://www.blogger.com/pro
